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Diversidade

Projetos sobre gravidez na adolescência surpreendem pela qualidade

  • Terça-feira, 05 de dezembro de 2006, 11h25

Foto: Júlio César PaesFormação de professores e produção de material didático sobre gravidez na adolescência são as principais propostas  contidas nos 11 projetos selecionados pelo Programa Educação e Gravidez na Adolescência. Os trabalhos foram divulgados na segunda-feira, dia 4, pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad/MEC). Ao todo, foram enviados 95 projetos por universidades, prefeituras e organizações não-governamentais.

Cada proposta receberá cerca de R$ 40 mil para o desenvolvimento, em sala de aula, de atividades destinadas a reduzir os altos índices de gravidez na adolescência. O número e a qualidade dos projetos enviados ao Ministério da Educação foram considerados surpreendentes pela comissão de análise. “Foram encaminhadas propostas de prefeituras de lugares pequenos e de grupos que não têm acesso à informação”, afirmou Maria Rita Toulois, representante do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Rio de Janeiro, integrante da comissão de análise.

Um dos projetos selecionados, Saúde do Adolescente, é desenvolvido no município de Vargem Grande Paulista, São Paulo, desde 2003. O trabalho é aplicado em oito escolas por meio de oficinas com alunos da sétima e da oitava séries do ensino fundamental e de todo o ensino médio.

Responsabilidade e sexualidade são os temas mais discutidos nas dinâmicas de grupo. “Também capacitamos professores para que eles trabalhem temas relacionados à gravidez na adolescência em sala de aula”, explicou Mariza Vieira Peixoto Cruz, assistente social e integrante do projeto. Segundo ela, a perspectiva para 2007 é ampliar a iniciativa a todas as 12 escolas do município com recursos do MEC.

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 28 mil meninas de dez a 14 anos e mais de 300 mil entre 15 e 17 anos tornaram-se mães em 2002. A pesquisa Gravidez na Adolescência: Estudo Multicêntrico sobre Jovens, Sexualidade e Reprodução no Brasil, realizada pelas universidades federais da Bahia (UFBA) e do Rio Grande do Sul (UFGRS) e pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), mostra que a gravidez antecipada é recorrente entre jovens com menor escolarização e baixa renda.

Alerta — Apesar dos números considerados alarmantes, especialistas alertam para a análise do contexto sociocultural no qual as adolescentes estão inseridas, trajetória afetiva, desejos e perspectivas. Especialista em gravidez na adolescência, a psicóloga e pesquisadora Diana Dadoorian conclui que as jovens de classes populares enxergam na gravidez a realização do seu papel social. Por não haver perspectivas profissionais, essa realização está no fato de ser mãe. “É uma mudança de status na vida dessas meninas. Ao se trabalhar a sexualidade no ambiente escolar, outras questões também serão trabalhadas, como a importância do estudo na formação profissional dessas jovens”, disse.

Além da perspectiva de risco biológico ou social da gravidez na adolescência, o preparo dos professores é o ponto de convergência entre os especialistas. “Os educadores devem ser preparados para trabalhar o tema sem estereótipos e para orientar os jovens sobre o ingresso na vida sexual adulta”, afirmou Cristiane Cabral, pesquisadora do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos.

Karla Nonato e Flavia Nery

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