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Educação a distância

Documentário mostra importância da obra de Paulo Freire

  • Quarta-feira, 02 de maio de 2007, 17h00

O educador Paulo Freire dizia que o homem lê o mundo antes de ler a palavra. Esta é uma das idéias presentes no documentário Paulo Freire Contemporâneo, que resgata o método de alfabetização criado pelo educador. Lançado nesta quarta-feira, 2, no Ministério da Educação, o documentário de 55 minutos venceu concurso lançado pela TV Escola no ano passado e homenageia a obra de Freire, dez anos após sua morte.

Pelo pensamento freireano, o processo de aprendizagem deve estar vinculado ao contexto do aluno, possibilitando ao alfabetizando que deixe sua condição de oprimido ao adotar uma postura crítica diante do mundo, só permitida pela educação. Por isso, Freire acreditava ser impossível aprender sem atrelar a leitura de mundo do aluno à leitura das letras.

Para o ministro Fernando Haddad, o filme mostra como a obra do educador é atual e inspiradora. “A idéia de que a criança, sobretudo a das camadas mais pobres, precisa de uma atenção especial da escola pública e a percepção de que o contexto é a base do aprendizado e de que o diálogo entre educador e educando é o que dá sustentação a uma prática pedagógica transformadora são o legado sempre atual e inspirador de Freire.”

O vídeo retoma a primeira experiência de alfabetização de adultos de Paulo Freire, apresenta novas práticas com base no método, tanto no Brasil quanto no exterior, e ainda traz entrevistas com o estudioso, alguns de seus filhos, educadores e alunos.

Experiências —  Remanescentes da primeira experiência com o método freireano, na cidade de Angicos (RN), lembram como tiveram o processo de aprender interrompido pela ditadura, em 1964, que mandava para a cadeia quem insistisse em freqüentar a classe. Nos dias de hoje, 600 crianças de Jaguaquara, a 350 quilômetros de Salvador, aprendem a ler e a escrever privilegiando a cultura local. Elas levam para casa ensititle_aliasntos de plantio, numa região em que a maioria de pais e mães são pequenos agricultores. Um dos alunos da escola rural contou que ensinou a mãe a plantar melhor, e definiu Paulo Freire como um homem que foi um menino da zona rural, igual a ele.

Outra personagem real apresentada no documentário é catadora de lixo em São Paulo e está aprendendo a ler pelo método freireano, a partir de aulas realizadas pelo programa Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos,  criado pelo governo municipal, com organizações da sociedade civil. A aluna revelou que as aulas aumentaram sua auto-estima e a ensinaram também a lidar com o preconceito de muitas pessoas em relação a sua profissão. Já estudantes do curso de enfermagem da Universidade Federal do Rio de Janeiro passaram a adotar uma forma mais próxima de lidar com o paciente e resolvem problemas em que só remédios não dariam conta, por meio de conversa e muita atenção.

O diretor do filme, Toni Venturi, disse que o vídeo não tem a pretensão de abordar toda a obra de Paulo Freire. “O documentário pretende estimular professores e alunos para que conheçam a obra e reflitam sobre ela. É uma minúscula contribuição para melhorar os padrões de educação”, acredita.

O filme foi apresentado nesta quarta-feira na programação da TV Escola às 7h, 9h, 13h e 17h. Ainda será apresentado às 22h, com reprise no sábado e no domingo, às 18h. A TV Escola pode ser acessada pelos canais 27 (Sky) e 237 (DirecTV) e por antena parabólica analógica e digital.

Maria Clara Machado

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