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Educação indígena

Saúde, meio ambiente, terra e direito são áreas prioritárias

  • Quarta-feira, 09 de junho de 2010, 14h43
Organizações indígenas que representam os 42 povos que vivem em Mato Grosso definiram como prioritárias para a formação superior de seus jovens as áreas do conhecimento que tratam da saúde, meio ambiente, terra e direito.

A pauta indígena apresentada para a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) deu origem a um projeto piloto para o período de 2007 a 2012, com abertura de cem vagas em cursos de graduação. De 2007 e 2009, ingressaram na instituição 57 indígenas de 13 etnias. Eles ocupam vagas exclusivas em 16 cursos, entre eles, medicina, engenharia florestal, engenharia sanitária e ambiental, agronomia e direito.

O relato da experiência de inclusão indígena em cursos superiores na UFMT foi apresentado na terça-feira, 8, em Brasília, pela antropóloga e coordenadora do programa da instituição, Carmen Lucia da Silva, no seminário Ensino Superior e Povos Indígenas, promovido pelo Ministério da Educação. Os participantes do seminário também conheceram experiências de inclusão indígena da Universidade Estadual da Bahia (Uneb) e da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), de Mato Grosso do Sul.

Segundo Carmen Lucia Silva, o programa de inclusão indígena da UFMT é desenvolvido pela Pró-reitoria de Ensino e Graduação e reúne uma série de particularidades: o vestibular é específico, onde concorrem apenas estudantes indígenas a três vagas por curso; o ingresso mínimo por curso é de dois alunos indígenas para que um apóie o outro dentro da turma; e a seleção tem duas etapas. A primeira fase do vestibular consta de uma prova de conhecimentos gerais e redação sobre uma temática indígena; e a segunda é uma prova oral que avalia o domínio da oralidade e a compreensão da língua portuguesa.

Dentro da universidade – Além das peculiaridades da forma de acesso à universidade, a coordenadora do programa explica também que a permanência dos estudantes recebe apoio institucional. A manutenção do aluno – alimentação, moradia, transporte – é de responsabilidade da Fundação Nacional do Índio (Funai) e o acompanhamento acadêmico fica por conta da UFMT.

Na parte acadêmica, a instituição desenvolve ações que vão desde o acolhimento na chegada do aluno à universidade até o apoio aos estudos com monitores, tutores e psicólogo. Essas atividades, segundo Carmen Lucia, têm o objetivo de ajudar o universitário indígena a permanecer na instituição, obter bom desempenho acadêmico e concluir a formação.

Uma avaliação parcial do percurso dos 57 alunos, desde o ingresso até este momento, segundo a coordenadora, mostra que as medidas estão trazendo resultados positivos. Dos ingressantes na UFMT, apenas dois deixaram os cursos, mas não a graduação. Um desses alunos foi para a Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat) e outro para a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), ambos para fazer a graduação em outras áreas.

Instituição com 40 anos de atividades, a UFMT oferece 98 cursos de graduação, tem 15 mil alunos em bacharelados presenciais e 6 mil na educação a distância. A universidade tem campi nas cidades de Cuiabá, Rondonópolis, Barra do Garças e Sinop. Em Mato Grosso, segundo Carnem Lucia, vivem 42 povos indígenas que falam 37 línguas.

Ionice Lorenzoni


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