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Pesquisa

Cientistas brasileiros irão à Oceania em expedição marinha

  • Quarta-feira, 30 de novembro de 2016, 11h38

As expedições anuais do navio Joides Resolution realizam de quatro a cinco expedições científicas por ano (foto: Dhananjai Pandey & Iodp)Cientistas brasileiros que estudam a história da formação geológica e climática da Terra, a partir de registros em sedimentos e rochas do fundo do mar, podem participar das expedições anuais do navio Joides Resolution, que realiza pesquisas marinhas pelo International Ocean Discovery Program (Iodp). São programadas de quatro a cinco expedições científicas por ano. A próxima viagem, a Expedição 369, coletará amostras da crosta terrestre nas profundezas oceânicas de uma área sedimentar situada entre a Austrália e a Nova Zelândia, entre 26 de setembro e 26 de novembro de 2017.

O objetivo dos pesquisadores é analisar as condições de formação da camada de pré-sal, no período cretáceo, quando havia pouco oxigênio nos oceanos. Essas rochas são as mesmas que existem no litoral do Brasil e sob as quais se encontra uma reserva de petróleo. Há interesse global em pesquisar a formação dessas rochas e a relação com as correntes tropicais, como o fenômeno El Niño.

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), fundação vinculada ao Ministério da Educação, abriu chamada especial para a seleção de pesquisador especialista em paleomagnetismo. As inscrições podem ser feitas até 4 de dezembro.

No caso de pesquisa em nível de doutorado, o interessado deve apresentar plano de trabalho e carta de recomendação do orientador. Caso seja membro de um dos nove projetos de pesquisa selecionados pelo Iodp, em 2014, a carta de recomendação deve ser apresentada pelo coordenador do projeto. A inscrição para a vaga extra na expedição de 2017 pode ser feita na página da Capes na internet e a candidatura passará por avaliação do Comitê Científico do Programa no Brasil. O candidato selecionado receberá bolsa da Capes para pesquisa no exterior durante os dois meses da expedição.

Comunidade — O Brasil está entre os 25 países que se associaram ao Iodp para compor uma comunidade científica internacional atuante nas ciências do mar em águas profundas. Desde 2013, já participaram das expedições 19 cientistas brasileiros. Em cada viagem, pelo menos um pesquisador do Brasil integra a equipe do navio. Luigi Jovane, professor de geofísica de marinha aplicada do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), faz parte do comitê científico do programa na Capes e já participou de quatro expedições do navio. As duas últimas pelo programa.

Para o final de 2019 está prevista a primeira expedição do navio ao Brasil. Ele aportará na margem equatorial, entre Natal (RN) e Fortaleza (CE). É uma área propícia para a ocorrência de tsunamis e, segundo o professor Luigi Jovane, desperta o interesse de cientistas internacionais. “Essa área equatorial, não afetada por movimentos tectônicos nos últimos 90 milhões de anos, está no meio do Atlântico e é chave para entender as mudanças globais, inclusive que afetam o Atlântico Norte”, explica.

Tecnologia — Equipado com laboratório moderno, o navio dispõe de tecnologia avançada para perfuração oceânica. Amostras de rochas e sedimentos coletados são analisadas a bordo, ficam armazenadas e podem ser requisitadas por pesquisadores dos países-membros que participam de estudos correlatos às áreas de geofísica, geoquímica, microbiológica e paleoclimática.

“É um privilégio para pesquisadores brasileiros integrar essa pesquisa, ainda mais que o país tem um dos mais longos litorais do mundo e muito recurso no mar”, afirma o professor. Cada expedição científica do navio tem um custo de US$ 15 milhões. A parceria da Capes com o Iodp tem permitido ao Brasil formar um quadro de cientistas com pesquisas em águas profundas. “Até o começo da década, a tradição dos nossos pesquisadores era apenas na linha costeira”, acrescenta o professor da USP.

Mais informações na página da Expedição 369 na internet.

Rovênia Amorim

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