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Trilhas da Educação

Projeto de escola capixaba estimula o bom comportamento entre crianças e jovens

  • Sexta-feira, 11 de agosto de 2017, 10h50


No Espírito Santo, uma escola encontrou um jeito inusitado de estimular o bom comportamento entre os alunos e diminuir as advertências, suspensões e reclamações aos pais. Chamado de MIM: a moeda do bem, o projeto começou em 2016 e bonifica estudantes que mantêm a disciplina e o interesse nas aulas com o acúmulo de moedas imaginárias, que, posteriormente, podem ser tocadas por brindes. O nome da moeda corresponde às iniciais da Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria Istela Modenesi, em Vitória. 

Idealizadora do projeto, a professora Priscilla Junqueira afirma que, antes do MIM, a coordenação tentava contornar a indisciplina em sala de aula por métodos tradicionais, porém, com pouco sucesso. “Conversas, convocação de pais, relatórios, anotações de ocorrências, suspensão. Nada disso estava dando muito resultado”, conta. Segundo Priscilla, a atitude dos estudantes refletia questões relacionadas à autoestima e às condições sociais em que vivem – a escola é situada na periferia de Vitória, em região considerada de extrema vulnerabilidade social.

“Comecei a fazer entrevistas, conversar com cada um dos alunos, e todos mostravam uma frustração muito grande por não ter acesso a itens de consumo, por exemplo, bala, biscoito, coisas que outras crianças e jovens têm e eles não têm”, explica Priscilla. Assim, pensou em um sistema de pontuação: cada estudante recebe um MIM pelo desempenho pedagógico e outro pelo comportamento e pode acumular as moedas cumprindo desafios orientados pelos professores.

Os produtos que podem ser trocados por MIMs são diversos, desde material escolar e perfumes até lanches, oferecidos por uma lanchonete que só aceita a moeda fictícia. “A cantina vai oferecer bolo de chocolate, empadão, itens que existem em cantina de escola e que, até então, esses alunos não tinham acesso. As professoras também aproveitam para ensinar matemática básica”, exemplifica Priscila.

A estudante Emilly Katlen, de 13 anos, lembra que quase teve a trajetória escolar prejudicada pelo mau comportamento. No entanto, começou a acumular MIMs por boa disciplina e interesse nas aulas e conseguiu ser a terceira aluna que mais juntou moedas na escola. Como resultado, as ocorrências que a levavam quase diariamente à sala da coordenação passaram a ser esporádicas. “Eu era rebelde, muito bagunceira, e quase reprovei por causa disso. Hoje, minhas notas são altas o respeito pelos professores aumentou. Agora, a sala está melhor, respeitamos uns aos outros”, diz.

As mudanças no comportamento de Emilly também foram percebidas em casa. Marcela Pereira, mãe da jovem, conta que o projeto conseguiu melhorar a autoestima da filha e que agora ela é referência para os irmãos em comportamento e dedicação aos estudos. “Hoje ela se arruma, toma banho, vai para a escola. Vejo muitos amigos ao redor dela, coisa que não via antes. Ela traz gibi da escola e lê junto com os irmãos dela”, relata.

Até o ano passado, Rafael Sampaio, de 11 anos, também não se sentia motivado para ir à escola e sempre se envolvia em confusão com os colegas. O estudante considera que as moedas do MIM foram o empurrão que ele precisava para mudar o comportamento e seguir assim, independentemente do projeto. “Mesmo quando o projeto acabar, vou continuar com as boas ações, mesmo sem interesse em ganhar as moedas. Porque, no futuro, já estaremos inspirados a praticar as boas ações”, pondera Rafael.

Dar atenção e conversar com os alunos, segundo a professora Priscilla Junqueira, é uma forma de contornar qualquer situação difícil. “Acolher não é passar a mão na cabeça. Acolher é entender o que aconteceu e porque o aluno está agindo daquele jeito. É preciso deixar bem claro que alguns comportamentos não são aceitáveis, não são certos, e apontar novos caminhos.”

Assessoria de Comunicação Social

 

Assunto(s): educação básica , Projeto , moeda
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