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Trilhas da Educação

Uma história de superação e aprendizado para quem sabe que desistir não vale a pena

  • Sexta-feira, 10 de agosto de 2018, 11h32


Na edição desta sexta, 10, Trilhas da Educação, programa produzido pela Rádio MEC, lembra o Dia do Estudante, data comemorada em 11 de agosto, trazendo como personagem uma mulher vencedora. É a história da gaúcha Locide das Graças Rosa de Lara, artesã que, hoje, comemora um novo capítulo em sua trajetória.

Lúcia, como é chamada pelos amigos, tem 58 anos. Já atuou como doméstica, lavou e passou roupa no interior do Rio Grande do Sul e, durante mais de 20 anos, trabalhou em uma fábrica de calçados próxima à capital do estado, Porto Alegre.

A vida para ela nunca foi fácil, mas lutar sem desistir sempre esteve em sua agenda do dia. Foi assim que, quando se encontrava em uma situação estável, veio mais um desafio: a crise no setor calçadista, nos anos 1990. Mais uma vez, Lúcia precisou arregaçar as mangas e procurar outro trabalho. 

Àquela altura, quando as coisas pareciam não ter mais jeito, ela ficou sabendo da existência de um curso na modalidade EJA – Ensino de Jovens e Adultos. Não pensou duas vezes, batalhou, conseguiu uma bolsa de estudos ofertada por uma escola privada e começou a aprender a ler e cursar os ensinos fundamental e médio. “Fui aprendendo e fui indo, cheguei a passar noites estudando”, lembra.

Dificuldades –  “Eu tinha profissão, sabe? ”, conta. “Só que eu não sabia ler e nem escrever. ” Mesmo com essa limitação, Lúcia não esmoreceu. Mãe de três filhos, precisava trabalhar duro para sustentar a família.  Foi assim que se formou artesã, mesmo sem ter tido base para leitura. Com o tempo, aprimorou sua arte e, ao ingressar no EJA, ganhou mais motivação para tocar a vida. Aos poucos, foi ficando para trás uma história toda pontuada por privações.

“Pegar o ônibus era difícil, eu olhava um filme e não entendia”, relata. “Para mim foi uma grande vitória aprender, porque hoje as pessoas estão falando uma coisa e eu estou sabendo o que elas estão falando. Quantas vezes eu fui passada para trás e não via! Agora, quando eu vou à loja, olho a nota, já olho o meu troco, já vejo, né? Teve um dia em que a guria se enganou, eu fiz ela fazer duas, três vezes a conta, porque estava errada, ela depois pediu desculpas. ”

Isso tudo faz parte de um passado que ela hoje rememora como etapa vencida. Graças a seus esforços, os tempos mudaram para melhor. “A dificuldade vem para tu cresceres, não para te diminuir”, ensina. Essa prática a levou a crescer ao ponto de, na formatura do curso do EJA, ter sido escolhida para oradora da turma. “Cheguei e fiz um discurso que tem tudo a ver comigo. ”

O tempo da dificuldade ficou longe. “Eu era uma pessoa de quem hoje me lembro e não me conheço mais”, resume Lúcia. A lição que ela representa remete à força de vontade: “É a minha humildade e a minha honestidade que me trouxeram até aqui, porque se eu não sei uma coisa e tu disseres assim: ‘Lúcia, você vai ter uma oportunidade na vida de vencer honestamente’, eu vou. Foi isso que aconteceu. ”

Assessoria de Comunicação Social

 

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