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Profissão professor

Histórias de superação e aventuras marcam cotidiano de quem ensina na Amazônia

O profissional da educação é personagem de uma série de reportagens do Portal do MEC. Esta quarta matéria aborda as dificuldades dos professores que levam conhecimento às crianças da Amazônia

  • Quarta-feira, 18 de outubro de 2017, 09h00

Para estar com seus alunos, a professora Silmar de Araújo, de Teixeirópolis (RO), viaja 60 km diariamente, mas ela já fez muito mais que isso (Foto: Arquivo pessoal)
A professora Silmar Rodrigues de Araújo, 50 anos, pode dizer que hoje sua vida está muito mais tranquila do que era há 20 anos, quando começou a dar aulas. Atuando sempre no ensino fundamental, percorre 30 quilômetros entre a sua casa, no município de Ouro Preto do Oeste, e Teixeirópolis, ambos em Rondônia. Ir de carro e gastar cerca de uma hora e meia na ida e o mesmo tempo na volta é moleza, perto do que ela já enfrentou para lecionar.

No início de sua carreira, em 1994, percorria 16 quilômetros a pé para chegar à escola. Do mesmo jeito era a volta. Quatro horas por dia de caminhada, sozinha e pela mata. Um dia deu de cara com uma onça. Para sua sorte, o bicho estava de barriga cheia e não se interessou por ela. Nesse dia, decidiu abandonar a profissão e foi ter com o então secretário municipal de Educação.

Só que ele não aceitou a demissão: não havia quem a substituísse. Comprometida com seus alunos, para quem também tinha que preparar a merenda e limpar a escola, resolveu ficar. Foram mais três anos se aventurando na mata.

Em 1997, mudou de escola e de percurso. Saía às 4 horas da madrugada para pegar carona com o caminhão do leite. Demorava três horas para ir e outras três para voltar para casa. Já na escola onde trabalhou de 1999 até 2011, eram 40 quilômetros de estrada de terra, enfrentando atoleiros na garupa da moto do marido.

Melhorias - Desde o ano passado, Silmar é vice-diretora da Escola Municipal Sebastião Amorim da Silva, no município de Teixeirópolis. Embora ainda tenha que percorrer 60 quilômetros para ir e voltar, poder ir no próprio carro facilitou a vida. Mas quando olha para o passado, garante que faria tudo de novo.

“Tive alunos que hoje são médicos, advogados. Até hoje, quando me encontram, eles me chamam de tia. Imagine se eu tivesse desistido de dar aulas, lá no início? Se eu tivesse deixado pra outra pessoa fazer e eu não tivesse ido naquele momento em que cheguei desesperada e o secretário não aceitou? Será que outra pessoa teria tido coragem? A educação é uma escolha”, ressalta a professora.

Ela lembra também as melhorias no próprio sistema de ensino. “Hoje o Ministério oferece muita formação continuada. Naquela época era tudo mais difícil, até como levar material e merenda para as escolas. Tinha muita carência na educação. Agora, tudo melhorou: estradas, escolas, merenda.”

E a situação promete melhorar ainda mais. No ano passado, o Ministério da Educação liberou R$ 10,5 milhões para o programa Amazônia Conectada, que vai expandir a melhoria das comunicações na região, possibilitando a implantação de internet de banda larga, via fibra ótica, nos leitos dos afluentes da Bacia Amazônica.

Serão beneficiadas 494 escolas em cinco municípios do estado do Amazonas – Coari, Manacapuru, Tefé, Iranduba e Novo Airão. O programa é do Exército Brasileiro e conta com o apoio dos ministérios da Educação, da Defesa e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

“Através dessa infraestrutura, o Ministério da Educação está oferecendo às unidades de Educação Básica daquela região uma conexão de internet de alta velocidade, nas quais poderão viabilizar a sua clientela de docentes e discentes, um alto nível de educação”, enfatizou o secretário de Educação Básica do MEC, Rossieli Soares da Silva.

As unidades de educação terão acesso a rede de dados de alta velocidade e disponibilidade, possibilitando aos seus colaboradores capacitação contínua e acesso à internet, para que realizem pesquisas, acessem conteúdos digitais de qualidade, portais do Ministério da Educação e parceiros.

Indígenas – As comunidades indígenas estão ganhando professores nativos. Dezessete instituições de educação superior oferecem cursos de formação inicial de professores indígenas. O Programa de Apoio à Formação Superior e às Licenciaturas Interculturais (ProLind), criado em 2005, viabiliza a oferta desses cursos em instituições públicas de educação superior. É a primeira iniciativa de inclusão coletiva de indígenas na educação superior. De 2005 a 2017, o Prolind atendeu 4.936 professores indígenas em 21 instituições de educação superior.

O Saberes Indígenas na Escola, que consiste em ação de formação continuada oferecida por 25 instituições de educação superior, já ofereceu 5.240 vagas para professores indígenas que atuam em 309 escolas, de 89 etnias, falantes de 81 línguas, residentes em 293 aldeias, localizadas em 13 territórios etnoeducacionais (regiões culturalmente homogêneas, sem considerar limites estaduais). Já foram certificados 3.386 cursistas e 1.854 estão em fase de conclusão da formação.

“Como parte integrante dessas ações estão a produção e publicação de materiais didáticos e pedagógicos, como livros que contam as histórias de cada povo, sobre as pinturas corporais e seus significados, práticas de alfabetização e letramento e calendários específicos de cada povo, entre outros”, detalha a diretora de políticas de educação do campo, indígena e para as relações étnico-raciais, Rita Potyguara.

Segundo dados do Censo do IBGE 2010, o Brasil tem 896 mil indígenas, distribuídos em 305 etnias e falando 274 línguas. O Censo da Educação Superior de 2015 revela que mais de 32 mil deles estão matriculados no ensino superior em todo o país.

Reportagem: Ana Paula Siqueira
Edição: Alexandre Marino

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