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  • Artigo de bolsista brasileira é destaque em revista científica

    A pesquisadora brasileira Helen Barros publicou artigo na revista Journal of Zoological Systematics and Evolutionary Research, sobre o estudo sistemático das ciências animais ligado à pesquisa evolutiva. O estudo inclui a análise morfométrica de aproximadamente 190 crânios das três espécies de peixe-boi e a descrição do cariótipo.

    Orientada pelo professor doutor Diego Astúa, Helen, ex-bolsista de doutorado-sanduíche da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão vinculado ao Ministério da Educação, desenvolveu o doutorado nos departamentos de Zoologia e de Genética da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em colaboração com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.

    A pesquisadora destaca que o trabalho permitiu à população brasileira de peixe-boi-das-antilhas ser analisada mais adequadamente por meio de abordagens de morfometria geométrica e citogenética, o que ajudou a verificar a diferenciação. “As conclusões alcançadas também mostram que os peixes-bois brasileiros precisam ter as estratégias vigentes de conservação e manejo reavaliadas urgentemente”, afirma. “Outro ponto importante que a pesquisa apoiou foi a decisão de não translocação de peixes-bois do Brasil para a ilha de Guadalupe, no Caribe, reforçando que a população do Brasil é diferente da encontrada no Caribe, o que ocasionaria várias consequências negativas para essa espécie ameaçada.”

    De acordo com o orientador da pesquisa, além de permitir uma melhor compreensão da variação morfológica existente nas espécies atuais de peixe-boi e suas implicações evolutivas, os dados mostram que a população brasileira de peixe-boi-marinho é morfologicamente distinta da população do Caribe. “A magnitude dessa diferença é maior que entre as subespécies de peixe-boi-marinho reconhecidas e até maior que entre algumas espécies reconhecidas”, diz o professor.

    Bolsa — Sobre a experiência no exterior, Helen salienta a importância da bolsa de doutorado-sanduíche. “Durante o período de pesquisa fora do país pude visitar vários museus para registrar os crânios dos táxons de peixes-bois, etapa essencial no estudo”, afirma. “Além disso, pude aprimorar a língua inglesa, conhecer pesquisadores da área, além de vivenciar a rotina acadêmica na Universidade da Flórida como visiting graduate student.”

    De acordo com a bolsista, a próxima etapa da pesquisa pode ser a de registrar mais amostras em outras localidades, para deixar o trabalho mais ajustado, de forma a permitir a continuidade para um enfoque de estudo taxonômico.

    Assessoria de Comunicação Social, com informações da Capes

  • Bolsa de mestrado nos Estados Unidos muda a vida de estudante mineiro

    Amigos em Athens: os ucranianos Mykahylo e Tanya (E), o espanhol Luis (C), Poliana e Bruno (foto: arquivo de Bruno Vieira)Com estudo, esforço e persistência, Bruno Vieira, 23 anos, mudou o rumo da sua vida. Ele é bolsista de mestrado em economia e finanças na Ohio University, dos Estados Unidos, desde setembro de 2009. Uma bolsa do Programa Universidade para Todos (ProUni) no primeiro semestre de 2005 marca o começo dessa trajetória. O estudante faz o master of financial economics, com prioridade em mercados e ativos financeiros.

    “No passado, meu sonho era ser office-boy; ficaria feliz por trabalhar em um escritório, carregar documentos e fazer cópias”, diz Bruno, mineiro de Belo Horizonte. “Hoje, o céu é o limite; em poucos meses, poderei trabalhar em Wall Street, São Paulo ou qualquer centro financeiro do mundo, não fazendo cópias, mas tomando decisões importantes que terão impacto na vida de muitos.”

    A curta trajetória entre a escolha do curso de graduação na Faculdade Minas Gerais (Famig), em 2005, até o mestrado, este ano, é vista pelo estudante não como um salto, mas como uma escadaria com muitos degraus. Ao conseguir a bolsa do ProUni, Bruno não tinha a menor idéia do curso a escolher. Tanto que fez opções para psicologia, engenharia de telecomunicações e administração. Este último foi indicado porque alguns testes vocacionais, feitos pela internet, sinalizavam aptidão para a área. E foi com essa opção que Bruno, aos 17 anos, conseguiu a bolsa integral, em uma universidade que não conhecia. “Escolhi a Famig por ser próxima do metrô”, revela.

    Bruno não sabia o que era um curso superior de administração. Muito menos, sua família. O anúncio da bolsa não entusiasmou pais e irmãos — a família desejava, mesmo, que o filho caçula conseguisse um trabalho. No entanto, desse começo, sem entusiasmo familiar, nasceu a oportunidade, bem aproveitada pelo adolescente. Bruno é casado com Poliana, que cursa contabilidade em Belo Horizonte, com bolsa do ProUni, e trabalha para ajudar o marido a sustentar os estudos em Ohio.

    Mesmo com as dificuldades financeiras, Bruno se considera vitorioso com o que conquistou e com as possibilidades. “Estudo por conta própria, leio, faço cursos, me atualizo e estou nesse mestrado”, destaca. “Faço parte de um seleto grupo que gerencia um portfólio, acima de US$ 1 milhão, para a Universidade de Ohio; sou analista buy side e estou feliz.”

    Ionice Lorenzoni

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  • Bolsista brasileira publica artigo em revista internacional

    A pesquisadora brasileira Bianca Vieira publicou artigo na revista Ibis, the International Journal of Avian Science, que destaca trabalhos inovadores de ornitologia (estudo das aves) ligados a conservação, ecologia, comportamento e sistemática. O trabalho, Using Field Photography to Study Avian Moult, aborda o uso da fotografia de campo no estudo da troca de penas das aves.

    Bolsista de doutorado pleno no exterior pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão vinculado ao Ministério da Educação, Bianca desenvolve o curso no Instituto de Biodiversidade, Saúde Animal e Medicina Comparada da Universidade de Glasgow, Escócia, no Reino Unido, pelo programa Ciência sem Fronteiras.

    O estudo avaliou o uso da fotografia em análises de troca de penas (muda). Periodicamente, as aves trocam as penas, que se desgastam com os voos e a exposição ao sol. “O estudo da muda, historicamente, sempre foi realizado com aves capturadas ou depositadas em museus”, explica Bianca. “Essa limitação tornou o conhecimento sobre o assunto restrito a pesquisadores com acesso a museus ou àqueles com financiamento para a logística de captura das aves, incluídos equipamentos e licenças.”

    Com a confirmação da fotografia como método válido de estudo, a técnica pode agora ser amplamente aplicada por pesquisadores. O estudo das aves por meio das fotos também torna a ciência mais participativa, pois permite a inclusão de mais pessoas nos grupos de estudo.

    De acordo com Bianca, a estrutura oferecida pela Universidade de Glasgow, com o apoio da Capes, permite o avanço em diversos campos das ciências biológicas. “Aves sempre foram usadas como modelos de estudos para o desenvolvimento de teorias importantes que sustentam nossa sociedade”, afirma. “O método de uso sistemático da fotografia para verificar a muda nas aves pode trazer grandes avanços, por ser mais fácil e barato de executar.”

    Com as informações das fotos, a pesquisadora salienta que será possível fazer a estimativa de idade das aves e avaliar fatores como o efeito do estresse sobre o animal durante períodos vulneráveis, padrões de ecologia espacial, critérios de seleção de habitat, evolução, migração e estrutura de voo.

    Assessoria de Comunicação Social, com informações da Capes

  • Bolsista brasileiro nos EUA descobre possível supernova

    Bolsista de graduação-sanduíche nos Estados Unidos pelo programa Ciência sem Fronteiras (CsF), o estudante brasileiro Luís Felipe Longo Micchi fez uma importante descoberta a partir dos trabalhos realizados na Catholic University of America, em Washington. Com a ajuda do telescópio Hubble, ele encontrou uma estrela candidata a supernova perto da galáxia MRK-477.

    Supernovas são corpos celestes surgidos após as explosões de estrelas que tenham mais de dez massas solares. São objetos extremamente brilhantes, cuja luz declina até que eles se tornem invisíveis, em semanas ou meses. Em apenas alguns dias, o brilho pode intensificar-se em um bilhão de vezes, a partir do estado original, e ser comparado ao de uma galáxia.

    Estudante de física na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luís Felipe conta que a descoberta surgiu a partir do envolvimento em uma pesquisa sobre quasares, tipos mais luminosos de galáxia. “Eu estava procurando descobrir mais sobre a morfologia desses objetos, trabalhando com imagens do satélite Hubble”, diz. “Em uma das imagens, a da galáxia MRK-477, apareceu algo diferente de todas as demais, um ponto muito luminoso, tanto quanto a própria galáxia inteira.”

    Ao tratar a imagem, o bolsista chegou à conclusão de que o ponto era algo extra, que não deveria estar ali. “Para provar essa hipótese, peguei uma imagem mais antiga, de 2013, e verifiquei que o objeto realmente não estava lá”, destaca. “Já tendo trabalhado com supernovas, percebi tratar-se de uma. Ou seja, eu estava olhando em primeira mão para uma estrela em explosão.”

    Luís Felipe espera que a descoberta funcione como um incentivo ao desenvolvimento da área no Brasil. “Acredito que o fato de ter mais brasileiros em pesquisas de grupos internacionais traga reconhecimento à ciência brasileira em geral”, afirma. “Essa e outras descobertas, espero, devem incentivar ainda mais pessoas que gostam da área a procurá-la e, com isso, aumentar a produção científica no Brasil.”

    Intercâmbio — Sobre as perspectivas com o Ciência sem Fronteiras, o bolsista afirma que a experiência no exterior traz crescimento pessoal, que acontece naturalmente. “Conheci pessoas do mundo todo, tive contato com culturas diferentes”, diz. “Isso serviu para expandir a perspectiva de vida, é uma coisa que avalio como mudança muito positiva em minha vida.”

    A graduação-sanduíche também possibilitou o aprimoramento de conhecimentos e habilidades. “Uma primeira e mais básica mudança em minha carreira possibilitada pelo Ciência sem Fronteiras foi a proficiência em inglês”, salienta. “Agora, posso dizer com certeza que sou fluente, algo importante em todas as áreas hoje em dia.”

    O intercâmbio também permitiu a Luís Felipe o contato com uma rede de cientistas. “Conhecer diferentes profissionais na mesma área do conhecimento, ver as maneiras que eles têm de entender e pensar a ciência é de vital importância”, afirma. “Isso ficou visível nessa experiência no exterior. Agora, sei que posso ter informações de pesquisadores que antigamente não teria e talvez realizar colaborações futuras.”

    Lançado em 2011, o Ciência sem Fronteiras promove a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. O programa busca também atrair pesquisadores do exterior que queiram se fixar no Brasil ou estabelecer parcerias com pesquisadores brasileiros nas áreas prioritárias definidas no programa, bem como criar oportunidade para que pesquisadores de empresas recebam treinamento especializado no exterior.

    Mais informações no Painel de Controle do Ciência sem Fronteiras.

    Assessoria de Comunicação Social, com informações da Capes

  • Bolsista da Capes participa de artigo destacado em publicação internacional

    Ações de proteção de anfíbios da Mata Atlântica que se encontram fora das unidades de conservação custariam, por ano, cerca de R$ 88 milhões ao governo. A estimativa faz parte de um artigo publicado na revista Science Advances por Felipe Siqueira Campos, bolsista de doutorado pleno na Universidade de Barcelona (Espanha) pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

     “Usando anfíbios como alvo de conservação, realizamos um projeto inovador mostrando que os modelos de priorização focados em diversidade funcional, filogenética e taxonômica podem incluir valores de custo-efetivo de terras”, explica Felipe, que assina o artigo junto aos pesquisadores Ricardo Lourenço de Moraes, do Departamento de Ecologia da Universidade Federal de Goiás (UFG); Mirco Solé, do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Santa Cruz (UescC), e Gustavo A. Llorente, do Departamento de Biologia Evolutiva, Ecologia i Ciències Ambientals da UB.

    O mapeamento apresentado no estudo indica que as áreas consideradas de mais alta prioridade estão principalmente nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo. A Mata Atlântica abriga mais da metade dos anfíbios encontrados no Brasil, mas apenas 12,9% dela está preservada. De acordo com os autores, a principal mensagem do estudo é que os custos econômicos de terra podem servir como um mecanismo eficaz de pagamento por serviços ambientais.

    Experiência– Aprimorar o intercâmbio e a cooperação científica é um destaque da experiência de cursar o doutorado no exterior, afirma Felipe, que, nesse período, já participou de cinco congressos europeus. “Durante os quase quatro anos de estudo fora do Brasil, tenho tido a oportunidade de trabalhar e discutir projetos científicos com grandes pesquisadores renomados que vivem ou estavam de passagem por Barcelona, entre os quais pude compartilhar ideias, realizar cursos científicos e agregar vários conhecimentos relacionados com minha linha de pesquisa”, conta.

    Dentro do Departamento de Biologia Evolutiva, Ecologia e Ciências Ambientais da UB, seu local diário de trabalho, o bolsista brasileiro participa de um grupo de pesquisa em herpetologia liderado pelo Gustavo A. Llorente, referência na área. O ingresso neste coletivo foi fator de aumento da produtividade e de novos trabalhos, afirma Felipe. “Até o momento, já produzimos um material de alta relevância científica”, resume o bolsista.

    Assessoria de Comunicação Social, com informações da Capes

  • Bolsista da Capes publica livro em Portugal sobre comunicação

    A bolsa-sanduíche em Portugal rendeu ao brasileiro Bruno Araújo o livro Diálogos Lusófonos em Comunicação e Política. A publicação, em parceria com os professores Liziane Guazina, da Universidade de Brasília (UnB), e Hélder Prior, da Universidade da Beira Interior, de Portugal, tem como objetivo afirmar os estudos em comunicação e política no âmbito do espaço regional lusófono.

    Araújo é bolsista em curso de doutorado na UnB pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão vinculado ao Ministério da Educação. “Apesar de já termos dado muitos passos nesse sentido, ainda são reduzidos os projetos científicos que apostam nesse tipo de aproximação”, explica Araújo. “Por outro lado, a obra é também uma oportunidade de projeção de vozes críticas que podem estimular espaços de pensamento alternativos aos tradicionais círculos anglo-saxônicos que têm dominado a pesquisa em ambas as áreas. É, por isso, também, um esforço de luta contra-hegemônica e de criação de alternativas.”

    O bolsista da Capes destacou a abordagem interdisciplinar como um dos pontos fortes do trabalho, ao privilegiar pesquisas de natureza comparativa e saberes múltiplos provenientes de diferentes domínios das ciências sociais e humanas. “Compartilho da ideia de que não será possível compreendermos o desempenho dos meios de comunicação e seus impactos sobre a vida social e política sem considerarmos conhecimentos formulados em outras esferas do saber”, diz.

    Estudos — Na UnB, em sua pesquisa de doutorado, Araújo pretende compreender o processo de “mediatização” da corrupção política no Brasil e em Portugal por meio da análise de uma cobertura jornalística específica. Sobre a oportunidade no exterior, o bolsista a analisa como riquíssima, tanto do ponto de vista acadêmico e profissional quanto sob o prisma cultural.

    Nos meses em que esteve em fora, além do trabalho de pesquisa quotidiano, o bolsista também estabeleceu contatos importantes para fortalecer laços em torno de novos projetos de pesquisa que envolvam Brasil e Portugal. “Isso vai diretamente ao encontro dos esforços de internacionalização do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UnB”, afirmou.

    Assessoria de Comunicação Social

  • Bolsista parcial pode utilizar Fies para pagar 50% das mensalidades

    Bolsista parcial pode utilizar Fies para pagar 50% das mensalidadesOs universitários que têm bolsas parciais do Programa Universidade para Todos (ProUni) podem conseguir financiamento para pagar a parte da mensalidade não coberta pela bolsa. O prazo para se inscrever no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), exclusivamente para bolsistas do ProUni, vai até 20 de março.
    Estar matriculado em instituição de ensino superior privada que tenha aderido ao Fies em 2009 e ser bolsista parcial do ProUni são condições básicas para quem deseja obter financiamento estudantil.

    A ficha de inscrição está na página eletrônica da Caixa, instituição que é o agente financeiro do programa. Depois de preencher o documento, o aluno deve imprimi-lo em duas vias e entregá-lo na instituição de ensino superior.

    Para os estudantes dos cursos de licenciatura, normal superior e pedagogia e para as carreiras que integram o catálogo de cursos Superiores de Tecnologia, os juros anuais do Fies são de 3,5%, e para os demais cursos, 6,5% ao ano. Durante o curso, o beneficiário do programa paga uma taxa de R$ 50, a cada três meses, para amortizar os juros.
    Outras providências também devem ser tomadas pelo bolsista parcial do ProUni que vai buscar o financiamento. Ele pode apresentar um ou mais fiadores (com comprovação de renda) ou utilizar a fiança solidária. Na fiança solidária, grupos de três a cinco alunos, matriculados na mesma instituição, tornam-se fiadores uns dos outros, responsabilizando-se pelo pagamento das prestações de todos os participantes do grupo. Na fiança solidária não é exigida a comprovação de renda. Detalhes do processo de inscrição, prazo, fiadores, lista de documentos estão descritos na Portaria nº 3/2009.
  • Bolsista publica artigo sobre melhorias na gestão hospitalar

    Com o objetivo de mapear a gestão de sistemas de informação e tecnologia da informação nos hospitais, o pesquisador brasileiro Antônio José Balloni, que foi bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), fundação vinculada ao Ministério da Educação, desenvolveu artigo científico sobre o tema. Agora, o trabalho está prestes a ser publicado pela revista científica Journal of Systemics, Cybernetics and Informatics (JSCI),disponível no Portal de Periódicos da Capes.

    Balloni, que hoje é pesquisador do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), teve o trabalho aceito para apresentação no congresso The 10th International Multi-Conference on Society, Cybernetics and Informatics, em 2016, nos Estados Unidos. Lá, foi avaliado por seis revisores e considerado entre os 25% melhores do encontro. Pela boa pontuação, seu artigo “An Evaluation of the Management Information System And Technology in Hospitals (GESITI/Hospitals)” foi um dos selecionados para publicação.

    Por meio do mapeamento dos sistemas, o pesquisador foi capaz de gerar um relatório de pesquisa integrado (RPI) para apoio à gestão dos hospitais. “Este é o principal impacto esperado do trabalho”, afirma. “Com a metodologia, o RPI poderá ser utilizado para uma melhoria significativa na tomada de decisão em âmbito nacional na gestão hospitalar. Isso deve refletir em pessoas – equipes e pacientes – mais satisfeitas, em consequência da qualidade do atendimento.”

    De acordo com o cientista, a ferramenta prospectiva é multifocal e os resultados variam conforme a realidade de cada hospital. “Um mega hospital de São Paulo, por exemplo, apresentará resultados centrais diversos de um mega hospital de Campinas. Nesse sentido, podemos afirmar que o gestor público ou privado, com base na metodologia e nos resultados obtidos da análise local da pesquisa, poderá definir com segurança os melhores investimentos para aquela região. Os recursos financeiros devem ser alocados para que todo o sistema de saúde seja beneficiado de forma pragmática e sem redundâncias, de modo integrado e assertivo”, explica.

    Segundo Balloni, a proposta é avançar e produzir um trabalho ainda mais abrangente, com mais participantes do Brasil e do exterior, que contemple análise integrada e comparativa dos resultados obtidos. “É um enorme desafio. Estamos convidando os interessados a nos contatar para saber mais sobre o projeto e aplicarem nossa metodologia. Alguns países, como Eslováquia e Bulgária, já fizeram a aplicação do método”, conta.

    A concepção do projeto teve início em 2009. A metodologia foi finalizada em 2010, quando foi concluída a parte principal do projeto piloto. Os primeiros resultados (relatórios técnico-científicos) foram produzidos e publicados em 2011.

    Trajetória– Balloni foi bolsista da Capes em duas oportunidades. Recebeu apoio para um congresso na Grécia, para apresentação do artigo Brazil of the Future: Strategizing with the Socio-Technical Management Approach, e para o pós-doutorado nos Estados Unidos, no Departamento de Políticas Públicas. “O pós-doutorado também gerou um artigo científico que está em avaliação e, se aceito, será quebra de paradigma e poderá ser utilizado em todas as áreas da ciência, em gestão de projetos e outros. As experiências como bolsista da Capes foram extremamente enriquecedoras”, avalia.

    Periódico –A revista científica JSCI, que vai publicar o trabalho de Balloni no volume 15, número 1, ano 2017, está disponível para acesso pela comunidade acadêmica brasileira no Portal de Periódicos da Capes. A publicação internacional é revisada por pesquisadores e cientistas e é voltada à área de sistemas e tecnologias de informação e assuntos relacionados. Para acessar, é necessário entrar na opção de pesquisa Buscar Periódico.

    Assessoria de Comunicação Social, com informações da Capes 

  • Bolsista representa país em jornada europeia de línguas

    A estudante brasileira Marcela Magalhães de Paula ministrou conferência, como representante da língua portuguesa, na Jornada Europeia das Línguas, na Universidade La Tuscia, em Viterbo, Itália, em setembro de 2015. Bolsista de pós-doutorado da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), Marcela foi indicada pelo Departamento de Promoção da Língua Portuguesa (DPLP) do Ministério das Relações Exteriores.

    O evento é realizado desde 2001, quando a União Europeia declarou a data de 26 de setembro como Dia Europeu das Línguas. “Trata-se de um dia para celebrar a diversidade linguística, o multilinguismo e a aprendizagem de línguas ao longo da vida dos estudantes e cidadãos europeus”, diz Marcela. “É uma iniciativa do Conselho Europeu e da União Europeia destinada a jovens e idosos, que são convidados a descobrir uma nova língua ou a aprender as competências linguísticas já adquiridas, como também para os professores e educadores, que são, assim, estimulados a elaborar estratégias para facilitar a aprendizagem de línguas e apoiar programas destinados a promover a língua.”

    O tema proposto na conferência foi o Tropicalismo e o Modernismo Brasileiro. “Fui chamada para representar a língua portuguesa, vertente brasileira, por meio de uma conferência, A Língua Portuguesa, o Modernismo Brasileiro e o Tropicalismo”, afirma. “A participação foi muito importante, pois rendeu um convite formal de intercâmbio direto entre os professores, alunos do mestrado na Unilab e o Departamento de Letras da Universidade La Tuscia.”

    A partir da conferência, surgiu convite da Embaixada do Brasil em Roma para Marcela desenvolver projeto-piloto, para o Departamento de Promoção da Língua Portuguesa (DPLP) do Ministério das Relações Exteriores, de elaboração e desenvolvimento de cursos on-line de português como língua estrangeira. “Em futuro próximo, pode beneficiar quem pretende aprender ou aperfeiçoar o idioma português em todas as partes do mundo”, diz a bolsista. “Inclusive alunos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).”

    Marcela foi convidada também a compor equipe de investigadores do projeto A Nona Ilha, em Portugal. “A proposta tem como objetivo coletar histórias de vida de imigrantes de Portugal e descendentes para a constituição de um corpus oral e publicação de obras teóricas em ciências sociais e humanas relacionadas ao tema”, diz a bolsista.

    Fórum — A Unilab integrará a comissão para a organização do próximo Fórum Internacional Interdisciplinar sobre As Novas Formas de Escravidão, a ser realizado em Bolonha, Itália, em 13 de maio próximo. “Vale lembrar que Redenção, uma das sedes da Unilab, foi a primeira cidade brasileira a libertar os escravos”, diz Marcela. “Coincidentemente, em 1256, Bolonha foi a primeira cidade do mundo a abolir a escravidão, ao promulgar o Liber Paradisus, texto legislativo que libertou então todos os servos.”

    A bolsista acredita que o trabalho realizado pode ter repercussão na realidade brasileira. “Minha pesquisa ajuda a pensar de que forma a violência racial se manifesta nos indivíduos, em dois aspectos ligados à linguística: cognitivo e social”, afirma. “É um tema atual e sempre em debate, principalmente na Unilab.”

    Assessoria de Comunicação Social, com informações da Capes

  • Emprego, estudos e tempo até para trabalho como voluntário

    Matriculado na Faculdade Minas Gerais (Famig), em 2005, Bruno Vieira avalia como médio o desempenho no primeiro semestre. Ele conseguiu um estágio das 8h às 18h, com salário de R$ 300 e vale-transporte. “Um rio de dinheiro para mim”, diz. O pai ganhava R$ 500 e ele, aos 17 anos, R$ 300. Além disso, cursava o ensino superior. “Era um sonho.”

    Na faculdade, o bolsista do ProUni conheceu administradores, advogados e professores e viu que o estudo poderia significar sucesso. No segundo semestre, foi o primeiro aluno da turma e se apaixonou pelo curso. “Estudava de madrugada, no ônibus, no intervalo do trabalho”, lembra.

    A motivação era tanta que arrumou tempo entre o trabalho e os estudos para ser voluntário. Uma vez por semana, saía de casa às 5h15 para ensinar princípios de administração e economia aos alunos de uma escola pública. Só depois ia para o trabalho.

    Em 2006, no terceiro semestre do curso, conseguiu transferência para o Centro Universitário Una, instituição de ensino com tradição em administração de empresas e intercâmbio com universidades de outros países. Ao mesmo tempo, procurou um curso intensivo de inglês. Pensando no futuro, começou investir parte do salário em ações. Já vislumbrara a oportunidade de estudar fora do Brasil.

    Em janeiro de 2007, seis meses depois de começar a fazer o curso de inglês, arriscou-se em uma seleção de jovens para trabalhar na Disneylândia por curto período. Aprovado, no fim do mesmo ano ele deixou um estágio na empresa mineradora Vale para vender produtos na Disney durante três meses só para treinar conversação em língua inglesa. “Não entendia direito o que eles diziam, mas conseguia me virar com as vendas”, garante.

    No primeiro semestre de 2008, o estudante concluiu o curso de administração como primeiro colocado. A nova meta era o mestrado nos Estados Unidos. Em 2009, inscreveu-se para a seleção e obteve o primeiro lugar entre os alunos do Una para o curso master business administration (MBA) — mestre em administração de negócios — na Ohio University. Em agosto de 2009, casou-se com Poliana e seguiu para os Estados Unidos.

    Ionice Lorenzoni

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  • Estudante do Tocantins recebe prêmio de universidade irlandesa

    O estudante brasileiro Allan Valentim Melo de Souza, selecionado para bolsa de 14 meses na Universidade Nacional da Irlanda, Galway, recebeu o prêmio de Embaixador Internacional Estudantil, como reconhecimento pelas atividades de disseminação de experiências de alunos estrangeiros naquele país. A premiação é entregue a estudantes que se destacaram pela contribuição em atrair colegas estrangeiros para estudar naquele país do oeste da Europa.

    Allan, que faz o curso de engenharia de minas, é um dos 170 bolsistas do Tocantins a participar do programa Ciência sem Fronteiras (CsF). O estudante recebeu a premiação no fim do primeiro semestre letivo deste ano, na casa oficial de encontros e eventos do governo irlandês, a Farmleigh House. Ele e os demais embaixadores receberam certificados, entregues pela ministra de Educação da Irlanda, Jan O' Sullivan. “Foi um dia memorável e uma experiência incrível”, disse.

    Allan é um dos quatro estudantes do Centro Universitário Luterano de Palmas (Ceulp) selecionados para o Ciência sem Fronteiras. “Sempre tive o sonho de viajar para o exterior e de fazer intercâmbio fora do Brasil”, disse. “Eu já estava estudando inglês e aproveitei a oportunidade para intensificar os estudos e manter bom nível na universidade.”

    Além dos 12 meses como estudante da universidade irlandesa, Allan também pôde realizar naquela instituição, por dois meses, estágio no Departamento de Ciências da Terra e dos Oceanos. O trabalho foi realizado no Laboratório do Grupo de Estudos em Inclusões Geofluidas, sob orientação da pesquisadora Alessandra Costanzo. “No projeto, estudava inclusões fluidas em rochas e gemas do Malaui, na África”, afirmou. “Foi um período de muito aprendizado e de oportunidade.”

    Retorno — De volta ao Brasil, o estudante pretende retribuir o investimento em sua formação. “Uma das maiores contribuições pode ser implementada em minha universidade: aprimorar a cooperação internacional para desenvolvimento de projetos e aperfeiçoamento dos já existentes”, disse.

    Allan revela que a bagagem intelectual e cultural adquirida ao longo do período de intercâmbio em Galway mudou sua visão de mundo e o levou a valorizar o que o Brasil tem de bom. “Ao mesmo tempo, aumentou meu senso crítico com relação a diversos assuntos, além de ampliar a vontade de mudança e de contribuir com o desenvolvimento da sociedade e do país”, afirmou.

    Programa — Lançado em 2011, o Ciência sem Fronteiras promove a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. O programa busca também atrair pesquisadores do exterior que queiram se fixar no Brasil ou estabelecer parcerias com pesquisadores brasileiros nas áreas prioritárias definidas no programa, bem como criar oportunidade para que pesquisadores de empresas recebam treinamento especializado no exterior.

    Mais informações no Painel de Controle do Ciência sem Fronteiras.

    Assessoria de Comunicação Social, com informações da Capes

     

  • Ex-bolsista cria impressora 3D em universidade do Nordeste

    O estudante João Victor Araújo Tavares projetou, como conclusão do curso de engenharia mecatrônica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), uma impressora 3D, usada na fabricação de protótipos. O trabalho, realizado em agosto de 2015, foi influenciado pela experiência de João no Reino Unido, de janeiro de 2014 a janeiro de 2015, na University of Derby.

    Ex-bolsista do Programa Ciência sem Fronteiras (CsF), o estudante fez a graduação-sanduíche no curso de engenharia automotiva. “Apesar de cursar mecatrônica no Brasil, decidi ampliar os conhecimentos em uma área específica do meu campo de atuação”, diz. João destaca as diferenças entre a didática encontrada na Inglaterra e no Brasil. “Tínhamos muito mais facilidades em questões teóricas e de matemática, enquanto os alunos estrangeiros sabiam muito mais de questões práticas relacionadas à engenharia”, afirma.

    A quantidade de aulas por semana também foi notada. “Cursarmos apenas três disciplinas por semestre, enquanto no Brasil fazíamos de seis a oito”, observa. “Isso possibilitou um maior tempo de estudo individualizado e permitiu que eu executasse as tarefas de cada disciplina com muito mais foco e planejamento.”

    Estágio – A possibilidade de realizar um estágio em uma empresa de tecnologia do Reino Unido foi uma das principais fontes de inspiração para o trabalho de conclusão de curso do estudante. “O estágio foi feito na empresa TDI Derby [Transmission and Distribution Innovations], onde aprendi detalhes importantes na fabricação de produtos e na confecção de projetos em geral, o que despertou meu espírito empreendedor”, diz. “Realmente, senti que meu trabalho foi importante para a empresa e me senti motivado a fazer mais.”

    O estágio ajudou o estudante a compreender as etapas de construção de um produto, e assim surgiu a ideia do desenvolvimento da impressora 3D. Como o trabalho foi bem aceito pelos professores, o projeto está na fase de pré-incubação no Instituto Metrópole Digital da UFRN.

    Os ganhos, segundo o ex-bolsista, são de toda a sociedade brasileira. "Posso afirmar, com certeza, que o programa contribuiu para minha formação acadêmica, de tal forma que me possibilitou ter ideias para tentar desenvolver a produção industrial da minha região”, afirma.

    Programa – Lançado em 2011, o Ciência sem Fronteiras promove a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. O programa busca também atrair pesquisadores do exterior que queiram se fixar no Brasil ou estabelecer parcerias com pesquisadores brasileiros nas áreas prioritárias definidas no programa, bem como criar oportunidade para que pesquisadores de empresas recebam treinamento especializado no exterior.

    Mais informações no Painel de Controle do Ciência sem Fronteiras.

    Assessoria de Comunicação Social, com informações da Capes

     

  • Na busca do título, desafios, apertos financeiros e amigos

    A bolsa de Bruno Vieira na Ohio University é de US$ 38,5 mil para aproximadamente dois anos de mestrado. Esse valor, no entanto, não cobre todas as despesas com taxas de matrícula, moradia, alimentação, livros, impressão de textos, seguro de saúde.

    Na cidade de Athens, Ohio, a vida do estudante é cheia de desafios, mas também de solidariedade. Amigos conquistados por lá ajudam Bruno e Poliana com roupas, calçados, alimentos, dinheiro. O casal “garimpou” cama, sofá, cadeira e mesa nas lixeiras da cidade e montou apartamento.

    Isso, no entanto, não foi suficiente. Poliana voltou ao Brasil em março último. Em Belo Horizonte, onde mora com os pais de Bruno, ela estuda e trabalha para ajudar no custeio do curso do marido. Nos Estados Unidos, Bruno busca de oportunidades de trabalho. Este ano, por exemplo, ganhou US$ 500 para participar de pesquisa sobre o impacto causado pela imobilidade do braço esquerdo sem trauma. Mesmo com prejuízos na execução de tarefas causados pela limitação, o estudante imobilizou o braço durante quatro semanas. O fato de a bolsa universitária não cobrir custos básicos de manutenção é, segundo Bruno, sua maior dificuldade nos EUA. Apesar disso, ele diz que vive bem em Athens.

    Na universidade norte-americana, o respeito dos alunos com os professores surpreende o estudante brasileiro. “Os professores são realmente valorizados em suas áreas de conhecimento”, afirma. Outra surpresa é a exigência de dedicação aos estudos. “Somos proibidos de trabalhar mais de 20 horas por semana”, explica.

    Acostumado, no Brasil, a trabalhar oito horas diárias e estudar à noite, Bruno conta que as barreiras iniciais foram o intenso ritmo de estudo e a língua inglesa. “Foi um grande desafio escrever uma pesquisa de 17 páginas e ler uma obra de 700 páginas no primeiro semestre do curso”, diz. “Felizmente, com dedicação, alcancei ritmo de estudo e o domínio da língua.”

    Bruno fez amigos na universidade, como Mykahylo e Tanya, da Ucrânia, e Luis, da Espanha. Neste fim de ano, ele passa férias em Belo Horizonte, na primeira visita à família desde que começou o curso de mestrado, em setembro de 2009. Em janeiro, o bolsista do ProUni volta a Athens para terminar o curso, com previsão de obtenção do título em junho.

    Ionice Lorenzoni

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  • Pesquisador brasileiro publica artigo sobre tumores cerebrais

    O pesquisador brasileiro Raul Bardini Bressan teve artigo publicado no renomado periódico científico on-line Development. Bolsista de doutorado pleno no exterior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), vinculada ao Ministério da Educação, Bressan descreve, no artigo, a implementação de tecnologia específica para edição genômica de células-tronco neurais e o uso desse método para estudos de tumores cerebrais.

     No projeto de doutorado, na Universidade de Edimburgo, Escócia, Bressan investiga o papel de determinadas mutações genéticas em tumores cerebrais. “Meu foco específico é um tipo de tumor altamente agressivo e letal, que afeta crianças e jovens por volta de 5 a 15 anos de idade, chamado glioblastoma pediátrico”, explica. “Até o momento, não existem terapias eficazes para tratar esse tipo de tumor, e a maior dificuldade para o estudo da doença é a falta de modelos experimentais.”

    A publicação, de acordo com Bressan, tem como principal objetivo estabelecer uma tecnologia conhecida como Crispr/Cas9 para engenharia genômica de células-tronco neurais. “Tais células, durante o desenvolvimento, dão origem ao nosso sistema nervoso central, mas em alguns casos são responsáveis também pela formação de tumores cerebrais”, afirma. “As técnicas que desenvolvemos nos permitem agora inserir mutações no DNA dessas células e recriar no laboratório esse tipo de tumor.”

    O pesquisador salienta que dessa forma é possível entender melhor o papel de cada uma das mutações gênicas. “Bem como desenvolver e testar drogas que possam ser mais eficazes para o tratamento da doença, que é o objetivo do meu último ano de pesquisa de doutorado”, diz.

    O artigo descreve métodos úteis e eficientes para o estudo de células-tronco neurais e que podem ser implementados por diversos laboratórios, mesmo aqueles com recursos limitados e sem acesso a equipamentos de alta tecnologia. “Tais métodos podem ser aplicados não apenas para o estudo de tumores cerebrais, mas de diversas outras doenças que afetam o desenvolvimento do sistema nervoso central, tal como a microcefalia causada pelo zika vírus”, diz Bressan. “Nesse caso, as técnicas que desenvolvemos podem ser usadas, por exemplo, para entender melhor as causas da microcefalia, bem como para desenvolver formas de atenuar ou reverter os efeitos da infecção viral.”

    Bressan admite que o curso de doutorado no exterior tem proporcionado aprendizagem e crescimento como cientista. O Centro de Medicina Regenerativa da Universidade de Edimburgo é uma referência mundial e conta com vários cientistas renomados na área de pesquisa com células-tronco. “Tenho a oportunidade aprender e colaborar com profissionais altamente capacitados, o que certamente se reflete na qualidade do artigo e no projeto que venho desenvolvendo”, destaca. “Espero em breve poder retribuir os investimentos do programa Ciência sem Fronteiras e usar esse conhecimento e a rede de contato adquiridos para contribuir com o desenvolvimento científico do Brasil.”

    O artigo, de livre acesso, está disponível na página on-line da Development.

    Assessoria de Comunicação Social, com informações da Capes

  • Professora bolsista fica entre os 50 melhores docentes do mundo

    Docente há 14 anos na rede pública de ensino de São Paulo, Débora Garofalo é finalista do prêmio internacional Global Teacher Prize. Ela é bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), autarquia vinculada ao Ministério da Educação, e é a primeira brasileira entre os 50 melhores professores do mundo. Atualmente, a premiação alcança professores de 120 países e a cerimônia de entrega ocorrerá em Dubai, nos Emirados Árabes, no mês de março.

    Para investigar as práticas de letramento na sala de aula de maneira convencional e na Web, com foco na pesquisa sobre quais aspectos o ambiente escolar forma alunos leitores, Débora busca no mestrado a mudança de um paradigma no ensino-aprendizagem de leitura. A professora explica ser importante que os alunos, principalmente de educação básica, consigam ler e compreender os textos de forma autônoma. “O método predominante nas escolas é a prática monológica de leitura, algo que perdeu efetividade com a chegada dos avanços tecnológicos”, ressalta Débora.

    No seu entendimento, é necessário considerar não apenas enunciados de textos e compreensões parciais, mas também os leitores, suas vozes e, sobretudo, que essa prática possa ser dialógica. “Temos estimativas sobre a crise da aprendizagem pelo Banco Mundial com dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) que relatam estas dificuldades, além da falta de interesse e comprometimento com seus estudos. Por isso, é essencial rever as práticas e o fazer pedagógico em busca de um ambiente escolar significativo e envolvente”, afirma a professora.

    Débora foi indicada ao prêmio pelo trabalho desenvolvido com os alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Almirante Ary Palmeiras, em São Paulo, onde – de forma interdisciplinar – trabalhou o incentivo à leitura (gêneros digitais e animações em stop motion). No projeto, a professora também usou programação e robótica com sucata, ação que retirou mais de uma tonelada de lixo das ruas da cidade. Segundo Débora Garofalo, a inovação, criatividade, inventividade, pensamento crítico e científico foram explorados, com aumento das notas dos alunos e diminuição da evasão escolar.

    Prêmio – O Global Teacher Prize é um prêmio anual promovido pela Fundação Varkey – instituição inglesa, com sede em Londres, dedicada a melhorar os padrões de educação para crianças carentes – que gratifica com US$ 1 milhão o trabalho do professor que contribuiu de forma relevante para a melhoria da educação.

    Assessoria de Comunicação Social.

  • Surgimento do programa ajuda a concretizar um novo sonho

    Mais jovem de cinco irmãos, Bruno Vieira aprendeu a ler e a fazer contas com o pai, antes de ir para a escola. Com esses ensinamentos, pôde fazer o pré-escolar em um ano — seriam três — e ingressar no ensino fundamental. Os pais de Bruno não completaram o ensino médio. Ele é o primeiro integrante da família a chegar à educação superior depois de cursar a educação básica em escolas públicas.

    Em uma autoavaliação, Bruno diz que foi bom aluno até a oitava série do ensino fundamental, mas admite ter perdido o interesse pelos estudos no ensino médio. “Não via sentido”, alega.

    Poliana, então sua namorada, o ajudou a mudar o curso da história. Em 2004, ela sugeriu a Bruno que fizesse o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Ele estudou e foi bem nas provas, embora sem saber exatamente como o Enem poderia ser útil, uma vez que ninguém na família tinha estudado além do ensino médio. O pai, hoje com 69 anos, foi motorista de caminhão e operador em uma fábrica de papelão. É aposentado, mas trabalha como catador de garrafas para complementar o orçamento da família. A mãe, 57 anos, cuida da casa e de netos.

    Apesar das dúvidas, a insistência de Poliana e as boas notas no Enem abriram as portas da universidade para Bruno. O ProUni, implantado no primeiro semestre de 2005, concretizou o sonho.

    Ionice Lorenzoni

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