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  • Professor desenvolve projeto que ajuda a mudar perfil de escola no interior de SP


    O professor Diego Mahfouz Faria Lima, da rede municipal de ensino do município de São José Rio Preto (SP), finalista do Global Teacher Prize, mudou a realidade da Escola Municipal Darcy Ribeiro, no estado de São Paulo. Como diretor da instituição de ensino, ele realizou um trabalho de aproximação entre escola, alunos e comunidade, dando voz às partes e revertendo um quadro de indisciplina, bagunça e violência.

     O projeto que levou Diego à indicação foi o Minha escola: Reconstrução coletiva, que reduziu os altos índices de criminalidade e evasão que a escola registrava. Ele recorda que as diretoras que o antecederam não aguentaram os atos de indisciplina e selvageria dos estudantes e foram se afastando. Com isso, buscando resgatar a identidade da escola, ele foi promovido de professor a diretor, em janeiro de 2015.

    Antes de ser agraciado como um dos melhores educadores do mundo, o professor de 30 anos vivenciou momentos de terror na Darcy Ribeiro. “Quando assumi a escola, peguei o microfone e disse: ‘Pessoal, pra começar eu não vou embora, vim pra ficar e quero ouvir vocês’. Aí passei o microfone a eles e falaram o que achavam da escola, que tudo era punição, suspensão, que ela era feia, que eles não eram ouvidos. Assim consegui ganhar os alunos”, contou.

    Diego e sua equipe começaram, então, a promover atividades culturais, esportivas e de lazer para toda a comunidade, inclusive nos finais de semana. Mas, o mais importante para o sucesso, segundo o professor, foi dar a voz aos alunos. “Toda a mudança que realizamos fez com que a comunidade abraçasse a escola e a ajudasse a tomar conta desse espaço, que não é somente dos alunos”, destacou.

    Como exemplo da experiência, ele explicou que atrás da escola havia duas áreas nas quais foram detectados pontos de tráfico intenso de drogas. A parede, revelou, parecia um queijo de tanto buraco para esconder os entorpecentes. O local foi revitalizado e, com ajuda da comunidade, surgiu uma praça de leitura coletiva.

    Outra conquista foi a implantação de uma caixa de sugestões em que as contribuições são lidas uma vez por mês e a solução é buscada em conjunto. A união deu certo e a transformação fez com que, além da grande redução de violência entre os alunos, a evasão escolar na escola Darcy Ribeiro despencasse de 202 estudantes para apenas dois em 2017.

    Diego diz ter iniciado no magistério “por acaso” e, 12 anos depois da primeira aula, já havia concluído três pós-graduações. Sobre o ingresso no quadro de servidores públicos de São José do Rio Preto, ele explicou que a atração por uma bolsa com o valor de um salário mínimo para quem passasse no concurso foi o que despertou seu interesse em fazer a prova do magistério.

    “Eu não tinha pretensão nenhuma de ser professor. Uma amiga minha falou que ia fazer a inscrição para um concurso e me perguntou se eu queira acompanhá-la até o local. Chegando lá, eu ouvi ela falando que quem passasse ganharia uma bolsa de um salário mínimo. Achei interessante, me inscrevi e acabei passando”, lembrou.

    A premiação, realizada em Dubai (Emirados Árabes Unidos) no último dia 18, consagrou a britânica Andria Zafirakou como a grande vencedora. Mesmo sem ter trazido para o Brasil o título de melhor educador do mundo, Diego Mahfouz se destacou por ter apresentado o êxito da experiência em uma premiação de nível mundial.

    Vencedora - A britânica Andria Zafirakou, que além do título de melhor educadora do mundo levou para casa US$ 1 milhão, é formada em arte de design pela University College of London. Ela leciona em uma escola secundária no distrito de Brent, nos arredores de Londres, região com um elevado índice de imigração e com a segunda maior população de negros, asiáticos e outros grupos étnicos da Inglaterra.

    Prêmio – O Global Teacher Prize é um prêmio internacional, considerado o Nobel da Educação, e concedido pela Varkey Foundation, uma organização sem fins lucrativos criada para promover a educação. Na edição 2018, o Brasil foi representado por dois participantes entre os 50 indicados, com Diego sendo selecionado entre os dez finalistas. Ao todo, a competição contou com mais de 30 mil inscritos de 173 países.

    Assessoria de Comunicação Social

  • Professores de escola no Espírito Santo ajudam a promover a cultura africana

    Uma unidade de ensino da rede pública de Vitória (ES) desenvolveu um projeto para crianças de cinco e seis anos, com o envolvimento dos pais, a fim de valorizar a cultura africana – uma das origens do povo capixaba – e trabalhar o aprendizado sobre discriminação e bullying. Esta é a história em destaque do programa Trilhas da Educação, produzido e transmitido pela Rádio MEC, cuja edição vai ao ar nesta sexta-feira, 30.

    O projeto Penso, logo respeito surgiu no Centro de Educação Infantil Tomaz Tommasi, quando as professoras Lívia Costa Araújo e Rosileia Soares perceberam o desinteresse das crianças pelos personagens negros que apareciam como protagonistas nas histórias contadas em sala de aula. A negação e a falta do sentimento de pertencimento dos alunos negros, por medo do bullying – conforme foi comprovado mais tarde –, também preocupou as educadoras.

    “Quando a gente começou a passar os vídeos, mostrando às crianças o continente africano, mostrando outras crianças, elas começaram a ter uma reação negativa”, conta Lívia. “Começaram a dizer que tinham nojo, que achavam as crianças feias, que não se sentiam representados – sendo que a maioria dos nossos alunos é negra. Ficamos muito preocupadas ao ver essa interpretação das crianças”.

    Trabalho conjunto – Juntamente com a equipe pedagógica da escola, as educadoras bolaram o projeto Penso, logo respeito, que tem promovido atividades com foco no ensino sobre as diferentes culturas. As lições alcançaram também as famílias, o que, segundo a professora Lívia, foi fundamental para o maior envolvimento dos pequenos. “Nós enviamos um questionário para famílias perguntando o que eles conheciam da cultura negra, o que eles sabiam, quantos negros havia na família. E aí o questionário veio exatamente parecido com a reação das crianças, uma negação muito grande, muitas famílias não se declarando negras ou dizendo que desconhecem a questão da cultura africana.”

    A maneira encontrada pela escola para educar e informar foi a vivência das demais culturas na prática. “Nós conseguimos um professor de capoeira voluntário, e pedimos aos pais autorização para que os alunos participassem da capoeira”, relata a professora. “Então, alguns pais vieram aqui dizendo que não permitiriam que os filhos participassem porque era uma dança, uma cultura ‘voltada para santo’, ‘voltada para o diabo’, todo esse contexto que a gente sabe que é preconceituoso e cheio de falta de informação.”

    A rotina nas salas de aula mudou completamente e as atividades animaram o grupo dentro do projeto. Em uma das iniciativas, os pequenos se vestiram como guerreiros de tribos africanas ou como princesas, com direito a adornos e roupas típicas.

    Para a professora Rosileia Soares, o conhecimento a respeito da cultura tem sido levado para a vida desses alunos. “Alguns pais perguntaram sobre do projeto”, lembra. “Disseram que era bom a gente falar sobre isso porque muitas vezes eles não sabiam como conversar com as crianças sobre o assunto. Quando a gente trabalha isso com as crianças, desde pequenas, elas levam para a vida delas, para o futuro delas, um conhecimento de mundo, um conhecimento da sua identidade muito grande.”

    Resultados – Para Rosileia, o projeto Penso, logo respeito apresentou resultados excelentes entre as crianças, tanto no comportamento quanto na consciência de pertencimento de suas origens. “A gente via as crianças de cabelos crespos indo para o banheiro molhar os cabelos para ficarem lisos. Hoje em dia a gente não vê isso. Vê, sim, elas pegarem esse cabelo e eriçarem ainda mais, e se sentindo bem com isso. Quando eu comecei o projeto eu perguntei ‘quem é negro aqui na sala?’, nenhum deles se manifestou. Hoje, quando faço essa pergunta, vários alunos levantam a mão, até os branquinhos. Então, isso é uma vitória muito grande para a gente.”

    A ideia, agora, é estender o projeto para toda a escola. “A gente sabe que é uma luta diária”, destaca Rosileia. “Todos os dias a gente vai desmitificando uma coisa, construindo outras, reconstruindo, ressignificando. A intenção do projeto é continuar. Nosso objetivo é que ele se torne uma referência na educação infantil, e temos batalhado para isso.”

    Assessoria de Comunicação Social

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