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  • A rotina dos alunos do Centro de Ensino Médio 1 de Brazlândia, no Distrito Federal, é uma verdadeira maratona do conhecimento. São aulas regulares, plantões de dúvidas, oficinas de redação e dedicação integral dos participantes. Toda a comunidade escolar está em torno de um objetivo comum: o acesso à educação superior. A realidade dessa instituição é o tema de Educação no Ar, programa produzido pela TV MEC e exibido às 9h50 pela NBR.

    Para além do conteúdo regular, o Centro de Ensino Médio 1 investe na autoestima dos estudantes. Com esse empenho e os diferenciais, a escola, que é da rede pública, tem contabilizado muitas aprovações na Universidade de Brasília (UnB) – só no início deste ano, foram 60.

    “Muitos alunos vinham conversar comigo, traziam situações, e eu ia respondendo a um por um”, conta o professor Diego Martins. “Eu costumava sempre deixar meu período da tarde, horário de coordenação, para atender aos alunos. Alguns faziam cursinho e vinham aqui perguntar. Então, é sempre trazendo, e sempre incentivando. ”

    Assim como Diego, os demais professores estão sempre se atualizando para oferecer a melhor formação aos jovens. Com isso, a qualidade do ensino se aprimora. “Eu falo com toda a propriedade: a aula que dou para esses meninos aqui vai ser a mesma seu for lecionar num cursinho ou numa escola particular, pois que eles merecem”, afirma a professora Waleska Carvalho.

    Projetos – O diretor da escola, Vinícius Ribeiro, explica que os bons resultados se devem a vários projetos implantados ao mesmo tempo. Os alunos têm aulas semanais de matemática, química, física e biologia e, a cada 15 dias, os professores frequentam aulas experimentais. Também foi implantado o sistema de cadernos por áreas: humanas, exatas e códigos.

    “Quando fazemos esses cadernos, selecionamos as questões similares a provas de vestibulares e ao Enem [Exame Nacional do Ensino Médio]”, conta Vinícius. “Durante os três anos, o aluno entra no ritmo. Quando vai fazer a prova [do vestibular], já tem certa experiência”.

    O diretor reforça que a escola sempre alcançou bons índices de aprovação em vestibulares, situação que melhorou com instituição de cotas para estudantes de escola pública. Em 2016, foram aprovados 15 alunos em primeira chamada, em um total de 24 ao longo do ano. Em 2017, 23 alunos em primeira chamada e 60, no total, conquistaram uma vaga na universidade.

    “Se tem algum tempo ocioso, a gente está sempre tentando implantar um novo projeto para tentar melhorar a cada vez, porque, além de aprovar no vestibular, a escola tem função social”, ressalta Vinícius. “A gente vai ensinar para o aluno o que é cidadania. É preciso mostrar o dia a dia da sociedade para o aluno.”

    O perfil dos estudantes é bastante diversificado, variando de filhos de comerciantes a servidores públicos e produtores rurais familiares, já que a cidade tem grande parte localizada em área rural. Muitos deles não conseguiam sequer se imaginar no universo do ensino superior, como relata Lamara Gabriela, aprovada em agronomia: “Eu praticamente vivia aqui dentro, vivia na escola. Eu tinha duas casas, a minha e a escola. Foi uma luta que eu achei que não ia conseguir vencer, porque a gente nunca acha que vai passar na UnB. ”

    Assim como Lamara, vários outros estudantes se dedicaram à causa e, com o reforço dos professores, venceram essa limitação. Nada disso seria possível, garante o diretor, sem o apoio da comunidade escolar. “Todo mundo gosta muito da escola e luta por ela”, conclui. O que não falta, enfim, é interação entre estudantes e professores. E isso faz a diferença.

    Confira aqui mais horários para assistir ao programa Educação no Ar.

    Assessoria de Comunicação Social

  • Valorizar as características físicas individuais e melhorar a autoestima dos estudantes a partir do conhecimento e reconhecimento das raízes culturais africanas é a proposta contida em projeto da professora Márcia Maria da Cunha. O trabalho, desenvolvido com turmas de educação infantil da Escola Municipal Santa Maria, em Camaragibe, município da região metropolitana de Recife, foi inspirado na observação de que o cabelo de sua sobrinha era visto e tratado como um cabelo “rebelde”, que deveria permanecer preso. Isso acontecia também com outras crianças de cabelos crespos ou cacheados.

    O projeto Construindo Caminhos: Identidade e Autoestima nos Fios do Cabelo foi um dos vencedores da sétima edição do Prêmio Professores do Brasil, na Categoria Temas Livres, subcategoria Educação Infantil. “A premiação representa o reconhecimento e a valorização do trabalho como professora”, diz Márcia. “Um dos benefícios é o de mostrar que o professor da escola pública é competente e tem um olhar sensível, mais próximo das questões sociais do Brasil.”

    De acordo com a professora, o educador pode e deve promover experiências e vivências significativas. “É nas primeiras idades que a criança começa a formar as bases psicológicas, valores e relações morais e sociais entre outros pilares do ser”, afirma. Ela condena a “influência do belo”, que chega às crianças de forma direta ou indireta pelos meios de comunicação de massa e as leva a buscar um padrão de beleza quase único, massificado no cabelo liso. Muitas vezes, isso ocasiona descontentamento com as características físicas individuais e a baixa autoestima, dentre outros transtornos.

    Desenvolvido no primeiro semestre deste ano, com aulas expositivas, apreciações visuais, audições, práticas artísticas e jogos, o projeto resultou em mudanças de comportamento e atitude dos estudantes. Posto em prática durante as aulas semanais de arte-educação, teve início com aula sobre o elemento linha. Após sondagem inicial sobre o que os estudantes conheciam como linha, a professora mostrou retas e curvas e repassou noções de espessura, com representações gráficas.

    Fios — O segundo passo foi a identificação da linha no corpo humano, a partir de uma relação com os fios de cabelo. Os alunos observaram o cabelo dos colegas de sala e desenharam os fios próprios e dos familiares. A partir de fotos visualizadas em computador, identificaram e desenharam os diversos tipos de fios. A professora fez os alunos ouvirem a música Fuá, de Jana Figarella, e lerem as histórias infantis O Cabelo de Lelê, de Valeria Belém, e As Tranças de Bintou, de Sylviane A. Diouf. Isso para desenvolver temas sobre respeito à diversidade, conceito de beleza e origens africanas.

    “Esperamos que esse projeto deixe sementes e construa caminhos na vida das crianças”, salienta Márcia Maria, que pretende dar continuidade ao trabalho, pois entende que é um projeto não só para a escola, mas para a vida. Há 16 anos no magistério, ela tem licenciatura em educação artística e especialização em história das artes e das religiões.


    Fátima Schenini

    Saiba mais no Jornal do Professor

     

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