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Seminário discute ensino médio integrado

Terça-feira, 09 de setembro de 2008 - 10:04

Medidas para ampliar o acesso ao ensino médio com qualidade a todos os jovens estão em discussão nesta terça-feira, 9, no Ministério da Educação. Técnicos das secretarias de Educação Básica e de Educação Profissional e Tecnológica trabalham em conjunto para discutir e aperfeiçoar a versão preliminar do documento Ensino Médio Integrado: uma Perspectiva Abrangente na Política Pública Educacional, preparado pelas duas secretarias.

A concepção das políticas educacionais, segundo a secretária de Educação Básica, Maria do Pilar Lacerda, é marcada pela visão sistêmica da educação. Nos anos 90, segundo a secretária, os investimentos da pasta davam prioridade a um nível educacional em detrimento do outro e colocavam em conflito educação básica e superior, por exemplo. “A visão sistêmica significa investir em educação infantil, na qualidade do ensino fundamental, na ampliação do acesso ao ensino médio e à educação superior”, reforça Pilar.

Para o ensino médio, que representa, de acordo com o texto do documento preliminar, uma das etapas mais difíceis da política educacional, Pilar defende um modelo de ensino que permita ao jovem experimentar o conhecimento e viver todas as áreas para que possa escolher, com mais clareza, o que vai fazer na vida adulta. “Precisamos oferecer um conhecimento sólido para que as escolhas dos jovens sejam transformadoras”, destaca.

Pelo texto em discussão, o papel do ensino médio não deve se ater à transmissão de conhecimentos ou somente à formação de técnicos. Busca-se uma escola que não se limite ao interesse imediato, pragmático e utilitário. O documento sugere uma formação com base unitária, no sentido de um método de pensar e de compreender as determinações da vida social e produtiva, que articule trabalho, ciência e cultura na perspectiva de emancipação humana.

Obrigatoriedade — A secretária lembrou que a política educacional brasileira é tradicionalmente excludente e que em países vizinhos, como Chile e Argentina, o tempo obrigatório de escolaridade supera o brasileiro. Argentina e Chile asseguram 12 anos, incluindo o ensino médio; o México, a partir quatro anos de idade, até os 18. “O Brasil conseguiu incluir a duras penas o ensino obrigatório para as crianças de seis anos”, afirmou, em referência à ampliação do ensino fundamental para nove anos, que deve ser totalmente implementado em 2010.

A secretária citou o ministro da educação da Argentina, Juan Carlos Tedesco. No seminário internacional sobre o ensino médio em Buenos Aires, na semana passada, ele disse que a escola só é boa se conseguir oferecer ensino de qualidade a todos. “Precisamos pensar na visão sistêmica, mas também no atendimento de todos e de cada um”, ressalta Pilar, em alusão ao lema defendido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

No encontro desta terça-feira, os técnicos devem elaborar a versão final do documento preliminar e definir ações alinhadas entre as duas secretarias para ampliar o acesso ao ensino médio e melhorar a qualidade do ensino.

Maria Clara Machado

Palavras-chave: mec, notícias, jonalismo, matérias