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Ensino-aprendizagem

Escola paulistana inova com aula em salões e criatividade

  • Quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012, 17h34
Na escola Presidente Campos Salles, a aprendizagem ocorre pela interação, integração e socialização dos estudantes (foto: arquivo da escola)Na escola Presidente Campos Salles, a aprendizagem ocorre pela interação, integração e socialização dos estudantes (foto: arquivo da escola)Na escola Presidente Campos Salles, a aprendizagem ocorre pela interação, integração e socialização dos estudantes (foto: arquivo da escola)Com criatividade e ousadia, práticas de ensino obsoletas são superadas, acredita o professor Braz Rodrigues Nogueira, diretor da Escola Municipal de Ensino Fundamental Presidente Campos Salles, de São Paulo, capital. As salas de aula convencionais da escola, no bairro de Heliópolis, em antiga favela da zona sudeste da cidade, cederam espaço a grandes salões. Neles, professores polivalentes orientam os alunos em todas as disciplinas. Cada salão recebe três professores e cerca de 100 estudantes.

Os roteiros de estudo para os alunos são elaborados pelos professores, que interagem na execução desse trabalho. “Conhecer o que o colega está propondo para os alunos evita a fragmentação do conhecimento”, avalia o diretor. Para executar as atividades previstas no roteiro, os estudantes reúnem-se em grupos de no máximo quatro pessoas. Cada grupo tem autonomia para escolher com o que trabalhar ou estudar diariamente, entre as diferentes propostas para um período de 15 dias. A aprendizagem ocorre pela interação, integração e socialização dos estudantes. As dúvidas são esclarecidas entre os colegas ou por um dos professores.

De acordo com Braz Nogueira, responsável pelas inovações, para superar as práticas pedagógicas inadequadas que predominam na escola em geral — como a que vê o aluno como uma miniatura do adulto, um ser incompleto — seria necessário reorganizar o espaço escolar, torná-lo condizente com a concepção da criança como um ser integral, capaz de tomar decisões, organizar-se individual e coletivamente para aprender a viver e ser portadora de conhecimento. As inovações, de acordo com o diretor, fizeram surgir uma nova ética de convivência, baseada nos princípios de autonomia, responsabilidade e solidariedade, e novos dispositivos de participação. “Instalou-se na escola um movimento de superação do individualismo, do adultocentrismo e da fragmentação do conhecimento”, explica.

Braz Nogueira afirma que as salas de aula tradicionais não conseguem formar alunos prontos para o exercício da cidadania. Em sua avaliação, essa forma de organização do espaço privilegia o individualismo, dificulta a interação e o diálogo, o que torna o aluno passivo. “A sala de aula tradicional não possibilita o desenvolvimento de práticas pedagógicas com base nas concepções de que a criança é um ser integral e competente”, assegura.

Interação — Segundo a professora Adriana Chow Haidar, que leciona na primeira série do ensino fundamental, a maior vantagem da troca das salas de aula convencionais pelos salões é a interação entre os professores e a intensa troca de ideias no manejo das disciplinas. “Forma-se uma equipe muito preocupada com a aprendizagem de qualidade”, diz a professora, pós-graduada em práticas pedagógicas na educação básica. “O peso é dividido com os colegas de trabalho.”

Como atitudes criativas adotadas para melhorar a aprendizagem dos estudantes, Adriana relata que os professores formam grupos de avanço, que oferecem atendimento individualizado aos alunos com mais dificuldades. Também são organizadas rodas de conversação diárias. Nelas, os alunos abordam assuntos relativos tanto à vida escolar quanto à pessoal.

A Escola Campos Salles tem, matriculados, 420 alunos no nível 1 (primeira à quarta série), 420 no nível 2 (quinta à oitava) e 280 na educação de jovens e adultos.

Ana Júlia Silva de Souza

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