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Pais dão nota para a escola pública brasileira

  • Segunda-feira, 23 de maio de 2005, 15h55

Os dez mil pais entrevistados pela pesquisa nacional Qualidade da Educação: a Escola Pública na Opinião dos Pais, realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC), deram nota  – numa escala de 0 a 10 – tanto para a disciplina na escola quanto para o atendimento da secretaria, a organização, as instalações gerais e a higiene da cozinha. Para a localização, 8,7; para o espaço de recreio, 7,8; para as condições das salas de aula, 7,9; para a biblioteca, 6,5; para a sala de informática/computadores, 2,9; para a quadra de esportes, 6,0; para a conservação dos prédios, 7,6; e para a limpeza de banheiros, 7,1.

O estudo, inédito, contou com uma primeira fase qualitativa, encerrada em janeiro deste ano. A parte quantitativa da pesquisa consolida os dados apontados no levantamento e detalha as opiniões desses familiares de estudantes. Foram investigadas as percepções dos pais sobre a qualidade das escolas, as condições institucionais, de infra-estrutura e de ensino e a atuação dos professores e diretores de escolas de ensino fundamental pertencentes às redes públicas e localizadas em zonas urbanas de todo o país.

A percepção sobre os professores é bastante positiva; 82,6% os consideram preocupados em ensinar e dar uma boa aula e 77,3% acham que os docentes têm paciência para tirar as dúvidas dos alunos. No entanto, 62,8% consideram muito fácil a aprovação no fim do ano e 58,9% são da opinião de que os trabalhos para complementar as notas fazem com que os alunos estudem menos. Mais de 80% dos pais ou responsáveis concordam com a opinião de que o medo da reprovação faz os alunos estudarem mais. Em geral, os pais depositam uma esperança muito grande na escola, a qual identificam como forma de ascensão social. Os pais valorizam o papel do diretor e do professor, acham que os professores grevistas devem ser punidos e pedem mais autoridade na escola, tanto no que se refere à vida dentro dela quanto no que é ensinado aos alunos.

Preocupação com a violência – Disciplina e clima harmonioso para o aprendizado são os principais desejos dos pais em relação à escola, o que se mostra em 90% dos pais ou responsáveis favoráveis ao uso de uniforme. Os pais também expressaram sua percepção sobre a violência extra-escolar e relataram diversos casos neste sentido. Um percentual de 30% disse que há roubo a alunos, professores ou funcionários dentro desses estabelecimentos; 52% disseram que há brigas constantes dentro e perto da escola; 15,3%, que há consumo de drogas nessas unidades; 6,1%, que há tráfico de drogas dentro da escola; 24,5% dizem haver gangues dentro ou perto da escola. A ameaça à vida das pessoas dentro da unidade escolar é citada por 12,8% dos pais e 28,6% que a violência atrapalha o funcionamento do ensino. Metade dos pais pensa que a violência deve ser combatida pela polícia.

Um total de 90,4% desses pais diz comparecer à escola quando chamado para alguma reunião. O principal motivo para o comparecimento a essas reuniões (70,3%) é o de serem muito úteis para acompanhar o desenvolvimento dos alunos. Cerca de 17% vão para tomar conhecimento dos problemas existentes na escola e apenas 5,7%, para conhecer melhor os professores. Mais de 63% comparecem a festas ou eventos esportivos na escola.

Para o diretor de Avaliação da Educação Básica, Carlos Henrique Araújo, esses dados devem ser levados em conta para a formulação de políticas, já que esse público não é desprezível dentro do universo envolvido com a escola. “É preciso conhecer o pensamento dos pais e perceber a presença da família no que diz respeito às questões escolares. Nunca havia sido sistematizada uma pesquisa com esse público. Havia apenas um embrião disso. Agora, vamos incluir sistematicamente questionários para os pais nas avaliações da educação básica”, explica.

A grande maioria dos pais ou responsáveis pelos estudantes brasileiros das escolas públicas de ensino fundamental raramente lê livros ou jornais. No entanto, eles assistem programas na televisão todos os dias. Uma das constatações é de que o nível de escolaridade dos pais dos estudantes brasileiros é baixo. Cerca de 58% têm até o ensino fundamental incompleto e 7,5% declaram-se analfabetos ou sem nenhuma escolaridade. Os que completaram o ensino universitário somam somente 2,8%. Dos pais ou responsáveis pelos estudantes, 84% declararam assistir televisão todos os dias, 74,7% lêem raramente, ou nunca lêem, jornais de circulação diária, 74% nunca lêem, ou raramente lêem livros e 72% não lêem ou raramente lêem revistas. Cerca de 10% dos pais de alunos utilizam computador, enquanto que o acesso à internet é privilégio de apenas 6,9% dos pais ou responsáveis.

São as famílias mais pobres do Brasil as principais usuárias das redes públicas de ensino fundamental. Mais de 73% dos entrevistados têm renda familiar de até três salários mínimos. Apenas 9% das famílias ganham mais de cinco salários mínimos. Um percentual de 58,1% dos pais ou responsáveis brasileiros pertence às classes D e E e 7,5%, às classes A e B. Da classe C, tem-se 29,7% dos pais ou responsáveis. “Associado ao dado de que a maioria dessas famílias é das classes mais pobres (D e E), pode-se concluir que a maioria dos estudantes brasileiros do ensino fundamental não está recebendo este capital cultural em casa, tornando-se muito mais dependente da escola do que as crianças de classes média ou rica”, avalia o presidente do Inep, Eliezer Pacheco.

Pacheco lembra, também, que uma das explicações centrais para o baixo desempenho do estudante brasileiro, já amplamente estudado pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), é o nível de escolaridade dos pais dos alunos. “A proficiência obtida pelas crianças e jovens brasileiros correlaciona-se fortemente com o nível socioeconômico das famílias desses estudantes”, analisa.

Dados revelados na pesquisa mostram-se preocupantes, quando se observam os índices de proficiência dos estudantes brasileiros, filhos desses pais de baixa escolaridade e pouca renda. Conforme o Saeb de 2003, a média de proficiência em matemática dos filhos de mães que completaram a faculdade é de cerca de 207 pontos, na 4ª série do ensino fundamental. Entre os filhos das que nunca estudaram, a média é de 149,3 (abaixo do nível crítico, de 200 pontos); entre os filhos das que completaram a faculdade a média é de 207,8. Os filhos de pais que nunca estudaram ficaram com a média de 153,7; dos que completaram a educação superior, 206,9. Em língua portuguesa, a média entre os filhos de mães que nunca estudaram foi de 158; das que completaram a faculdade, 218 pontos. Em língua portuguesa, a média dos filhos de pais que nunca estudaram é de 157,7 pontos. Os filhos de pais que completaram a faculdade tiveram 217,5 pontos. Ainda segundo o Saeb, ao identificar efeitos de fatores familiares e pessoais no nível de proficiêcia, o hábito da leitura foi considerado de impacto significativo na 4ª e 8ª séries em língua portuguesa.

Conforme Araújo, a pesquisa com os pais é necessária, porque uma das mais importantes dimensões explicativas do desempenho de estudantes encontra-se em sua origem familiar. “É de fundamental importância conhecer o capital cultural e econômico das famílias dos estudantes. O nível de escolaridade dos pais e seus hábitos culturais são uma das causas de baixo desempenho escolar. Se a leitura, por exemplo, não está presente na casa desses estudantes, o que, como se demonstra pela pesquisa, não acontece no processo familiar brasileiro, eles vão chegar à escola em desvantagem”, explica Araújo. A pesquisa será feita regularmente pelo Inep daqui para frente, acompanhando o que pensa e como vivem os integrantes das famílias do estudante brasileiro. (Assessoria de Imprensa do Inep)

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