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Capes

Bolsista desenvolve novas tecnologias na área geológica

  • Sexta-feira, 19 de maio de 2017, 17h37

A tese de doutorado em geologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) de Ivaneide Santos apontou novas tecnologias para a representação do inventário de sítios de interesse científico na região do cânion do São Francisco (Nordeste brasileiro), Fafe e Macedo dos Cavaleiros (Norte de Portugal). A pesquisadora recebeu bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) entre 2015 e 2016 para realizar doutorado-sanduíche na Universidade do Minho, em Portugal.

O trabalho permitiu a integração de uma visita virtual a áreas de interesse geológico, com elementos multimídia. Esses conteúdos podem ser explorados numa plataforma online interativa, na qual a reunião de fotografias, obtidas com veículos aéreos não tripulados (VANTs), imagens panorâmicas a 360º interpretadas, modelos de representação tridimensional, cartografia e outros elementos informativos promovem uma nova forma de representação dos aspectos geomorfológicos e geológicos.

De acordo com Ivaneide, a representação dos elementos da geodiversidade e do patrimônio geológico tem sido cada vez mais foco de discussões e utilização de novas técnicas. “A última década proporcionou significativos avanços nos mecanismos de coleta de dados georreferenciados, no uso dos sistemas de informações geográficas e das tecnologias da informação e comunicação. Buscando superar estes desafios, a criação de ambientes virtuais surge como uma solução para a democratização do acesso aos conteúdos das geociências e da otimização da apreensão deste conhecimento por parte de diferentes públicos-alvo em diversos níveis”, explica.

A modelagem tridimensional proporciona vários pontos de vista privilegiados, além do detalhamento das feições e da interação proporcionada ao usuário por meio do computador. “Quando são utilizadas plataformas móveis providas de giroscópios, acelerômetros e GPS (smartphones e tablets), a informação pode ser contextualizada com o local e a navegação automatizada com o movimento do dispositivo, providenciando uma experiência única de interpretação da paisagem através de realidade aumentada. É possível, por exemplo, promover a acessibilidade para indivíduos com necessidade especiais ou com escassez de recursos financeiros para visitar o local desejado. E, ainda, permite àquele que tem a possibilidade de ir ao local acessar informações mais detalhadas dos aspectos naturais locais, antes e após a visita”, enfatiza.

Experiência - A estudante de doutorado define o período na Universidade do Minho, em Portugal, como um divisor de águas na pesquisa. “Quando o Professor Gorki Mariano me desafiou a descobrir novas metodologias de representação e divulgação do patrimônio geológico, de fato proporcionou a busca por novas fronteiras e senti o tamanho do desafio. Na época, ele sugeriu as visitas virtuais e até indicou que eu procurasse o departamento de artes visuais e webdesign”, conta.

Um dos desafios do grupo de pesquisa em geoconservação da UFPE é levar à sociedade o conhecimento voltado às geociências por meio de uma linguagem acessível, simples e de qualidade. “Mas na verdade, ao me dirigir a estes locais, não encontrei a integração de que necessitava para superar este desafio. Foi mesmo no exterior, depois de ler alguns trabalhos neste âmbito, é que finalmente encontrei na Universidade do Minho o que procurava.”

A bolsista conta que, sem o apoio da Capes, teria sido mais difícil desenvolver essa pesquisa no exterior. “No Brasil, pesquisas neste âmbito ainda são muito incipientes e os recursos, escassos. O ano do sanduiche foi fundamental para o desenvolvimento de protótipos e intercâmbio com outros pesquisadores. E, mesmo sem recursos, no ano seguinte, retornei ao exterior ao abrigo da co-tutela estabelecida entre a Universidade Federal de Pernambuco e a Universidade do Minho, para desenvolver melhor essas novas tecnologias e isso foi decisivo para o aprimoramento das técnicas e produtos”.

Impactos - Na tese, todas as soluções voltadas para a realidade aumentada foram adequadas à realidade portuguesa. Na impossibilidade de aplicar as soluções produzidas nas áreas de interesse científico no Brasil, foram delineadas como perspectivas algumas ações futuras. “Essas soluções inspiraram outros projetos, tanto no âmbito científico, quanto empresarial, dentre os quais um projeto científico que será desenvolvido pela Universidade de São Paulo, aprovado com os recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a ser desenvolvido entre os anos de 2017 e 2019, intitulado O patrimônio geológico da região costeira do estado de São Paulo: inventário e valorização com suporte de tecnologias geoespaciais.”

Ivaneide aposta no recurso tecnológico com como potencial de democratização científica. “Num país com uma beleza cênica inconfundível como o Brasil, essas tecnologias agregam valor e diminuem fronteiras. A divulgação e a representação virtual de locais de interesse científico e da geodiversidade ultrapassa as fronteiras espaciais, econômicas e democratização do conhecimento. Sendo assim, as novas tecnologias de representação e divulgação não só do patrimônio geológico e da geodiversidade, como também do conteúdo científico como um todo, representa a oportunidade para a comunidade científica de democratizar o acesso ao conhecimento em um Brasil que são vários Brasis, com fronteiras econômicas, espaciais e culturais significativas”.

A pesquisadora acredita que o trabalho pode contribuir na construção de uma cultura de preservação e conhecimento geológico. “Ainda há um longo caminho a percorrer até conseguirmos incorporar à matéria legislativa e às práticas sociais a geodiversidade e a geoconservação diante de medidas protetivas e de adequado manejo dos nossos recursos paisagísticos e geoturísticos. Mas, sem dúvida é preciso começar pelo conhecimento e representação nosso patrimônio natural. É preciso que estes conceitos sejam incorporados e compreendidos pela Sociedade. Nesta construção quero romper fronteiras e quebrar novos paradigmas e, agora, com todo este aprendizado, poderei repassar a outras pessoas e aplicar no meu país essas novas técnicas”, conclui a bolsista.

A tese “Recursos interativos online no cânion do rio São Francisco no Brasil e de lugares de interesse geológico em Portugal utilizando realidade aumentada” deverá ser defendida na UFPE em meados de junho de 2017.

Assessoria de Comunicação Social, com informações da Capes

Assunto(s): doutorado , Capes , pesquisa , tese
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