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Combate ao coronavírus

UFFS pesquisa disseminação da Covid-19 em região com 395 cidades

  • Sexta-feira, 15 de maio de 2020, 18h08
  • Última atualização em Sexta-feira, 15 de maio de 2020, 18h08

Projeto produz mapas com base nos números da doença no Sul do país e na Mesorregião Grande Fronteira do Mercosul

A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) criou uma ferramenta para realizar a análise espacial do contágio do coronavírus nos municípios da Mesorregião Grande Fronteira do Mercosul, principal área de influência da Universidade, com 395 cidades. O “Observatório da Dinâmica Geográfica da Covid-19 na Área de Abrangência da UFFS” foi desenvolvido pelos pesquisadores e professores Ederson Nascimento, de Geografia, e Larissa Tombini, de Enfermagem.

As avaliações e análises do projeto são feitas com base no número absoluto de infectados, no total de infectados por 10 mil habitantes e, posteriormente, por meio da criação de mapas com a aplicação das informações. O levantamento dos dados conta com o auxílio dos estudantes da instituição.

De acordo com Nascimento, a partir da observação da distribuição espacial dos casos desde 11 de maio, fica claro que a região ainda não tem tantos casos quantitativamente se comparada a outras regiões metropolitanas do Sul do país. Entretanto, a análise aponta crescimento do número de infectados em municípios do interior.

A ferramenta criada para aferir o número de casos na mesorregião, explicou Nascimento, aponta que a gravidade da situação está nas taxas de incidências, ou seja, na comparação da quantidade de casos para cada grupo de 10 mil habitantes. “Isso é para poder ponderar o número de casos com o tamanho de cada município, com o peso populacional de cada um deles. A gente divide o número de casos pela população e multiplica por 10 mil”, destacou.

Ainda segundo o pesquisador, a partir disso, é possível ter um olhar diferente sobre a região: em algumas cidades pequenas, sem destaque em uma análise global, fica mais claro a alta no número de casos, mesmo com o porte populacional menor. O docente afirmou que isso acontece sobretudo nas cidades aos arredores dos polos onde os casos têm se concentrado mais, como Chapecó (SC), Concórdia (SC) e Passo Fundo (RS).

A centralidade de algumas cidades, que atraem a população, principalmente para trabalhar, explica a disseminação do vírus em cidades menores, mas que estão ao redor desses polos. “No âmbito regional, a principal hipótese é que essas cidades desenvolveram algum ponto de centralidade em grandes empresas, onde ocorreu a contaminação mais coletiva, que depois foi levada aos outros municípios. A gente consegue ver claramente isso, compilando os dados e distribuindo nos mapas”, ressaltou Nascimento.

A grande preocupação com relação ao número de casos em pequenas cidades, de acordo com o professor, é o atendimento a esses pacientes. “A gente sabe bem que o sistema de atendimento em saúde também é concentrado em algumas cidades. Então, se você tem em cidades mais distantes casos concentrados, a dificuldade de buscar ajuda, tratamento, por conta da distância, se torna maior”, frisou o professor.

Em meio a todo esse contexto, Larissa Tombini aponta boas estratégias adotadas pelos governos como a ampliação da infraestrutura assistencial a partir da criação de ambulatórios específicos para testagem e identificação de casos especialmente a habilitação de leitos de UTI. De acordo com a pesquisadora, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul ampliaram em cerca de 30%, a oferta de leitos de UTI para uso exclusivo de internações por Covid-19.

Apesar das medidas, do maior número de casos estar nas cidades maiores (e com mais leitos de UTI) e de haver uma regulação dos leitos em nível central para garantia de acesso universal, a professora apontou o mesmo problema indicado pelo professor Ederson: o avanço no número de casos em municípios de menor porte.

A situação preocupa moradores e autoridades sanitárias locais, que devem adotar medidas efetivas para a contenção da disseminação do vírus em seus espaços geográficos, além de garantir a retaguarda na assistência integral à saúde dos que necessitam. “Isso inclui desde monitoramento domiciliar pelas equipes de Estratégia Saúde da Família (ESF) disponíveis em todos os municípios, até leitos de UTI e respiradores nos grandes centros de referência. O momento é, portanto, de atenção e planejamento local nos micros e macros espaços”, destacou a docente.

As medidas para a contenção já são de conhecimento do mundo todo, segundo Ederson. “É de fundamental importância que a sociedade tome consciência de que a doença é séria, que o contágio é relativamente simples e que pode levar a graves consequências”, disse.

Assessoria de Comunicação Social, com informações da UFFS

Assunto(s): MEC , UFFS , coronavírus
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