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Educação indígena

Comunidades do Sul e Sudeste ganham curso de licenciatura

  • Quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011, 12h09
  • Última atualização em Quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011, 12h17
Crianças indígenas que cursam as séries iniciais do ensino fundamental serão atendidas pelos professores que fazem o curso de licenciatura da UFSC (foto: arquivo UFSC)O Brasil tem, hoje, três mil professores indígenas em formação em 21 instituições públicas de educação superior. A Universidade Federal de Santa Catarina acaba de receber 120 calouros das etnias guarani, caingangue e xoclengue, oriundos de territórios de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Espírito Santo — até então, o Sul e o Sudeste eram as duas regiões do país que não contavam com cursos de licenciatura específicos para povos indígenas.

A maior parte dos calouros da licenciatura para professores de educação indígena já ministra aulas nas comunidades. A formação específica prevê avanços, como a alfabetização bilíngue — inicialmente, no idioma indígena; depois, em português.

A criação dos cursos específicos é uma das diretrizes do Programa de Formação Superior e Licenciatura Indígena (Prolind) do Ministério da Educação. A meta, segundo o coordenador do programa, Gersem Baniwa, é formar sete mil professores nos próximos seis anos. “Temos 12 mil professores indígenas em todo país”, disse. “Desses, três mil estão em formação e outros dois mil, já formados; queremos levar educação a todos.”

Pelo Prolind, as universidades oferecem a infra-estrutura e ao MEC cabe levar os estudantes às salas de aula. “Há regiões em que precisamos fretar jatinhos para que eles possam estudar”, relata Baniwa. Para o programa, o custo individual por aluno é de R$ 4 mil ao ano. Além de levar formação aos indígenas, o Prolind oferece outro benefício direto, a produção de material didático pelos próprios indígenas. Já foram publicados 88 títulos e outros 85 estão prontos para a impressão.  

Alternância — A formação ocorre em períodos alternados. Os indígenas vão à universidade para o período letivo e retornam às comunidades. Lá, realizam estudos orientados, estágios e projetos de pesquisa, entre outras atividades. O curso dura quatro anos. O MEC também é responsável pelo custeio das acomodações dos estudantes.

A maior parte dos calouros da licenciatura da UFSC para professores de educação indígena já ministra aulas nas comunidades de origem (foto: arquivo UFSC)Um dos calouros da UFSC, o professor Getúlio Narciso, também conhecido como Tójfã, vai cursar licenciatura em humanidades com ênfase em direitos indígenas. Ele veio da terra indígena de Xapecó, que permeia os municípios de Ipuaçu, Entre Rios e Abelardo Luz, no interior catarinense. A comunidade tem área de 15,6 mil hectares e população aproximada de 4,6 mil indígenas, segundo dados de 2006. A maior escola da comunidade atende 890 estudantes, que cursam o ensino fundamental e o médio.

Getúlio e outros 16 professores da mesma comunidade fazem parte dos 120 calouros do curso da UFSC. Ele leciona na comunidade desde 1998 e tem formação de nível médio para a atividade. Segundo ele, fazer um curso desenvolvido com base nas necessidades de seu povo é uma conquista. “Depois de muito tempo de exploração e negação dos nossos direitos, sinto que a universidade me acolheu.”

Ana Guimarães
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