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Xadrez na escola

Valorizada e incentivada em cidade gaúcha, prática é usada como ferramenta pedagógica

  • Domingo, 01 de maio de 2016, 10h14
  • Última atualização em Sexta-feira, 29 de abril de 2016, 17h45

Na Escola Rui Barbosa, o aprendizado do xadrez visa a despertar nos alunos o prazer no aprendizado do jogo e o gosto pelo desafio, com reflexos na agilidade de raciocínio, elaboração de estratégias, concentração e desenvolvimento da memória (foto: arquivo da EEF Rui Barbosa)No município gaúcho de Campo Bom, no Vale do Rio dos Sinos, região metropolitana de Porto Alegre, o jogo de xadrez é uma atividade valorizada e incentivada nas escolas, com a participação de estudantes em competições diversas. “O envolvimento com o xadrez iniciou-se por volta de 1994, quando eu exercia a função de coordenadora de educação física, esporte e lazer na Secretaria Municipal de Educação e Cultura”, diz a professora Márcia Korndoerfer Tornin, da Escola de Ensino Fundamental Rui Barbosa.

Márcia promoveu, na época, um curso de capacitação em xadrez para professores da rede municipal, em parceria com a Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, de Novo Hamburgo. “O trabalho, então, começou a frutificar nas escolas e surgiu a ideia de organizarmos o 1º Torneio Aberto de Xadrez em Campo Bom, que já está na 21ª edição.”

A instalação do Clube de Xadrez na Biblioteca Pública Municipal foi outra medida adotada por Márcia. “Aberto à comunidade, funcionava aos sábados de manhã, com monitoria do aluno Marcelo Konrath, atualmente professor e árbitro internacional de xadrez e editor do portal Xadrez Gaúcho”, diz a professora.

A partir de 2009, já na Escola Rui Barbosa, Márcia continuou a incentivar a prática do xadrez nas aulas de educação física, com turmas do sexto ao nono ano do ensino fundamental. Os resultados obtidos com a iniciação ao jogo nessa faixa etária a levaram a propor, em 2013, um projeto direcionado a alunos do terceiro ao quinto ano. “O xadrez, agora, é trabalhado semanalmente em sala de aula a partir do terceiro ano”, diz. Além disso, às quintas-feiras, os alunos que se destacam em sala de aula participam do encontro de xadrez, no turno vespertino, destinado ao aprimoramento das estratégias e integração à equipe de competição da escola, composta por 24 alunos.

Durante as aulas, Márcia procura despertar nos alunos o prazer no aprendizado do xadrez e o gosto pelo desafio. Isso, segundo ela, os leva a desenvolver competências como agilidade de raciocínio, capacidade de visualização espacial, elaboração de estratégias próprias, aumento do tempo de concentração e desenvolvimento da memória. Há 32 anos no magistério, ela tem graduação em educação física e pós-graduação em metodologia do ensino da educação física.

Estímulo — “O xadrez é um esporte divertido, que estimula o raciocínio lógico, a concentração e a memória”, diz a professora Lizandra Patrícia Gottlieb, diretora da Escola Rui Barbosa. “Também estimula a imaginação, desenvolve a capacidade de planejamento na criação de estratégias e exige paciência e respeito ao colega.”

De acordo com Lizandra, após certa resistência inicial ao xadrez, principalmente por parte de alguns professores, que o consideravam difícil e complicado para alunos pequenos, a professora Márcia conseguiu desenvolver o gosto pelo jogo na escola, graças ao trabalho lúdico que desenvolveu desde os primeiros anos. “O trabalho foi gradativo, atingindo também o público adolescente”, ressalta. Outra iniciativa foi a participação dos estudantes em campeonatos de xadrez, dentro e fora da cidade.

Para o professor Eder de Oliveira, da Escola de Ensino Fundamental Princesa Isabel, ao aprender a jogar xadrez, as crianças tendem a aumentar a concentração, a paciência e a perseverança e se tornam mais flexíveis ao resolver problemas e tomar decisões.

Professor de educação física em turmas da educação infantil ao quinto ano do ensino fundamental, Eder percebeu que poderia aproveitar o jogo como ferramenta pedagógica. Agora, o xadrez faz parte das aulas de educação física e no contraturno. “O xadrez faz e pode fazer ainda mais diferença para nossas crianças no que se refere à elevação da autoestima e confiança”, diz Eder. “Elas passam a se sentir incluídas e valorizadas socialmente, o que contribui para sua formação.”

De acordo com o professor, a literatura científica especializada destaca que a prática do jogo de xadrez contribui, efetivamente, para o desenvolvimento do raciocínio lógico, da capacidade de análise, síntese e de resolução de problemas, da abstração e objetividade, do autocontrole e autoestima. “Alunos que por vezes são menosprezados ou preteridos pelos colegas por não terem as mesmas habilidades físicas e motoras podem encontrar no xadrez um meio para interagir com os colegas e se sentir incluídos no grupo”, destaca.

Atitude — Eder salienta a mudança ocorrida nas atitudes dos alunos. “A cada vitória em torneios, eles se sentiam mais confiantes, conduziam a resolução dos seus conflitos com mais paciência e respeito mútuo, e isso, para nossa escola, foi uma grande mudança”, enfatiza o professor, pós-graduado em educação física escolar.

O xadrez é uma das atividades incluídas no Programa Acolher – Desafios para Além da Jornada Escolar, desenvolvido em Campo Bom desde 2009. O programa atinge em torno de duas mil crianças e adolescentes em todos os bairros do município. Têm prioridade no atendimento aquelas em situação de risco e vulnerabilidade social. “O envolvimento dos alunos com diversas atividades colabora para a prevenção do uso de drogas no meio escolar”, defende Graciela Rosa Soares, coordenadora do esporte escolar da Secretaria de Educação do município.

Fátima Schenini

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Assunto(s): ensino fundamental , xadrez
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