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ENTREVISTA

Aluna do RS fica em primeiro na maior feira de ciências do mundo

  • Quinta-feira, 23 de maio de 2019, 13h28
  • Última atualização em Quinta-feira, 23 de maio de 2019, 15h39



Com a pesquisa sobre o aproveitamento da casca de noz macadâmia para curativos de ferimentos da pele ou para embalagens, a brasileira Juliana Estradioto ganhou o 1º lugar na área de Ciência dos Materiais, na Intel International Science and Engineering Fair (Isef). Esta é a maior feira de ciências para pré-universitários do mundo.

Natural de Osório, município do Rio Grande do Sul com cerca de 40 mil habitantes, a recém-formada no curso Técnico em Administração Integrado ao Ensino Médio, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), conta em entrevista ao Portal MEC o que consiste o estudo e qual foi a experiência em participar da premiação.

O material, biodegradável, substitui os sintéticos, como sacolas plásticas. A ideia é ter um produto sustentável, com custo baixo, produzido a partir de resíduos com destinação ao lixo.  

A premiação da jovem, de 18 anos, foi anunciada na última sexta-feira, 17, durante o evento que ocorreu dos dias 12 a 17, em Phoenix, Estados Unidos. Mais de 1,8 mil estudantes de ensino médio de 80 países passaram pela feira.

Confira a entrevista

Você pode descrever brevemente a pesquisa?

Primeiro peguei a casca de noz macadâmia e produzi uma farinha que utilizei como se fosse realmente o alimento para os microrganismos, responsáveis por produzir a membrana celulose bacteriana, um material biológico que é incrível.

A membrana da macadâmia possui características, como flexibilidade e resistência, que permitem a utilização em curativos para pele queimada ou machucado. Outro uso possível é na elaboração de embalagens para o recolhimento de fezes de cachorro, em substituição ao plástico.

E os custos com os produtos e a pesquisa?

A casca de noz macadâmia é um resíduo da agroindústria, do processamento da noz. Então, recebo como doação porque iria para o lixo. Os custos com reagentes e laboratório são por conta do instituto [Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, o IFRS].

Como surgiu o projeto?

Meu projeto surgiu a partir da demanda de uma das maiores agroexportadoras da noz macadâmia no Brasil, a Cooperativa Agroindustrial Dos Produtores De Noz Macadâmia (Coopmac), no Espírito Santo. Por meio de parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo, consigo obter esse resíduo para utilizar no meu projeto, no Rio Grande do Sul.

Qual foi sua motivação?

Quando eu passeava com meu cachorro e recolhia as fezes com sacola plástica, percebia que não tinha destinação correta para o plástico contaminado.

Depois, analisei todas as características do material, li alguns artigos que utilizam a membrana como se fosse uma veia artificial e peles artificiais. Ela está em vários locais da nossa indústria e está sendo pesquisada.

CURIOSIDADE: O consumo da noz macadâmia e o uso em produtos cosméticos e de higiene está em crescimento nos mercados brasileiro e internacional. No entanto, o processamento da noz gera 75% de resíduos, que acabam indo para os aterros sanitários orgânicos ou são queimados para produção de energia. Já os polímeros sintéticos (como plásticos e borrachas) não são biodegradáveis e nem sempre são recicláveis.

Qual foi o apoio do instituto na sua pesquisa?

Foi tudo muito adaptado para trazer isso para minha realidade. No campus Osório não existe área técnica voltada a pesquisas de química ou de biologia. Fui orientada pela professora Flávia Twardowski e foi fundamental ter esse auxílio de professores que são muito capacitados.

Para as partes específicas de laboratório, consegui parceria com outro campus da minha rede, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Lá, eu utilizava o moinho, porque aqui (Osório), eu quebrava a casca da macadâmia com martelo.

Outra parceria foi com o Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos (ICTA), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, para fazer a caracterização dos materiais. Os equipamentos são caros. Moro em uma cidade de 40 mil habitantes, não tenho acesso a eles aqui. Tudo foi cedido.

Você espera a comercialização do produto?

Sim, já existem alguns produtos feitos dessa membrana de celulose bacteriana e eu já comecei com o processo de patente do meu produto.

Quais os próximos passos para a pesquisa?

Tem muita coisa que ainda posso fazer. Meu próximo passo é estudar o material para ser utilizado como curativo em cicatrizes na derme, porque já vi que pode ser usado em queimaduras e auxilia no processo de regeneração da pele. Penso em utilizar a membrana para cicatrizes pós-cirúrgicas.

O que espera para o futuro? 

Quero continuar pesquisando a membrana da macadâmia. Quando eu perceber que está aperfeiçoado, vou partir para outras ideias de pesquisa, pois quero continuar trabalhando com ciência pelo resto da vida.

Quem é Juliana – Juliana Estradioto já faturou mais de 40 prêmios científicos nacionais e internacionais, participou de feiras de ciência nos Estados Unidos e vai acompanhar uma cerimônia do Prêmio Nobel.

Para participar da Isef 2019, Stradioto ganhou o primeiro lugar com projetos distintos em duas feiras de ciências nacionais: Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), maior feira de ciências de escolas da América Latina, em Novo Hamburgo (RS), e a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace).

Os prêmios renderam a última participação na Intel Isef, maior feira de ciências para pré-universitários do mundo, além do credenciamento para a cerimônia da entrega do Nobel, na capital da Suécia, para representar o Brasil no Stockholm International Youth Science Seminar — evento que reúne, todos os anos, os 25 mais promissores jovens cientistas do mundo, entre 18 e 25 anos.

Assessoria de Comunicação Social

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