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Trilhas da Educação

Professor de escola pública no Espírito Santo dá aulas de matemática no supermercado

  • Sexta-feira, 15 de junho de 2018, 09h35
  • Última atualização em Sexta-feira, 15 de junho de 2018, 09h43


Linhares (ES), 15/6/2018 – Promoções corriqueiras no comércio do tipo “leve três, pague dois” valem a pena? Será mais barato comprar fracionado ou em maior quantidade? Essas questões podem passar despercebidas na correria do cotidiano, mas não mais para a turma do sexto ano da Escola Estadual Professora Regina Banhos Paixão, em Linhares, no Espirito Santo. Escolher os melhores produtos pelos melhores preços virou atividade de matemática. A dinâmica foi a forma encontrada pelo professor Hercules Smaçaro Marchiori para despertar o interesse dos alunos pela matéria. A experiência, realizada durante todo o ano de 2017, será contada no programa Trilhas da Educação, produzido e transmitido pela Rádio MEC nesta sexta, 15.

Tudo era novidade para as crianças, entre 10 e 11 anos de idade, que passaram a enxergar uma simples ida ao supermercado de maneira diferente. Foi a oportunidade para que todos entendessem que a matemática está presente em várias ações rotineiras. “Na turma com que eu trabalhei, na verdade, muitos nem vão ao supermercado”, explica Marchiori. “Então, eles têm essa vivência da prática, daquilo que a gente comenta em sala de aula, no dia a dia ali, e fazem aquela relação do conteúdo em si com o que é real. ”

O professor dividia a turma em pequenos grupos e assim dava início à pesquisa sobre os produtos do supermercado. Depois, utilizando cálculos simples, de soma e subtração, a tarefa era escolher os artigos que apresentavam o melhor custo-benefício. No supermercado visitado havia um ambiente de refeitório, local escolhido para os alunos se reunirem após a pesquisa e fazer os cálculos necessários.

Na escola, a novidade se espalhou. Os demais professores ficaram sabendo da atividade e passaram a valorizar a iniciativa também em suas disciplinas. “A professora de português trabalhou alguns termos com eles; a de ciências foi fazer um trabalho e relatou que, no trajeto que fizemos até o supermercado, passamos em um ambiente de vegetação, um brejo, para eles relacionarem à matéria que estavam estudando”, relata Marchiori.

Aprovação - Após as atividades que envolveram a turma toda, o resultado veio no final do ano letivo: 80% dos alunos foram aprovados na disciplina de matemática. Segundo o professor, isso foi fruto de uma didática mais inclusiva, que apostou na criatividade, em horas de reforço e de estudo da matéria. “Se a gente chegar à sala só com quadro e pincel, fica só naquela aula, os alunos perdem o interesse e aí acabam não gostando da matemática, do professor, fazendo [as tarefas] de qualquer jeito”, avalia.

Além do melhor rendimento em sala de aula, a experiência mostrou que o empenho em cada exercício levou conhecimentos à casa dos alunos, em forma de educação financeira. Agora, esse aprendizado ajuda também os pais na hora das compras. “Às vezes a família tenta fazer esse esforço todo de economia, mas, por falta de conhecimento, nem sabe como proceder”, observa o professor. “O aluno, tendo essa noção, ajuda a estabelecer essas diferenciações e com isso acaba proporcionando aos pais poder comprar mais do que aquilo que compravam no dia a dia.”

Hoje, Hercules Marchiori se dedica a turmas de ensino médio, mas não descarta a possibilidade de retomar o projeto em outros moldes, ainda que com atividades extraclasse. Para ele, o maior desafio é fazer com que os estudantes entendam que o aprendizado da matemática faz parte da vida. “É uma coisa que eu sempre coloco para eles: é algo que vocês não vão levar só para a vida escolar de vocês, mas para o resto da vida”, conclui.

Assessoria de Comunicação Social

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