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Trilhas da Educação

Projeto de professora de Rondônia transforma relação ensino-aprendizagem e conquista alunos

  • Sexta-feira, 22 de junho de 2018, 17h33
  • Última atualização em Sexta-feira, 22 de junho de 2018, 17h48


Uma turma do ensino fundamental com baixo rendimento no processo de alfabetização e grande demonstração de indisciplina é um desafio e tanto para qualquer professor. Para a professora Fernanda Nicolau Nogueira, de Rondônia, no entanto, esta foi a chance de praticar a criatividade e inovar nos métodos de ensino e aprendizagem. Tanto que a ideia lhe rendeu, em 2017, o Prêmio Professores do Brasil na categoria anos iniciais, do ensino fundamental. Essa história será contada na edição desta sexta-feira, 22, do programa
Trilhas da Educação, transmitido pela Rádio MEC.

Em 2016, a turma do quarto ano fundamental da escola estadual Nilson Silva, situada em um dos bairros periféricos da cidade de Rolim de Moura, preocupava os educadores. Dos 26 alunos da sala, 14 apresentavam sérias dificuldades para ler, escrever ou compreender textos simples, comuns a este nível de ensino. Na disciplina de matemática, o desempenho era igualmente abaixo do esperado e boa parte da turma só sabia resolver operações simples de soma e subtração.

Fernanda conta que captar a atenção das crianças foi o primeiro desafio. “Era uma turma que tinha dificuldade para permanecer sentada, se organizar para não conversar na hora da atividade, gostava muito de ficar pelo pátio, pedindo para sair a toda hora”, lembra. Nessas circunstâncias, nasceu o projeto Ler, escrever... crescer!. Ela apostou em aulas temáticas, lúdicas, que trouxessem os estudantes para dentro do conteúdo previsto. Aulas de reforço escolar também foram colocadas em prática para aqueles com maior dificuldade.

 “Eu planejava, diariamente, várias atividades diferentes dentro de um mesmo tema, independente da disciplina que eu fosse trabalhar. As atividades daqueles que já estavam alfabetizados eram sempre mais desafiadoras, porque eles também tinham que ser atendidos e continuar progredindo”, explica Fernanda.

Para melhorar a escrita e leitura dos alunos, a professora abordou os gêneros textuais de uma maneira criativa, promovendo atividades diferentes daquelas que vinham sendo trabalhadas no dia a dia da escola. As iniciativas implementadas surtiram efeito e movimentaram todo o grupo.

O trabalho da professora Fernanda Nicolau Nogueira estimulou os alunos a manter a atenção durante as aulas, melhorando consideravelmente o desempenho (Arte: ACS/MEC)

“Nós construímos brinquedos com material reutilizável que foram entregues para crianças de outros bairros ainda mais carentes que o nosso. Filmamos um programa de culinária, quando nós trabalhamos receita, e um telejornal, fruto da atividade de trabalhar notícia e reportagem. Também fizemos teatro, sarau de poesia e produzimos muito material escrito”, conta a professora. A estratégia foi, aos poucos, despertando nos alunos o interesse por outros espaços da escola, como a biblioteca. Era a resposta que ela recebia por entrar fundo na leitura e aproximá-los dos livros.

Fernanda revela que o local recebeu inúmeras visitas dos estudantes, tornando-se uma extensão da sala de aula. Neste processo de adaptação, a leitura foi adequada de maneira pausada aos alunos, com desafios, por exemplo, para encontrar títulos de livros e autores, personagens, cenário, tempo da obra, desenvolvimento, enredo e a solução dada ao problema, bem como o desfecho das histórias.

Confiança – Todo o trabalho desenvolvido conduziu a turma, avalia Fernanda, a um processo natural de mais confiança e acolhimento em sala de aula. Não demorou muito para que até mesmo os pais dos alunos percebessem a mudança nos próprios filhos. “Eu ouvi muitas frases como ‘Olha, professora, eu não sei o que a senhora fez, mas o meu filho não queria vir para a escola e hoje ele não falta nem que esteja chovendo, que esteja frio. A escola é a vida dele’”, diz.

Na análise de Fernanda, foi preciso fazer com que eles gostassem de estar na escola, criar um ambiente atrativo, favorável ao aprendizado, onde não se perdesse a magia de ser criança. Ao final do ano letivo veio a recompensa: os alunos da turma da professora se destacaram na instituição de ensino, apresentando uma evolução gradativa das notas e demonstrando ter superado as adversidades enfrentadas ao longo do trabalho proposto.

“A minha turma foi a única da mesma série em que não havia nenhum aluno abaixo da média esperada dentro da avaliação diagnóstica inicial de 2017. Para mim, isso foi uma prova concreta de que o projeto deu certo, que valeu a pena todo esforço e sacrifício”, atesta a professora. O resultado a motivou para que a proposta tivesse continuidade dentro da escola e, atualmente, a mesma abordagem vem sendo aplicada em outra turma do quarto ano do ensino fundamental que registra problemas semelhantes de aprendizado.

Premiação – Após o sucesso na escola, Fernanda espera que a didática também possa ajudar professores e alunos de outras regiões do Brasil que hoje conhecem o projeto Ler, escrever... crescer!, após ele ser um dos vencedores do Prêmio Professores do Brasil, cuja proposta é reconhecer, divulgar e premiar o trabalho de professores de escolas públicas que contribuem de forma significativa para a melhoria dos métodos de ensino e aprendizagem desenvolvidos nas salas de aula. “Eu me sentirei lisonjeada e muito grata se souber que, de alguma maneira, pude contribuir para o bem das nossas crianças, em nível nacional. Acho que é a maior recompensa que um professor pode receber”, completa Fernanda.

O projeto da professora Fernanda Nicolau Nogueira pode ser conhecido na página oficial do Prêmio Professores do Brasil. Na mesma página é possível fazer as inscrições para a edição 2018, até 28 deste mês. Iniciativa do Ministério da Educação, com apoio de instituições parceiras, o concurso vai distribuir, este ano, R$ 305 mil aos vencedores, além de viagens educativas pelo Brasil e exterior e placas para as escolas das experiências selecionadas. Os vencedores nacionais serão conhecidos em 29 de novembro, no Rio de Janeiro.

Conheça mais do projeto na página oficial do Prêmio Professores do Brasil

Assessoria de Comunicação Social

 

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