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Educação de jovens e adultos

Alfabetização de adultos em debate

  • Sexta-feira, 04 de abril de 2008, 13h25

A contratação de consultores para apoiar e fortalecer o processo de alfabetização de jovens e adultos em estados e municípios de toda a região Nordeste, mais os estados do Pará e Acre, e os municípios do norte de Minas Gerais fará parte do redesenho do programa Brasil Alfabetizado em 2008. A segunda mudança será a entrega da formação inicial e continuada de alfabetizadores a universidades federais e estaduais.

O anúncio dessas e de outras novidades foi feito quinta-feira, 3, ao final de uma reunião de trabalho do secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, André Lázaro, com cerca de 40 gestores do Brasil Alfabetizado. A convite do Ministério da Educação, os gestores vieram a Brasília discutir e avaliar o sistema de pagamento das bolsas-auxílio aos alfabetizadores e coordenadores de turmas, que sofreu atraso motivado pela complexidade do sistema de repasse. Da criação do programa, em 2003, até novembro de 2007, o MEC repassava os recursos aos parceiros do programa nos estados e municípios e eles pagavam os alfabetizadores e coordenadores. De dezembro de 2007 em diante, o depósito passou a ser direto nas contas de alfabetizadores e coordenadores.

Consultores – Para a contratação de consultores, André Lázaro informou que o ministério vai publicar este mês um edital de seleção. Para apoiar e assessorar os municípios, cada consultor não ficará em Brasília, ele terá uma cidade-base e dela se deslocará para atender as demais. Para construir um programa de formação de alfabetizadores, o secretário disse que fará uma reunião com cerca de 40 universidades públicas federais e estaduais na próxima semana. O objetivo dessa ação do MEC é vincular o alfabetizador a uma universidade para que ele possa continuar se atualizando durante toda a sua carreira.

Dificuldades – Na reunião com os dirigentes do Brasil Alfabetizado, os gestores relataram alguns problemas na execução do programa e fizeram sugestões. Entre os problemas, destaca-se a dificuldade de visão, especialmente dos adultos. Na Bahia, segundo relato da gestora Ana Maria Teixeira, 65% dos 217 mil alfabetizandos têm baixa visão, o que compromete a aprendizagem e a continuidade dos estudos. A mesma dificuldade foi exposta pela gestora do Piauí, Rosângela de Carvalho Sousa.

No encerramento do encontro, o secretário executivo do MEC, Henrique Paim, disse aos gestores que o ministério vai melhorar o programa Olhar Brasil que, em convênio com o Ministério da Saúde, propõe avaliar as condições oftamológicas dos alfabetizandos e, quando necessário, doar óculos.

A redução do número de turmas por coordenador – hoje de 15 a 20 – é outro pedido, especialmente dos municípios das regiões Norte e Centro-Oeste, onde as distâncias entre as escolas são muito grandes. No Pará e Mato Grosso do Sul, segundo as gestoras Margareth da Silva Brasileiro e Jane da Silva, um coordenador não pode visitar 15 turmas duas vezes por mês, porque a viagem de uma comunidade para outra dura um dia. Na capital, explicam, é viável ao coordenador atender até dez turmas. Para resolver essa situação, André Lázaro informou que o MEC estuda reduzir o número de turmas por alfabetizador na resolução do programa para 2008. A idéia inicial, disse, seria colocar de dez a 15 turmas por coordenador da área urbana e de oito a dez, no campo.

O sistema de prestação de contas também é problema em alguns municípios. Segundo Margareth Brasileiro, gestora do Pará, para fazer a formação de professores nos 16 municípios da Ilha de Marajó, por exemplo, os formadores usam como transporte carroças puxadas por búfalos. O problema, nesse caso, é que os carroceiros não têm nota fiscal. “O que fazer”, pergunta Margareth.

Os gestores sugeriram a adoção de videoconferências para aumentar o intercâmbio de informações entre a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade e os gestores estaduais e municipais do Brasil Alfabetizado. A proposta foi aceita por André Lázaro. A primeira videoconferência terá como foco a parte tecnológica do programa, mas os gestores também querem tratar da formação de alfabetizadores e trocar experiências.

Números – O programa Brasil Alfabetizado tem nas salas de aula, em 1.171 municípios, 1,2 milhão de alunos, que começaram a alfabetização no segundo semestre de 2007. Eles formam 88.666 turmas atendidas por 88.335 alfabetizadores. O mapa do programa indica que dos 1,2 milhão de alfabetizandos, 57,16% são mulheres e 42,84% são homens; e entre os 88.335 alfabetizadores, 26,98% são professores alfabetizadores e 23,97% são alfabetizadores populares. Coordenadores e alfabetizadores recebem uma bolsa mensal. São quatro tipos de bolsa-auxílio: alfabetizador – R$ 200,00; alfabetizador (turma especial) – R$ 230,00; tradutor intérprete de Libras – R$ 200,00; e supervisor (coordenador de turma) – R$ 300,00.

Ionice Lorenzoni

Assunto(s): mec , notícias , jonalismo , matérias
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