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Educação integral

Escola de comunidade carente amplia o índice de qualidade

  • Segunda-feira, 13 de dezembro de 2010, 15h12
Com recursos transferidos pelo programa Mais Educação, alunos do primeiro ao quarto ano do ensino fundamental puderam ter aulas de natação na escola de Moji das Cruzes (arquivo da escola)Com apenas dois anos letivos de educação em tempo integral, 150 estudantes da Escola Municipal Professora Etelvina Cáfaro Salustiano, de Moji das Cruzes (SP), conseguiram melhorar o índice da educação básica (Ideb) daquela unidade de ensino. O indicador subiu de três pontos em 2007 — o pior do município — para 4,3 em 2009. A escala do Ideb vai até 10 pontos.

Situada em um bairro de aproximadamente mil habitantes, que reúne 200 famílias oriundas de três favelas, a escola implantou a educação integral no início de 2009, com recursos da prefeitura e em parceria com entidades e igrejas. Em 2010, foi aceita no programa Mais Educação.

Com recursos transferidos pelo programa, desenvolvido pelo Ministério da Educação, 121 alunos do primeiro ao quarto ano do ensino fundamental puderam ter aulas de natação este ano. De acordo com o diretor da escola, Kennedy José de Paula, a verba, recebida em julho, foi usada na compra de maiôs, toucas, óculos, bóias e espaguetes de isopor. Com o dinheiro, a escola também paga auxílio mensal ao professor de natação, um estudante de educação física, com oito anos de experiência. Ele atua como voluntário.

Os alunos frequentam as aulas de natação no Centro Esportivo Municipal do Socorro, a sete quilômetros da escola. A prefeitura oferece o ônibus para o transporte das crianças, divididas em quatro turmas, com aulas uma vez por semana, das 10h30 às 11h30.

Na avaliação do diretor, a educação integral é importante para as crianças daquela comunidade, mas a maioria das famílias vive situações críticas. Sem qualificação profissional, os moradores têm dificuldades para conseguir trabalho, o auxílio do programa Bolsa-Família e anticoncepcionais.

Kennedy de Paula, 39 anos, é licenciado em matemática e pedagogia e pretende fazer mestrado na Universidade de São Paulo (USP) em educação e desigualdade social. Quando fala em dificuldades, ele observa que coisas básicas faltam à comunidade, como informações sobre programas sociais do governo federal e documentos, como CPF e identidade, para o cadastro na Bolsa-Família. Na comunidade, há mulheres de 30 anos de idade com oito filhos na escola, mas sem o benefício da bolsa. São comuns os casos de alcoolismo.

Atividades — Graças à interlocução com a prefeitura e entidades, a escola oferece aos alunos cinco refeições por dia — café da manhã, lanche, almoço, lanche da tarde e jantar. Algumas turmas entram às 7h e saem às 16h; outras, chegam às 8h30 e vão até 17h30.

Como a escola é pequena — quatro salas de aula, laboratório de informática, biblioteca e refeitório —, os estudantes fazem a maioria das atividades da jornada ampliada no centro comunitário do bairro, a cem metros de distância. Além da natação, a escola, parceiros e voluntários oferecem aos alunos formação nas áreas intelectual, com reforço escolar, informática, leitura, inglês, xadrez e educação ambiental; cultural, com dança, música, teatro, artes visuais; esportiva, com caratê, judô, taekwondo, basquete, futebol, handebol, atletismo e recreação.

Criado em 2007, o programa Mais Educação começou a funcionar efetivamente em 2008. Desde então, passou de 386 mil para 2,2 milhões de estudantes beneficiados. Em 2011, será ampliado para atender 15 mil escolas e três milhões de alunos.

Para receber os recursos no próximo ano, as escolas cadastradas e aquelas selecionadas para ingresso precisam informar o número de estudantes a serem atendidos. Os dados devem ser incluídos no Sistema de Informações Integradas de Planejamento, Orçamento e Finanças do MEC (Simec) — o acesso ocorre por meio de senha informada à escola. O Simec já está aberto para receber os dados.

Ionice Lorenzoni

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