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  • Pós-graduação para educadores indígenas

    A Universidade do Estado do Mato Grosso (Unemat) é a primeira do país a abrir vagas para pós-graduação em educação escolar indígena. São oferecidas 50 vagas em curso de especialização lato sensu aos professores com diploma de graduação e que moram em aldeias do estado. As inscrições podem ser feitas até 7 de novembro e a duração do curso será de dois anos. As aulas começam em 12 de janeiro.

    “Não foi fácil romper com preconceitos, inclusive dentro da própria universidade, e criar esse curso para dar continuidade à formação do professor indígena. Tivemos que lembrar que os povos indígenas também têm o direito constitucional à continuidade dos estudos”, comenta Elias Januário, vice-reitor da Unemat e coordenador na universidade do Programa de Educação Superior Indígena Intercultural (Proesi).

    Há no Brasil, atualmente, 9.100 professores indígenas em 2.517 escolas em aldeias, onde estudam 178.345 alunos de diferentes etnias. Somente em Mato Grosso, são 190 escolas e 13.911 estudantes. “Com a formação qualificada do professor indígena, a comunidade escolar das aldeias ganha na qualidade do ensino. Esse professor vai estar ainda mais capacitado para associar o conhecimento tradicional da cultura indígena com o científico do mundo globalizado”, afirma Gersen Luciano Baniwa, coordenador-geral da Educação Escolar Indígena no Ministério da Educação.

    Natural da aldeia Baniwa, no Rio Negro (AM), o coordenador compara os avanços na formação do professor desde a década de 1990. “Antes, quando não havia professor indígena nas escolas das aldeias, ocorria uma situação esquizofrênica. Imagina um professor não indígena alfabetizando alunos que não entendiam a língua portuguesa?” Segundo ele, até essa década, cerca de 90% dos professores nas terras indígenas não eram indígenas. “Hoje, conseguiu-se inverter isso – 90% dos professores são indígenas”, destaca.

    Desde 2001, com a criação do primeiro curso de graduação em licenciatura intercultural, a Unemat destaca-se nacionalmente pelo pioneirismo na formação de professores indígenas. Em 2005, houve a graduação da primeira turma, com 185 alunos. Mas a vanguarda em educação de professores indígenas no Mato Grosso vem desde 1999, com o Projeto Tucum, quando se formou a primeira turma de docentes para os anos iniciais do fundamental. “Esses professores formados é que reivindicaram um curso de formação superior para que pudessem dar aula para os anos finais e ensino médio”, ressalta Susana Grillo, consultora da coordenação-geral de educação escolar indígena da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC (Secad).

    A expectativa é de que 120 candidatos candidatem-se ao curso de especialização lato sensu, que passarão por seleção de uma banca examinadora. Informações sobre as inscrições estão na página da universidade. A proposta do Proesi é dar continuidade à formação dos povos indígenas. “Daqui a dois ou três anos, devemos ter mestrado para os indígenas graduados”, adianta Elias Januário. “O curso de especialização não é importante apenas para os professores, mas também para melhorar a qualidade de ensino. Eles vão fazer pesquisas interessantes e importantes para solucionar problemas”, aponta o vice-reitor da Unemat.

    Riqueza cultural –  Sob a orientação dos professores da Unemat, os alunos indígenas do primeiro curso de graduação produziram registros da cultura das diferentes tribos. Há histórias curiosas, o significado dos diferentes desenhos pintados na pele de meninos e meninas durante os rituais, o passo-a-passo de como fabricam suas flechas e arcos.

    Histórias que os sábios – os anciões da aldeia – sempre contaram aos mais novos, na tradição da oralidade, estão agora registrados na forma de livros, financiados com recursos do MEC. De 2004 a 2008, já foram produzidos 84 materiais didáticos e paradidáticos produzidos por professores indígenas. Assim o professor André dos Santos, da aldeia Bakairi, no Mato Grosso, escreveu durante o projeto final de graduação a história da perdiz que roubou o canto kuiãn Tângâgân do caramujo. Chateado, ele foi embora para o mar para não ouvir mais o canto da perdiz. E nunca mais voltou.

    Assessoria de Comunicação Social

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