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Inserção social

Alunos desenvolvem projetos para comunidade carente no DF

  • Terça-feira, 09 de novembro de 2010, 13h23
  • Última atualização em Terça-feira, 09 de novembro de 2010, 13h28
Estudantes do CEF 3 de Planaltina preparam produtos de higiene e limpeza na escola, que participou, em Brasília, da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (Foto: Arquivo da escola)Desde que ingressou no magistério, o professor Fábio Alves de Aguiar tem como uma das preocupações o desenvolvimento de projetos para resolver demandas da comunidade. Tratamento de água, reciclagem de lixo, reaproveitamento de alimentos e reutilização de garrafas pet para a fabricação de sofás e pufes fazem parte desses projetos.

“Sempre que vou preparar uma aula, procuro imaginar como os conceitos teóricos vão ajudar na vida cotidiana do meu aluno ou de seus familiares”, diz Aguiar, professor de física e química em Planaltina, cidade- satélite do Distrito Federal. Licenciado em química, ele leciona desde 2008 no Centro de Educação Fundamental 3, no bairro de Buritis 2.

Entre os trabalhos que Aguiar desenvolve ao longo do ano letivo estão a produção de detergentes, sabonetes e desinfetantes e a coleta seletiva de óleo de cozinha. Os produtos são elaborados no laboratório da escola, no horário oposto ao das aulas.

Em 2009, com o alastramento da chamada gripe suína, o professor, que também cursa bacharelado em enfermagem, deu início à produção de saneantes. “Sentimos a necessidade de aumentar os recursos da escola para combater o vírus H1N1”, justifica. Segundo ele, naquele mesmo momento foi lançado no centro de ensino um programa de higiene pessoal, com enfoque tanto na lavagem técnica das mãos e antebraços quanto nas formas de contágio.

Os materiais preparados na escola — produtos de higiene e limpeza e móveis confeccionados com garrafas plásticas — foram apresentados na exposição da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2010, em Brasília. O que mais atraiu a atenção do público foi a produção de detergente e sabonete líquido. “O público não esperava que «crianças» do ensino fundamental manifestassem interesse por conhecimentos dominados pelos adultos”, ressalta o professor. Ele cita o baixo custo de toda a produção como outro fator de interesse.

Segundo Aguiar, a escola sempre participa de feiras de ciências e amostras culturais, mas essa foi a primeira vez em um evento como a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. “Representou uma realização profissional e acima de tudo pessoal”, salienta. Ele ficou emocionado com os depoimentos de alunos que descobriram a motivação e o objetivo para os estudos, seja nas ciências exatas ou nas humanas. “Não posso afirmar que cumpri minha missão, mas plantamos um sonho e certamente vamos colher vencedores”, acredita.

A diretora do CEF 3, Rita Martins de Godói, considera um privilégio poder mostrar o trabalho desenvolvido na escola em um evento de tal porte — a unidade de ensino atende uma comunidade carente em um bairro considerado violento. “A escola é sempre vista com receio por quem não conhece sua realidade”, revela Rita, formada em matemática e em pedagogia. “Ser percebida de forma diferente, por um bom trabalho desenvolvido, é uma oportunidade de demonstrar que a educação é caminho de transformação e inserção social.”

Fátima Schenini

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