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Igualdade racial

Educador enfrenta dificuldades por ser negro, mas com humor

  • Sexta-feira, 20 de novembro de 2015, 13h29
  • Última atualização em Segunda-feira, 23 de novembro de 2015, 10h18

Diretor do Centro Educacional Gisno, Isley Marth costuma ser confundido com porteiro (Foto: Isabelle Araújo/MEC) A escolha profissional de Isley Marth não poderia ser outra que não fosse a educação. Descendente de uma família com sete professores, ele teve a chance para escolher outra área, mas seu destino estava selado: educador. E enfrenta as dificuldades por ser um negro que dirige uma escola no Distrito Federal com bom humor e leveza.

“Não desvio minha atenção para o que tiver de negativo em relação à minha cor.” Esse é o lema do professor e diretor do Centro Educacional Gisno, Isley Marth. Mas nem sempre foi assim. Ele lembra um episódio quando ainda estudava e era cadete da Base Aérea. Comprou um carro zero, que à época saía da revendedora sem placa, e foi fechado por três viaturas policiais com uma abordagem nada amistosa: “Negão, documento.” O tratamento o deixou irritado e eles foram parar na delegacia para esclarecer a situação. “Hoje, é história, mas naquele momento foi dolorido”, observa.

Como a instituição tem só uma porteira e três turnos de aulas, é ele quem recebe os alunos e não raramente é confundido com porteiro. “Às vezes, pais de alunos chegam aqui e perguntam onde fica a direção da escola. Indico e depois, quando vou atendê-los, eles levam um susto.”

Marth diz que tem de lidar com a ignorância do ser humano, principalmente por ser educador. “Todos os dias me deparo com alguma situação advinda das dificuldades da ignorância sobre ser branco e ser negro.” Mas ele garante que não existem problemas de racismo na instituição que dirige, com 1,5 mil alunos, basicamente do ensino médio.  

Entre os 204 funcionários do Gisno, apenas três são negros: Marth, outro professor e a porteira. A baixa representação perpassa todo o sistema educacional. O diretor diz que essa situação só vai mudar por meio da educação. Em sua escola, ele trabalha a questão da igualdade. A negritude é abordada somente em maio – data da Abolição da Escravatura – e em novembro, mês da Consciência Negra.

Embora seu pai, avô e tias também fossem professores, Marth observa que foi uma criança pobre, que viveu no gueto e fazia seus próprios brinquedos. Perdeu os pais muito cedo e foi criado pelos avós.  

Diz ter consciência de ser negro desde os oito anos. Estudioso, passou em primeiro lugar para história na faculdade Upis, foi aluno de Dulcina de Moraes [1908-1996] e também foi aprovado em terceiro lugar para advocacia pela faculdade UDF, mas optou pela área educacional. Mesmo assim, era sempre o “negrinho” que rompia as correntes nas peças de teatro.

Marth afirma existir discriminação dentro da própria raça. “Sempre namorei mulheres brancas”, diz. “Quando tentei namorar uma negra, ela disse que preferia branco.” O professor, que acabou se casando com uma negra, foi eleito diretor do Gisno com 98% dos votos da comunidade escolar.  

Assessoria de Comunicação Social

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