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Inclusão

Universidade prepara processo seletivo para estudantes surdos

  • Segunda-feira, 26 de setembro de 2016, 11h57
  • Última atualização em Segunda-feira, 26 de setembro de 2016, 16h11


A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) estuda a implantação de um processo seletivo especifico para o ingresso de pessoas surdas na educação superior, com provas aplicadas na língua brasileira de sinais (Libras). Em diálogo com a comunidade dos deficientes auditivos, foi escolhido o curso de educação física, noturno, para a primeira seleção, prevista para o segundo semestre de 2017. Em seguida, devem ser ofertados cursos de artes visuais, administração, engenharia de alimentos e gastronomia.

No processo seletivo, há a expectativa de os estudantes expressarem conhecimentos na língua materna e serem avaliados pelo mesmo método. De acordo com a presidente da comissão especial criada para discutir o tema, Ivana Gomes da Silva, os alunos surdos formados no ensino médio têm capacidade e competência para entrar na faculdade, só precisam ser avaliados de forma que valorize a competência e esforço de cada um. “Eles conhecem os conteúdos, mas estudaram o ensino médio em Libras”, diz a professora, ao defender a criação do processo seletivo específico.

Ivana considera fundamental garantir a democratização do acesso, aliada à permanência. Ela cita estratégias de atendimento, como suporte pedagógico aos professores, trabalho de apoio com os colegas e oficinas de Libras. Atualmente, quatro estudantes surdos de graduação, dois de doutorado e três do corpo docente fazem parte da comunidade acadêmica da UFPel.

Programa — A diretora de políticas de educação especial da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) do Ministério da Educação, Patrícia Neves Raposo, lembra que o objetivo da escolarização em todo seu fluxo é o ingresso na vida profissional. “O que desejamos é o êxito no processo escolar para que nossos jovens alcancem os níveis mais elevados dessa escolarização e o mercado de trabalho, com uma vida cidadã, produtiva e ativa”, destaca. Ela cita o programa Incluir, criado em 2005 e efetivado em 2007, como um dos responsáveis pelo aumento no número de alunos com deficiência nas instituições de educação superior públicas e particulares do país.

Presente em 63 instituições federais, o programa Incluir torna disponíveis núcleos de acessibilidade, nos quais são oferecidos materiais e recursos didáticos específicos para professores e estudantes.

De 2003 a 2015, segundo dados do Censo da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), o número de estudantes com deficiência aumentou de 5.078 para 33.475 nas instituições públicas e particulares. Patrícia atribui esse aumento à mobilização da sociedade em relação aos direitos das pessoas com deficiência. “Justamente pelas dificuldades do processo seletivo e pela necessidade de apoio, precisamos conhecer as necessidades da educação especial”, afirma. “É nesse movimento que teremos uma linha bem-sucedida.”

Assessoria de Comunicação Social

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