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Educação profissional e tecnológica

Avaliação destaca a educação dos Cefets

  • Quarta-feira, 10 de setembro de 2008, 12h44
  • Última atualização em Quinta-feira, 11 de setembro de 2008, 05h54

Professores bem qualificados, trabalho em equipe e laboratórios para aulas práticas estão entre os itens que destacaram três centros federais de educação tecnológica (Cefet) num grupo de 131 centros universitários avaliados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). No Índice Geral de Cursos (IGC), que mede a qualidade da graduação, mestrado e doutorado, os Cefets de Santa Catarina, do Rio Grande do Norte e de Bambuí, em Minas Gerais, ocupam as três primeiras posições. A pontuação destas escolas é quatro, numa escala de zero a cinco.

Com o maior quadro de doutores entre os três centros com melhor classificação no IGC – são 74 professores com doutorado –, o Cefet de Santa Catarina tem na qualificação dos seus profissionais um dos trunfos que lhe conferiram o primeiro lugar, com 380 pontos, numa escala de zero a 500.

Na avaliação da diretora do Cefet, Consuelo Sielski Santos, não só a qualificação permitiu alcançar o bom resultado, mas, principalmente, “o trabalho em equipe, que é muito forte na instituição”. Consuelo destaca outros fatores decisivos: as práticas pedagógicas, os laboratórios e o apoio do governo federal para dotar o centro de infra-estrutura e transformá-lo em Instituto Federal de Educação Tecnológica (Ifet).

Criada em 1909, e transformada em Cefet em 2002, a instituição tem hoje 5.200 alunos em cursos regulares de ensino médio, ensino técnico integrado e superior. Na graduação são nove cursos. Oferece também formação inicial e continuada, além de ter 200 alunos em cursos de educação a distância em pólos da Universidade Aberta do Brasil (UAB). Tem 520 professores, sendo 50% com pós-graduação. Em 2009, o Cefet vai abrir seu primeiro mestrado profissional em mecatrônica, curso já aprovado pela Capes.

Hoje a instituição tem seis unidades. A sede fica em Florianópolis (ilha) e as unidades em Coqueiros e São José (região metropolitana), Joinville e Jaraguá (norte do estado), Chapecó (oeste) e Araranguá (sul). No projeto de expansão da rede federal tecnológica, o Cefet de Santa Catarina terá mais seis unidades: Itajaí, São Miguel do Oeste, Canoinhas, Lages, Criciúma e Gaspar. No final de 2009 está prevista a inauguração de uma unidade em Palhoça (região metropolitana de Florianópolis) que vai trabalhar exclusivamente com formação inicial, continuada e pós-graduação em língua brasileira de sinais (Libras) e português.

Cefet Rio Grande do Norte - Com 366 pontos, a segunda maior pontuação, o Cefet do Rio Grande do Norte apresenta uma série de itens que justificam a qualidade da educação ministrada. De acordo com o diretor da instituição, Belchior de Oliveira Rocha, não existe um segredo, mas uma série de decisões, compromissos e práticas acadêmicas. Belchior destaca como item número um a qualificação dos professores e dos técnicos que trabalham no centro. Dos 500 professores, 255 têm pós-graduação e os demais têm especialização. Para concorrer à vaga de professor substituto, o título mínimo exigido é de mestre na área de trabalho.

Pelo menos seis outros itens contribuem para a boa nota no IGC: laboratórios que dão suporte aos cursos; trabalho da equipe pedagógica junto a professores, servidores e estudantes; projeto político-pedagógico dirigido ao atendimento da realidade estadual; avaliação institucional anual; empenho do corpo docente; pesquisa, extensão e produção científica.

O Cefet Rio Grande do Norte tem 15 mil alunos, sendo 8 mil em cursos regulares, de graduação e pós-graduação, e os demais em cursos técnicos e de formação inicial e continuada. A graduação tem 11 cursos – oito de tecnologia e três de licenciatura e quatro cursos de pós-graduação – em licenciamento ambiental, gestão ambiental, educação de jovens e adultos e educação profissional e tecnológica. Trabalham no Cefet 500 professores, dos quais 55 têm doutorado, 200 têm mestrado e os demais com especialização na área em que atuam.

Com 99 anos de história, mas transformado em Cefet em 1999, o centro tem a sede e uma unidade em Natal e unidades em Ipanguaçu, Mossoró e Currais Novos. O plano de expansão da rede federal tecnológica promovido pelo governo federal prevê a construção de mais seis unidades no interior do estado – Macau, Apodi, Pau de Ferros, Caicó, Santa Cruz e João Câmara.

Bambuí – Está no centro-oeste de Minas Gerais, no limite com o triângulo mineiro, o Cefet Bambuí, uma escola de pequeno porte, mas que se destacou na avaliação do Inep pela qualidade da educação que oferece. O centro tem 2.400 alunos em cursos técnicos, nove cursos superiores e três especializações, além de cursos de formação continuada de educação profissional integrada para jovens e adultos.

Os cursos superiores de tecnologia são nas áreas de alimentos, gestão em turismo, análise e desenvolvimento de sistemas, informática aplicada ao agronegócio, administração de pequenas e médias empresas, zootecnia e agronomia. Lecionam em Bambuí, que é a sede, e na unidade de Formiga, 105 professores, dos quais 20 têm títulos de doutores. De acordo com o diretor do Cefet, Washington Santos Silva, a maioria dos professores da instituição está em cursos de mestrado ou fazendo doutorado. Para ele, a qualificação do corpo docente explica parte do sucesso obtido pela escola nas avaliações do Inep. Contribuem também as aulas práticas intensivas na maioria dos cursos, especialmente nas ciências agrárias.

Washington diz que para melhorar a pontuação será preciso ter mais laboratórios para as licenciaturas de física, zootecnia, agronomia e computação. Mas as carências, explica, não diminuíram o entusiasmo dos profissionais e alunos da escola. “O empenho é tanto que somos capazes de tirar água de pedra”, diz. O Cefet Bambuí obteve 358 pontos e é o terceiro entre 131 centros universitários avaliados.

IGC - Na segunda-feira, 8, o Inep divulgou o Índice Geral de Cursos (IGC) de 173 universidades, 131 centros universitários e 1.144 faculdades isoladas e integradas. Os valores vão de zero a 500 e as faixas de um a cinco. O Inep usou, para o cálculo do indicador, a média dos Conceitos Preliminares de Cursos (CPCs) da instituição (componente relativo à graduação) e o conceito fixado pela Capes para a pós-graduação. A média dos conceitos dos cursos é ponderada, de acordo com o número de matrículas dos alunos na graduação, mestrado e doutorado.

Ionice Lorenzoni

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