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Educação profissional

Marabá terá escola técnica em área de assentamentos rurais

  • Terça-feira, 09 de junho de 2009, 16h21
  • Última atualização em Terça-feira, 28 de julho de 2009, 15h55

Marabá – Duzentas e cinquenta famílias de assentados rurais de Marabá (PA), a 600 quilômetros de Belém, aguardam com ansiedade a construção da sede do campus rural da escola técnica local. Criado em 2007, atendendo à reivindicação de assentados, para qualificar os trabalhadores do campo e seus filhos, o campus ficará bem próximo das famílias rurais, dentro da área de assentamentos onde moram. O processo de licitação da construção da sede foi aberto esta semana.


Assentado Elias Lucena quer que os filhos estudem e aprendam técnicas para ajudar na lavoura (Foto: Maria Clara Machado)A partir de 2010, quando estiver pronta, a escola oferecerá cursos técnicos em agropecuária, agroindústria e agrofloresta e atenderá 1,2 mil alunos. Todos os cursos serão integrados ao ensino médio. A intenção é formar pessoas que possam contribuir para o desenvolvimento da produção familiar sustentável.


“Muitos jovens abandonam as cidades porque não têm perspectivas. Queremos que empreguem em seus lotes os conhecimentos adquiridos”, diz o diretor geral do campus rural, Antônio Cardoso, em referência aos filhos das famílias de assentados rurais que moram em loteamentos oriundos do processo de reforma agrária.


O pequeno agricultor Elias Lucena, de 35 anos, mora num dos lotes do assentamento, tem cinco filhos e espera que o mais velho, de 16 anos, possa cursar o ensino médio e ajudar na plantação. “Ele vai estudar pra ajudar a gente naquilo que temos dúvida e facilitar nossa vida. Quero plantar banana e açaí”, diz.


Todos os cursos terão um viés ecológico, baseado no manejo sustentável do solo, no reflorestamento com espécies nativas da região amplamente desmatada e na produção de alimentos livres de agrotóxicos. “A região sul e sudeste do Pará concentra o maior número de assentados do estado, com cerca de 80 mil famílias e 500 assentamentos”, ressalta o diretor. “Na área da escola mesmo, já houve crime ambiental, trabalho escravo e até assassinatos”, lembra.


Na visão de Cardoso, implantar a escola de acordo com as demandas das comunidades locais do campo – além de assentados, há ribeirinhos, extrativistas, agricultores, indígenas e quilombolas – representa mudar o contexto de uma área de 10 mil hectares, antes ocupada por apenas uma família. “Hoje, são 250”, comemora.


Na própria região dos assentamentos, Cardoso conta que há grande área desmatada e os moradores não conhecem as técnicas do manejo sustentável. “Meus garotos vão estar aqui dentro, na escola. Quero que aprendam a nos orientar para plantar melhor, sem desmatar. A gente sabe que a partir do momento que desmata, gasta com veneno e ainda prejudica a saúde”, destaca Elias.


Cursos - Mesmo sem sede, o campus rural iniciou nessa segunda-feira, 8, a formação de 35 educadores pelo programa Projovem Campo – Saberes da Terra. Eles terão aulas nas instalações da Universidade Estadual do Pará. Além dos educadores, também receberão formação, por meio do primeiro curso de licenciatura do campo da região, 60 professores da educação básica que lecionam sem graduação nas áreas rurais de 12 municípios distantes até 200 quilômetros de Marabá, dentro da região administrativa de Carajás. Os professores a serem formados em licenciatura do campo foram indicados pelos municípios. Os dois cursos foram possíveis graças à abertura de editais pelo Ministério da Educação com recursos para a contratação de professores.


A contratação de professores efetivos e o início das aulas dos cursos fixos dependem da licitação da sede. “As obras devem começar em agosto”, prevê Cardoso.

Instituto – A escola agrotécnica federal de Marabá foi criada em 2007, dentro da fase I de expansão da rede federal de educação profissional e tecnológica. Em 2008, tornou-se campus rural de Marabá, ligado ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará.

Maria Clara Machado

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Assunto(s): Escola técnica , Setec
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