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Educação básica

Professor: formação para atuar no campo

  • Quinta-feira, 20 de novembro de 2008, 09h05
  • Última atualização em Quinta-feira, 20 de novembro de 2008, 11h18

“A saudade dói, mas temos de nos arriscar para garantir um futuro melhor para nós e para a nossa comunidade”, diz Lucimário do Carmo de Paula, de Formosa, Goiás. Ele é um dos 55 alunos do curso de licenciatura em educação do campo que teve início na última semana de outubro, no campus de Planaltina da Universidade de Brasília (UnB). Casado, 30 anos, dois filhos, Lucimário sabe que não será fácil ficar longe da família, mas está convicto de que o sacrifício vai valer a pena. “É difícil ter uma oportunidade igual a essa”, salienta.

O curso, com duração de quatro anos (3.525 horas de aula), adota a estratégia de tempo-escola e tempo-comunidade. Ou seja, os alunos passam cerca de 60 dias na instituição, em regime de internato, com oito horas diárias de atividade, e 120 dias na comunidade onde vivem. No período de aulas, ficam hospedados na Escola Técnica de Planaltina. “Queremos garantir que o acesso à educação superior não seja condição que obrigue os estudantes a deixar de viver e morar no campo”, explica a coordenadora da licenciatura na UnB, Mônica Castagna Molina.

Os estudantes são oriundos da área rural e querem atuar no campo. “Essa licenciatura é parte da estratégia do governo federal de criar táticas para possibilitar a expansão da oferta da educação básica no campo, formar mais educadores e garantir que tenham a titulação exigida pela legislação educacional brasileira”, salienta Mônica.

Os integrantes da turma provêm de 20 comunidades rurais das cidades-satélites do Gama, Planaltina, Recanto das Emas e São Sebastião (DF); dos municípios de Cavalcante, Formosa e Planaltina (GO); Barra do Bugres e Tangará da Serra (MT) e Anastácio, Angélica e Ponta Porã (MS).

O curso vai formar educadores para trabalhar nos anos finais do ensino fundamental e médio. A diferença é a formação para a docência multidisciplinar. O diplomado será habilitado para atuar como professor em uma das grandes áreas do conhecimento (artes, literatura e linguagens e ciências da natureza). Poderá, assim, lecionar em mais de uma disciplina da área que escolher.

Oportunidade — Para Luernandi Alves de Miranda, 21 anos, de Barra do Bugres, fazer o curso é uma maneira de ajudar a desenvolver projetos dentro da comunidade onde reside. Morador de um sítio, com os pais e cinco irmãos, onde se cultivam bananas, ele é o único da família a ter a oportunidade de fazer um curso superior. “Meus pais acharam muito bom eu poder participar,” destaca.

A expectativa de Rosana da Silva Moreira, 23 anos, casada, uma filha e novamente grávida, é, depois de formada, levar um ensino melhor a quem mora no campo. “Meu marido não gostou muito da idéia de eu ficar tanto tempo fora de casa, mas ele acaba se acostumando”, aposta Rosana, moradora do assentamento Antônio Conselheiro.

“A zona rural precisa de professores que gostem de estar lá e que abracem mesmo a causa”, destaca Núria Renata Alves Nascimento, 27 anos, solteira, moradora da comunidade calunga de Engenho II, em Cavalcante. Professora concursada do estado, em caráter temporário, ela dá aulas na comunidade desde 2004. “Adoro dar aulas. É a minha paixão.”

A licenciatura em educação no campo da UnB é um projeto do Programa de Apoio à Formação Superior em Licenciatura em Educação do Campo (Procampo), da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (Secad). Além da UnB, participam do Procampo as universidades federais de Minas Gerais, da Bahia e de Sergipe.

Saiba mais sobre educação no campo no Jornal do Professor.

Fátima Schenini

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Assunto(s): mec , notícias , jonalismo , matérias
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