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Trilhas da Educação

Mulher volta a estudar com incentivo da filha e troca ofício de doméstica pelo de professora

  • Sexta-feira, 25 de agosto de 2017, 10h54
  • Última atualização em Sexta-feira, 25 de agosto de 2017, 11h18

A aprovação de Vanessa no Enem, há cerca de oito anos, foi o ponto inicial para o retorno aos estudos (Arte: ACS/MEC)De diarista, Vanessa Andreotti, 37 anos, passou a professora efetiva na rede municipal de ensino na cidade de São Paulo. A guinada na vida veio após o incentivo da filha mais velha, Jéssica Andreotti, para que ela voltasse a estudar. Na época Jéssica tinha 15 anos e cursava o ensino médio, escolaridade máxima adquirida pela mãe, que decidiu trabalhar como empregada doméstica após o marido ficar desempregado.

Vanessa sempre se esforçou para se manter informada e dar educação digna às filhas, e, como forma de garantir acesso a materiais de leitura para sua família, recolhia do lixo dos patrões revistas, livros e jornais e levava para casa.

“A gente não tinha acesso. O que a gente lia eram as revistas que os patrões jogavam no lixo. O lixo dos meus patrões era o nosso material de estudo”, comentou Vanessa. Foi quando, vendo o empenho da mãe, Jéssica sugeriu que ela voltasse à sala de aula. “Eu não acreditava mais em mim. Tinha feito um ensino médio muito mal feito, eu não acreditava que era possível e a Jéssica me ajudou. Muita coisa eu já não me lembrava, já não sabia. Então sentava ao lado dela. Estudávamos juntas”, recordou.

Foi assim que surgiu a ideia de prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Ao passar, Vanessa procurou um curso que lhe permitisse contribuir com o aprendizado de tantas outras pessoas. Ela escolheu pedagogia. “Quando eu fui vendo a mudança na vida da minha filha, eu pensei: poxa, eu vou ser professora, eu quero poder falar que a educação pode fazer a diferença na vida. Foi aí que eu escolhi fazer pedagogia”, lembra Vanessa.

A aprovação de Vanessa no Enem ocorreu há cerca de oito anos. Pouco tempo depois de ser formar ela prestou concurso para a rede pública de ensino paulista. Fez pós-graduação e ainda segue os estudos na área. A filha cursa, atualmente, os últimos anos de Matemática da USP e é trainee em uma grande rede bancária.

“Hoje eu sei que todos nós somos dotados de conhecimento, cada um com uma habilidade, cada um com uma área”, disse a pedagoga Vanessa Andreotti, que comemora cada conquista depois de tempos difíceis. A filha caçula, Jennifer Andreotti, 17 anos, segue os passos da mãe e da irmã e, prestes a terminar o ensino médio, pretende fazer ciências sociais. O marido de Vanessa, Luiz Andreotti, não ficou de fora e se prepara para a edição deste ano do Enem. Ele quer estudar história.

“As pessoas, às vezes, ficam sentada esperando a oportunidade bater na porta. Acho que, se correr atrás, existem várias. E depois disso, tem que entrar de cabeça mesmo e trabalhar. E por meio da educação, com certeza se consegue, sim, a mudança de vida”, disse Jéssica Andreotti, que há oito anos plantou a semente da persistência nos estudos dentro da família dela. O mesmo sentimento é replicado em sala de aula pela mãe, Vanessa: “Eu tenho levado isso para a sala de aula, para os meus alunos. A questão de como trabalhar, como falar, como escrever, como se portar e acreditar”, disse, ressaltando o amor que tem por dar aula.

Assessoria de Comunicação Social 

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