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Profissão Professor

Tempo integral estimula criatividade do professor e novos projetos enriquecem ensino

O profissional da educação é personagem de uma série de reportagens do Portal do MEC. Nesta quinta e última matéria, o assunto são as escolas em tempo integral, que criam uma nova relação entre estudante e professor

  • Quinta-feira, 19 de outubro de 2017, 09h08
  • Última atualização em Quinta-feira, 19 de outubro de 2017, 13h10

Professores do ensino médio em tempo integral estão usando a criatividade para promover maior integração dos alunos (Foto: Arquivo/MEC)
Na ampliação das horas dentro dos muros escolares, um novo perfil de professor surge. O incentivo ao ensino em tempo integral, proposto pelo Ministério da Educação para preencher lacunas na aprendizagem, permite a eles um exercício pleno da profissão, com mudanças cruciais e qualitativas, que vão desde a possibilidade da dedicação exclusiva, ao espaço para o desenvolvimento de projetos inovadores que potencializem a prática de um ensino atento às mudanças sociais.

O estado de Pernambuco foi um dos primeiros na implantação desse perfil de escola, à época em que o atual ministro da Educação, Mendonça Filho, ocupou os cargos de governador e vice-governador (1999-2006). “Eu vivi isso em Pernambuco. Há 13 anos o estado ocupava a 21ª posição no ranking do Ideb (índice de desenvolvimento da educação básica) e hoje tem uma excelente posição no Ideb nacional”, disse o ministro, durante evento em Salvador em agosto passado, quando debateu propostas do Novo Ensino Médio.

Até 2020, serão investidos, via Política de Fomento à Escola em Tempo Integral, R$ 1,5 bilhão na implementação do modelo de escola em tempo integral proposto pelo MEC. Mais que uma alteração no relógio, uma “mudança cultural”, como define o diretor de currículo e ensino integral e coordenador-geral de ensino médio do MEC, Wisley Pereira, e cujo sucesso depende dos professores.

“Dentro deste programa o professor assume ‘n’ papéis, e o principal é o de transmitir aos jovens a importância de uma dedicação integral aos estudos. Muitos podem pensar que deveriam estudar só meio expediente e fazer outras coisas no outro. Cabe ao professor mudar esta mentalidade e mostrar o quão importante é este momento na vida desses jovens, ensiná-los a olhar o futuro”, argumenta Wisley.

 Um dos exemplos de sucesso dessa política de fomento à escola em tempo integral em Pernambuco aconteceu na vida de pessoas como Lucielle Laurentino, 28 anos. Natural do Agreste, ela integrou a primeira turma da segunda escola em tempo integral aberta naquele estado, a Escola de Referência de Bezerros, e lá, a estudante, criada pela avó analfabeta, descobriu a pedagogia como vocação. “Eu não sabia da importância que aquela escola teria para mim”, resume.

Hoje, como educadora, enxerga como maior benefício desse modelo a aproximação entre aluno e professor. “A escola em tempo integral permite ao professor cuidar do estudante em todas as suas dimensões, o que eu não tinha na minha escola de quatro horas regulares e nem minha família tinha condições de me oferecer. Hoje eu vejo que para o professor existe o desafio da adaptação e do envolvimento, mas isso permite resgatar o amor pela educação e o amor pelas pessoas”, diz.

Com esta política a carga horária das instituições de ensino que aderirem ao programa passa de 800 para 1,4 mil horas anuais. “Ampliar o tempo e fazer mais do mesmo é conduzir ao desespero de um ensino médio que afasta os jovens. O MEC não está preocupado somente na transferência de recursos, mas na formação de professores e no currículo”, comenta Pereira. Há dez anos, quando ingressou na Escola de Referência de Bezerros, Lucielle via os primeiros sinais dessa mudança profissional.

Eletivas – Comuns no ensino superior, as disciplinas eletivas têm movimentado as escolas em tempo integral. Ao professor cabe o desafio de pensar propostas atrativas para os estudantes e que contribuam com a formação deles. Ensinar o debate foi o que quiseram os professores de filosofia Cleber Fernando Xavier e de português Ângela Rubira, quando criaram a eletiva Gladiadores da Palavra. Nela, estudantes de diferentes pontos de vista se reúnem em um campeonato de argumentações e contra-argumentações.

“A gente pode desenvolver este projeto por ser uma escola de tempo integral. Nossa intenção era fazer um projeto de debates em forma de um torneio. Além de incentivar a pesquisa e elaboração de temas, queríamos criar um jogo”, explica o professor Cleber. Ele conta que no início era apenas um aluno discursando, seguido de outro que tentava descontruir o argumento do colega. Aos poucos a disciplina ganhou forma com ajuda dos estudantes.

Xavier comenta que a ampliação do horário escolar, ao mesmo tempo em que é um desafio, permite a implantação de propostas que não seriam viáveis no modelo anterior. “A escola estava reduzida a preparar o aluno para uma prova e isso diminui as chances de pensar outras atividades. No Gladiadores da Palavra a gente percebe o desenvolvimento dos estudantes do ponto de vista humano. Então a escola em tempo integral permite projetos alternativos e abre espaço para o professor criar”, observa. Esta é apenas uma das várias propostas que se multiplica nas salas de aula onde os professores já vivenciam o desafio do tempo integral e se tornam condutores da mudança.

Projeto – Dentro das escolas em tempo integral, o Projeto de Vida é uma disciplina que ensina os estudantes a construir um plano de carreira para si. Ao professor, cabe apoiá-los na descoberta de seus potenciais e no desenvolvimento de competências exigidas no mundo do trabalho, incentivando passos para além do ensino médio.

“O objetivo da mudança é realizar o sonho dos estudantes a partir do projeto pedagógico da instituição, e quem faz essa mediação da aprendizagem e garante o sucesso dos estudantes é o professor. Então, ao mesmo tempo em que eles são atores principais no processo de ensino e aprendizagem, também são coadjuvantes”, diz Wisley Pereira.

Na Escola Estadual Educador Pedro Cia, em Santo André, São Paulo, a diretora Cleide Mara Della Torres, de 62 anos, é uma das maiores incentivadoras do programa. Ela criou dentro da instituição clubes estudantis que reúnem os alunos por afinidades, como tocar violão ou gostar de matemática e, a partir disso, leva os jovens a refletir sobre o que gostam de fazer e que profissões poderiam seguir com base no talento que apresentam.

“O aluno pensa em seu projeto de vida desde o primeiro ano. Tem uma aula de preparação acadêmica e ali ele forma um dossiê: como é que vai concretizar aquilo que projetou”, explica a professora, que acredita ser esta uma forma de colocar em prática uma das funções primeiras da pedagogia, que é ensinar para a vida.

De acordo com o último Censo Escolar, até meados de 2016, o número de matrículas no ensino integral no país era de 308 mil e a estimativa do MEC é de que sejam alcançadas 520 mil matrículas em 1.088 escolas em todo o país até 2020. A Política de Fomento à Escola em Tempo Integral garante apoio às redes estaduais por 10 anos e já foram repassados R$ 230 milhões.

Os números mostram a boa adesão que o programa tem encontrado nos estados. A previsão para o primeiro ano desta política era de 149 mil matrículas, mas 105 mil já foram efetivadas. Isso corresponde a mais de 72% da meta inicial.

 

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Reportagem: Júlia Schiaffarino
Edição: Alexandre Marino 

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