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Campus da UFPE chega ao Agreste

  • Quarta-feira, 27 de junho de 2007, 07h00
  • Última atualização em Terça-feira, 03 de julho de 2007, 14h39

Caruaru (PE) — A primeira das quatro etapas das obras do campus do Agreste da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) terminou recentemente. Mas o campus funciona desde o início do ano em salas improvisadas do pólo comercial de Caruaru, a 135 quilômetros de Recife. Dois vestibulares foram realizados, com vagas para os cursos de design, administração, economia, engenharia civil e pedagogia.

 Há maior procura pelos cursos de design, administração e economia, segundo o vice-diretor do campus, Nélio Vieira de Melo. “A demanda por design é grande porque a indústria de moda aqui é muito forte”, destaca Melo.

No início, esperavam-se apenas candidatos da região do Agreste e da Zona da Mata. Mas os dois vestibulares foram muito concorridos. Chegaram candidatos de todos os lugares, principalmente de Recife. “Para favorecer o estudante da região, criamos um bônus de incentivo à interiorização. O aluno de baixa renda que tiver cursado o ensino médio no interior tem um acréscimo de 10% em sua nota do vestibular”, conta Melo. A universidade também organizou um cursinho nos fins de semana para ajudar o estudante da escola pública a se preparar.

Aluna do segundo período de pedagogia, Girleide Torres Lemos, 20 anos, terminou o ensino médio em escola pública, mas não usou o bônus para conseguir a vaga — ele só passou a existir depois da aprovação da estudante. Para Girleide, a criação do campus em Caruaru possibilitou a continuação dos estudos. “Precisaria ter dinheiro para ir a Recife e disponibilidade de tempo muito maior para o deslocamento”, observa a aluna, que mora em Vila Murici, na área rural de Caruaru, a 30 minutos de ônibus da universidade.

Como trabalha no período da manhã, Girleide não teria tempo para trabalhar, estudar e ainda participar de pesquisas de extensão, caso tivesse de se deslocar até Recife. “Sem a interiorização, eu não teria condições de estudar”, diz. Como bolsista de extensão, a estudante recebe R$ 200 mensais, que usa para pagar o transporte até a faculdade.
Aulas — Girleide é professora da rede municipal. “Ensino crianças entre sete e 11 anos, num curso multisseriado”, explica. Nas aulas multisseriadas, alunos de faixas etárias e séries diferentes aprendem num mesmo ambiente. Ela é concursada e acredita que as aulas de pedagogia a ajudaram a passar no concurso. “Tudo o que aprendi no primeiro período caiu na prova. Os alunos das escolas particulares estão vendo o mesmo conteúdo lá pelo quinto período”, avalia Girleide. Ela recebe R$ 429 por 20 horas semanais de trabalho.

Diferente de Girleide, Bruno Alves, 17 anos, estudante do primeiro período de engenharia civil, diz que teria condições financeiras de estudar em Recife caso não houvesse a opção do ensino superior federal em Caruaru. “Preferi ficar perto de casa”, revela Bruno. Para ele, a maior vantagem da interiorização foi levar à região ensino de qualidade. “Tenho certeza de que o ensino federal é melhor do que o privado”, avalia.

O vice-diretor Nélio Melo concorda que há diferenças entre o ensino público e o privado. Professor de filosofia, ele trabalhou por 11 anos na rede privada. “Tinha oito turmas com até 70 alunos. Não havia condição de avaliar qualitativamente o estudante”, conta. “A universidade federal prevê mais tempo para o professor atender o aluno”, destaca.

O campus de Caruaru atende hoje 645 alunos, mas deve chegar a 1,2 mil com os dois vestibulares previstos para o ano que vem. Há 60 professores, entre assistentes e adjuntos, cujos salários variam de R$ 3 mil a R$ 5.190. Para setembro, está prevista a contratação de mais 30 professores.

Maria Clara Machado

Assunto(s): mec , notícias , jonalismo , matérias
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