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Educação e saúde

Ginecologista da Rede Ebserh explica os cuidados às gestantes durante a pandemia

  • Terça-feira, 14 de abril de 2020, 18h41
  • Última atualização em Quarta-feira, 15 de abril de 2020, 10h14

Grávidas de alto risco e puérperas requerem cuidados especiais no período

Gestantes de alto risco e puérperas (pós-parto) entraram para a lista do grupo de risco da Covid-19. A inclusão ocorreu na última sexta-feira, 10 de abril, após o registro de mortes de mulheres grávidas no país, algumas inclusive sem doenças preexistentes e com histórico de vida saudável. O Ministério da Saúde já havia publicado o fato em seu boletim epidemiológico, e taxado como fundamental o isolamento social para gestantes e puérperas.

Ricardo Cobucci é ginecologista e obstetra da Rede Ebserh. O médico atua na Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC), instituição da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) vinculada à Rede Ebserh. Segundo o especialista, todo cuidado é pouco, até porque durante a gestação há queda da imunidade, fator que predispõe o surgimento de quadros graves de Covid-19.

“A condição de vulnerabilidade emocional, o fato de não saber quando este período de quarentena vai passar, se vai durar toda a gestação, só aumenta a ansiedade da gestante e requer cuidados”, explicou.

Leia abaixo a entrevista com o especialista:

Ebserh - Quais riscos a grávida corre neste período de pandemia?

Ricardo Corbucci - São os mesmos que toda população corre. O risco de contaminação é alto se não seguirem as orientações que o Ministério da Saúde e a Organização Mundial de Saúde (OMS) preconizam: lavagem das mãos com água e sabão frequentemente; uso de álcool em gel a 70% em situações que não for possível lavar as mãos com água e sabão; usar máscara quando for, extremamente, necessário se deslocar nas ruas, seja para uma consulta de pré-natal, para a realização de exames ou uma ida até a maternidade; manter o isolamento social, ficando em casa; evitar contato próximo e íntimo com as pessoas como abraço e aperto de mão; afastar-se de pessoas do grupo de risco, como idosos e as próprias gestantes; em casa, ter medidas de higiene como a lavagem de frutas e verduras, dos ambientes com desinfetantes e a higienização das superfícies dos móveis com álcool 70%; pessoas que vierem de fora de casa devem ter cuidados com relação à entrada com roupas contaminadas; preferencialmente, evitem receber visitas.

Ebserh - Qual fase da gestação requer mais cuidado?

Corbucci - Não existem evidências científicas que comprovem a fase que exige mais cuidado. A recomendação é que, durante toda a gestação, o cuidado seja grande, para não ocorrer contaminação, uma vez que o risco de contágio pelo vírus é alto para qualquer pessoa. A Covid-19 ainda é uma doença desconhecida, para nós, médicos, no que tange às reações que podem ser geradas, tanto no início quanto no final da gestação. Mas já há evidências que em gestantes há maior risco de pneumonia grave causada pelo vírus.

Ebserh - Assim como o restante da população, a grávida deve evitar ir ao hospital ou consultório médico? Como fazer para monitorar o bebê nesse período?

Corbucci - Sabemos que o pré-natal é fundamental para a saúde da mãe e do bebê, mas em um período de pandemia como este que estamos vivendo, é importante ressaltar a necessidade do isolamento social, reduzir as idas ao médico, realizar o pré-natal de uma forma mais espaçada. Exames laboratoriais e de ultrassom, por exemplo, só devem ser realizados em último caso, com extrema indicação médica.

Atualmente, a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia recomenda uma consulta presencial com médico e enfermeiro até o terceiro mês, para identificar riscos; a segunda entre 5 e 6 meses; outra entre 7 e 8 meses; e a última, próxima à data provável do parto.

Claro, que se houver algum tipo de intercorrência, ou for o caso de uma gestação de alto risco, ou estiver apresentando sintomas da Covid-19, como febre alta, dores no corpo, cansaço, secreção nasal, tosse seca, espirro, é importante que a paciente não subestime esses sintomas e procure uma Unidade Básica de Saúde mais próxima de sua casa ou até mesmo dirija-se até a emergência da maternidade. Mas, se puder esperar ou não esteja apresentando sintomas, ficar em casa é mais seguro tanto para a mãe como para o bebê.

Ebserh - No caso de gestantes portadoras de alguma doença crônica virem a ser contaminadas, a situação pode se agravar?

Corbucci - Nas gestantes portadoras de doenças crônicas como hipertensão, diabetes e asma, os riscos para evoluírem para o quadro grave da infecção pelo coronavírus é muito maior, assim como é para as demais pessoas que possuem doenças crônicas. Essas pacientes precisam frequentar o pré-natal de alto risco, conversar com o médico e solicitar que sejam afastadas de suas atividades profissionais.

No primeiro sintoma de quadro gripal como, febre, espirros, nariz escorrendo e dor no corpo, elas devem procurar a emergência da maternidade para serem atendidas. Se confirmado o diagnóstico de Covid-19, deve ser iniciado o tratamento, evitando, assim, a evolução do quadro.

Ebserh - Após o parto, quais os cuidados que a puérpera e o recém-nascido devem ter?

Corbucci - Ter coronavírus não significa ter que fazer cesariana. A recomendação para as mães que já tiveram seus filhos por parto normal ou cesariana é que fiquem em um quarto isolado, sendo acompanhada apenas por uma pessoa da família. Não é recomendada a troca de acompanhante, que também precisa ter todos os cuidados de higiene como a lavagem de mãos e o uso de máscara.

Com relação à alta hospitalar, se correr tudo bem, a paciente poderá receber alta após 24 horas de parto normal e 36 horas após cesárea. Não é proibido amamentar o bebê, mas é importante ter cuidados com a higienização como: lavar as mãos com água e sabão, antes e após a amamentação e a ordenha do leite, usar máscara durante as mamadas, lavar as mamas antes de amamentar e ordenhar o leite e higienizar com água e sabão o material utilizado na ordenha.

Em casa, a recomendação é manter o berço a uma distância aproximada de 2 metros da cama da mãe, higienizar as roupas do bebê, evitar o contato íntimo de pessoas com o recém-nascido e, caso o bebê apresente algum sintoma de gripe, procurar imediatamente o médico. Os pais devem, sempre antes de tocar o bebê, lavar as mãos e colocar máscaras para evitar a contaminação dos filhos.

Assessoria de Comunicação Social, com informações da Ebserh

Assunto(s): MEC , Ebserh , coronavírus
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