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Trilhas da Educação

Professor desenvolve projeto que ajuda a mudar perfil de escola no interior de SP

  • Sexta-feira, 23 de março de 2018, 12h18
  • Última atualização em Sexta-feira, 23 de março de 2018, 12h18


O professor Diego Mahfouz Faria Lima, da rede municipal de ensino do município de São José Rio Preto (SP), finalista do Global Teacher Prize, mudou a realidade da Escola Municipal Darcy Ribeiro, no estado de São Paulo. Como diretor da instituição de ensino, ele realizou um trabalho de aproximação entre escola, alunos e comunidade, dando voz às partes e revertendo um quadro de indisciplina, bagunça e violência.

 O projeto que levou Diego à indicação foi o Minha escola: Reconstrução coletiva, que reduziu os altos índices de criminalidade e evasão que a escola registrava. Ele recorda que as diretoras que o antecederam não aguentaram os atos de indisciplina e selvageria dos estudantes e foram se afastando. Com isso, buscando resgatar a identidade da escola, ele foi promovido de professor a diretor, em janeiro de 2015.

Antes de ser agraciado como um dos melhores educadores do mundo, o professor de 30 anos vivenciou momentos de terror na Darcy Ribeiro. “Quando assumi a escola, peguei o microfone e disse: ‘Pessoal, pra começar eu não vou embora, vim pra ficar e quero ouvir vocês’. Aí passei o microfone a eles e falaram o que achavam da escola, que tudo era punição, suspensão, que ela era feia, que eles não eram ouvidos. Assim consegui ganhar os alunos”, contou.

Diego e sua equipe começaram, então, a promover atividades culturais, esportivas e de lazer para toda a comunidade, inclusive nos finais de semana. Mas, o mais importante para o sucesso, segundo o professor, foi dar a voz aos alunos. “Toda a mudança que realizamos fez com que a comunidade abraçasse a escola e a ajudasse a tomar conta desse espaço, que não é somente dos alunos”, destacou.

Como exemplo da experiência, ele explicou que atrás da escola havia duas áreas nas quais foram detectados pontos de tráfico intenso de drogas. A parede, revelou, parecia um queijo de tanto buraco para esconder os entorpecentes. O local foi revitalizado e, com ajuda da comunidade, surgiu uma praça de leitura coletiva.

Outra conquista foi a implantação de uma caixa de sugestões em que as contribuições são lidas uma vez por mês e a solução é buscada em conjunto. A união deu certo e a transformação fez com que, além da grande redução de violência entre os alunos, a evasão escolar na escola Darcy Ribeiro despencasse de 202 estudantes para apenas dois em 2017.

Diego diz ter iniciado no magistério “por acaso” e, 12 anos depois da primeira aula, já havia concluído três pós-graduações. Sobre o ingresso no quadro de servidores públicos de São José do Rio Preto, ele explicou que a atração por uma bolsa com o valor de um salário mínimo para quem passasse no concurso foi o que despertou seu interesse em fazer a prova do magistério.

“Eu não tinha pretensão nenhuma de ser professor. Uma amiga minha falou que ia fazer a inscrição para um concurso e me perguntou se eu queira acompanhá-la até o local. Chegando lá, eu ouvi ela falando que quem passasse ganharia uma bolsa de um salário mínimo. Achei interessante, me inscrevi e acabei passando”, lembrou.

A premiação, realizada em Dubai (Emirados Árabes Unidos) no último dia 18, consagrou a britânica Andria Zafirakou como a grande vencedora. Mesmo sem ter trazido para o Brasil o título de melhor educador do mundo, Diego Mahfouz se destacou por ter apresentado o êxito da experiência em uma premiação de nível mundial.

Vencedora - A britânica Andria Zafirakou, que além do título de melhor educadora do mundo levou para casa US$ 1 milhão, é formada em arte de design pela University College of London. Ela leciona em uma escola secundária no distrito de Brent, nos arredores de Londres, região com um elevado índice de imigração e com a segunda maior população de negros, asiáticos e outros grupos étnicos da Inglaterra.

Prêmio – O Global Teacher Prize é um prêmio internacional, considerado o Nobel da Educação, e concedido pela Varkey Foundation, uma organização sem fins lucrativos criada para promover a educação. Na edição 2018, o Brasil foi representado por dois participantes entre os 50 indicados, com Diego sendo selecionado entre os dez finalistas. Ao todo, a competição contou com mais de 30 mil inscritos de 173 países.

Assessoria de Comunicação Social

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