Ir direto para menu de acessibilidade.
Início do conteúdo da página
  • Hospitais e escolas participam de campanha de prevenção

    De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio é a única causa de mortalidade que não teve redução no número de casos nos últimos 50 anos. Porém, mesmo que o assunto ainda seja tabu, a divulgação de informações sobre o tema é uma das principais formas de combater o problema. A campanha Setembro Amarelo, criada em 2014 pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), tem o intuito de conscientizar sobre a prevenção do suicídio, com o objetivo de alertar toda a população sobre o assunto.

    Os dados são alarmantes. Segundo o CVV, 32 brasileiros se suicidam por dia no país, taxa superior às mortes causadas por câncer e Aids. De acordo com a OMS, nove em cada dez casos poderiam ser prevenidos. E, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 e 29 anos de idade, com mais de 800 mil casos por ano em todo o mundo.

    Para tentar combater esse problema de saúde pública, é possível contar com o auxílio de 28 hospitais universitários filiados à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), estatal vinculada ao Ministério da Educação. Os hospitais se concentram nas cinco regiões do país e oferecem tratamento psicossocial com equipes multiprofissionais que envolvem médicos psiquiatras, psicólogos e terapeutas. Para iniciar o acompanhamento, é preciso buscar a Unidade de Saúde Básica mais próxima e, após uma triagem, ser encaminhado para alguns dos hospitais que faz o tratamento. 

    “Segundo a Organização Mundial de Saúde, é possível prevenir o suicídio, desde que, entre outras medidas, os profissionais de saúde de todos os níveis de atenção estejam aptos a reconhecer os fatores de risco presentes, a fim de determinar medidas para reduzir tal risco”, afirma o psiquiatra Valdir Campos.

    O médico faz um alerta quanto a mudanças de comportamento em relação aos jovens. “A associação de sentimentos de desamparo com abuso de álcool e outras drogas pode ser letal. Por outro lado, as escolas e a comunidade devem promover a saúde, com campanhas que visem desconstruir estigmas e tabus em relação ao suicídio, além de criar grupos de mútua ajuda e outras medidas para aumentar os laços sociais na comunidade.”

    Escolas – O assunto também deve ser debatido nas escolas, já que boa parte dos incidentes ocorrem na faixa etária escolar. Algumas já aderiram à campanha Setembro Amarelo. Exemplo disso é a escola Adolpho Konder, situada na cidade de Blumenau (SC), que promove ações sobre o tema desde 2016.

    As professoras responsáveis pelo projeto, Érica Fernanda Monteiro e Mônica Lucas, contam que, por meio da ação, vários estudantes passaram a relatar problemas relacionados ao tema e a buscar junto à escola mais informações sobre como ajudar uma pessoa com propensões suicidas. Elas acreditam que, como se trata de uma mudança comportamental, o resultado se dá a longo prazo.

    Tanto as turmas de ensino fundamental quanto médio participaram da campanha. Além de terem acesso a vídeos, palestras, discussões e informativos, os estudantes participaram da simbólica pintura de pontes na cidade com a cor amarela. “O envolvimento dos estudantes foi primordial para que o projeto ocorresse. Apesar de ainda ser uma temática tabu, a recepção da proposta despertou muito interesse, visto que raramente a educação trata do assunto”, conta a professora Mônica.

    Assessoria de Comunicação Social 

  • Projeto ajuda jovens estudantes a lidar com dores e emoções

    Um projeto do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB) está levando a duas escolas públicas de Samambaia, no Distrito Federal, um grupo de estudantes para ajudar professores e alunos a lidar com emoções que muitas vezes se tornam um tormento para quem as vive. Por meio de uma escuta ativa dos jovens, muitos que chegam para conversar com um tom abatido saem mais leves e agradecidos.

    O psicólogo Marcelo Tavares, professor do Instituto de Psicologia da UnB e coordenador do projeto, tem ido com alguns alunos até as escolas com a finalidade principal de escutar os estudantes que passam por dificuldades sentimentais e ajudar a fortalecê-los, combatendo os sintomas que, eventualmente, podem levar as pessoas deprimidas a desistirem da vida. “A gente vai para a escola e simplesmente diz: ‘nós estamos aqui para conversar’”, explica. “Podemos falar de qualquer coisa. O foco da nossa escuta não é como arrumar a vida da pessoa. É para compreender a experiência interna na vida dela.”

    Muitas crianças e adolescentes, apura Tavares, sofrem abusos em casa, presenciam casos de violência doméstica e convivem com pais ausentes ou agressivos, o que torna o cotidiano muito difícil. “A ideia do projeto é fazer com que os docentes e estudantes desenvolvam competências para ajudar quem está passando por conflitos emocionais”, resume.

    Apoio – A equipe passou por outras instituições antes de entrar efetivamente nas duas escolas de Samambaia. A partir de uma análise do comportamento de adolescentes, desde o início do ano, o professor e seus alunos começaram a interagir com os gestores da escola para explicar o modelo que seria implementado. “Esse foi um passo importante para adquirimos o apoio da escola, direção, supervisão e coordenadores”, comenta Marcelo.

    Também são realizadas reuniões com professores para sensibilizá-los sobre a questão emocional dos alunos. “Nossa cultura tem uma dificuldade muito grande para lidar com emoções”, avalia. “A reunião tem o objetivo de fazer com que se entenda que emoção está fora do nosso controle cognitivo. A ideia da conversa com os professores é que eles entendam o processo de como as nossas emoções funcionam. ”

    O trabalho começa após as reuniões com o corpo docente da escola. Os alunos de uma turma indicada pela instituição assistem a uma animação e depois participam de uma roda de conversas na qual todos podem falar sobre emoções, experiências internas e sentimentos. “A ideia do projeto é fazer uma vacina, preparar as pessoas para darem atenção a própria vida emocional e dos companheiros e colegas”, resume o professor.

    Setembro Amarelo – Setembro é o mês mundial de prevenção do suicídio. No Brasil, desde 2015, foi criada a campanha Setembro Amarelo, uma inciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). A ideia é promover eventos que abram espaço para debates sobre suicídio e divulgar o tema alertando a população sobre a importância de sua discussão.

    Assessoria de Comunicação Social

Fim do conteúdo da página