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Educação superior

Cresce o número de negros nas universidades

  • Terça-feira, 01 de março de 2005, 15h10
  • Última atualização em Quarta-feira, 09 de maio de 2007, 12h36

O Programa Universidade para Todos (ProUni) aumentou, neste ano, em quase 50 mil o número de alunos negros nas universidades brasileiras. Sem as políticas afirmativas do Ministério da Educação, as instituições públicas e particulares tinham em seus cursos 25% de alunos afrodescendentes, o que correspondia a um total de 875 mil estudantes negros num universo de 3,5 milhões de alunos. Somente neste semestre, com a nova medida, houve um acréscimo de 5% no número de estudantes negros nas instituições de ensino superior.

Hoje, já são 921.695 estudantes negros em cursos superiores. Em sua primeira edição, o ProUni foi o principal responsável pela inserção maciça dos afrodescendentes, ao oferecer 46.695 bolsas de estudo para o sistema de cotas, o que significou 41,54% das 112.416 vagas disponibilizadas pelo programa.

De acordo com o censo de 2000 do IBGE, mais de 46,5% da população brasileira é formada por negros e pardos. Segundo o diretor de Avaliação da Educação Básica, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Carlos Henrique Araújo, existe um problema de fluxo educacional no Brasil. "De cada 10 alunos que entram no ensino fundamental, seis terminam. Três terminam o ensino médio, e somente 11% desses 10 alunos entram na universidade. Agora, este fenômeno de exclusão educacional atinge de maneira muito mais forte o aluno negro. A peneira é fechada para todos e muito mais fechada e seletiva para os alunos negros", revela o diretor.

O ProUni ajudará a modificar a difícil realidade do ensino superior no Brasil, pois o País figura entre as nações da América Latina com uma das mais baixas taxas de acesso ao ensino superior. Hoje, só 9% dos jovens de 18 a 24 anos de idade estão na faculdade. No Chile, o índice é de 27%, na Argentina, de 39%, no Canadá, de 62%, e nos Estados Unidos, de 80%.

Araújo defende o sistema de cotas nas universidades brasileiras. Ele afirma que "as cotas nas universidades privadas, seja por meio de isenção fiscal ou nas universidades públicas, são fundamentais. O esforço que o aluno negro faz para chegar à universidade é infinitamente maior que o do aluno branco, dadas as diversidades socioeconômicas e de racismo. Portanto, nada tem a ver com aprendizado. Porque no aprendizado todos somos iguais. O conhecimento se dá na relação social, na relação com os objetos, com as coisas e com um processo bem-feito de ensino e aprendizagem".

Sônia Jacinto e Sandro Santos

Assunto(s): mec , notícias , jonalismo , matérias
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