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Arte na educação

Estudantes trocam a pichação pelo grafite em escola de Goiás

  • Terça-feira, 24 de janeiro de 2012, 09h27
  • Última atualização em Terça-feira, 24 de janeiro de 2012, 09h27
O novo visual externo da escola ganhou elogios da comunidade de Trindade e até fez aumentar o pedido de vagas para novos alunos (foto: arquivo do Colégio Professor José dos Reis Mendes)O muro pichado do Colégio Estadual Professor José dos Reis Mendes, na periferia de Trindade, município goiano de 104 mil habitantes, a 18 quilômetros de Goiânia, virou espaço para a grafitação — grafitagem, na linguagem dos adeptos. O projeto de arte, criado no ano passado, deu tão certo que a direção da escola já pensa em ampliá-lo para este ano letivo. A ideia é que o muro interno da instituição seja aproveitado como espaço de expressão artística dos 700 alunos do ensino fundamental e médio.

“O prédio da nossa escola é antigo e estava sujo”, conta a diretora, Wannessa Cardoso Silva. “Como os alunos pichavam o muro que cerca o quarteirão, aproveitamos a criatividade deles porque os mesmos alunos que picham também sabem desenhar.”

Carlos Henrique de Castro Mendes, 15 anos, participava da turma dos pichadores. “Era legal pichar; tinha adrenalina”, diz o estudante do primeiro ano. Ele costumava assinar as pichações sob o apelido de Caos. “E quanto mais alto e difícil, mais a gente ficava famoso.”

O projeto de arte, do Muralismo ao Grafite, fez Carlos Henrique refletir. No muro, ele desenhou a prisão de um pichador por um policial. “Isso quase aconteceu comigo”, revela. Hoje, ele e outros colegas pedem para grafitar em muros pela cidade. “É muito melhor; o grafite é um jeito de expressar”, diz o jovem, que aprendeu, com o projeto, um pouco sobre a história dessa arte.

Coordenadora do projeto, a professora de história Maria Aparecida Pereira Laura pesquisou sobre o movimento artístico. “O primeiro grafiteiro famoso foi o norte-americano Jean Michel Basquiat, um jovem negro, usuário de drogas”, explica. Basquiat deixava mensagens poéticas nas paredes dos prédios abandonados de Manhattan, em Nova York. “Foi um movimento artístico de ruptura, de contracultura, que se destacou no processo de independência das Américas, principalmente do México”, continua a professora. “O muro era usado como espaço para a manifestação popular.”

Orgulho — Satisfeita com o resultado do projeto de artes, a diretora adianta que o novo visual do colégio ganhou elogios da comunidade e até fez aumentar o pedido de vagas para novos alunos. “O clima é outro na nossa escola depois desse trabalho do grafite” assegura Wannessa. “Os alunos mudaram o comportamento e agora chamam os pais para visitar a escola e ver o muro pintado, estão mais interessados nos estudos e se conscientizaram de que a escola é um espaço público, que também pertence a eles.”

Para dar continuidade ao projeto, a diretora propõe que se pinte também o muro interno. Ela pretende envolver, agora, os professores de biologia. “Todas as ruas do bairro têm nomes de flores, como gardênia e amor-perfeito, e plantas, como vitória-régia; por que não pintá-las pela escola, com os nomes científicos?”, sugere.

A professora Maria Aparecida, que coordenou o projeto, pensa em algo ainda maior. Em suas pesquisas, ela descobriu como a cultura de rua é valorizada por escolas públicas da Argentina. A partir daí, pensa em aproveitar o laboratório de informática para conectar os estudantes. “Os alunos vão poder aprender sobre arte, a falar espanhol e também a fazer uso da informática.”

Origem — A palavra grafite tem origem na língua italiana (graffiti, plural de graffito). O nome era utilizado, desde o império romano, para as inscrições feitas em paredes. Atualmente, o grafite é traduzido como inscrição caligrafada ou desenho pintado sobre um suporte não convencional, como os muros das cidades. Por isso mesmo, por muito tempo, foi visto como contravenção. Agora, é considerado expressão artística urbana. Ou seja, o artista usa espaços públicos para criar.

Grafite não é pichação, embora muitos grafiteiros respeitáveis, como Os Gêmeos — os paulistas Otávio e Gustavo Pandolfo —, admitam ter começado como pichadores. A prática do grafite espalhou-se a partir do movimento de contracultura de maio de 1968, quando os muros de Paris eram o suporte para inscrições de caráter poético-político. No século atual, o grafite é arte exposta até em museus.

Rovênia Amorim


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